AGORA É MOBILIZAÇÃO

Pauta de reivindicações dos funcionários já está com o Itaú

COE e Comando Nacional entregaram a minuta nesta quarta-feira (1/7) e cobram valorização dos bancários nas negociações

A COE e o Comando Nacional na solenidade de entrega da minuta de reivindicações ao Itaú: os bancários esperam que o banco valorize seus empregados Fotos: Willy Roberto/Seeb-SP

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú e o Comando Nacional dos Bancários entregaram, nesta quarta-feira, 1⁰ de julho, a pauta de reivindicações específicas dos trabalhadores à direção do banco. Entre as propostas dos bancários estão, a preservação dos empregos, melhoria das condições de trabalho, saúde, diversidade, segurança, remuneração e acompanhamento das reestruturações em curso na instituição.

Críticas à reestruturação 

Durante a reunião, o movimento sindical destacou que o Itaú atravessa um amplo processo de reestruturação, com impactos diretos sobre a vida dos bancários, e reforçou a necessidade de que o banco valorize o processo negocial e dialogue com os representantes dos trabalhadores sobre as mudanças.

Importância da mobilização 

Adriana Nalesso (E) e Valeska Pinkovai (centro) da COE, durante a solenidade de entrega da minuta de reivindicações dos funcionários do Itaú

A presidenta da Federa-RJ (Federação das Trabalhadoras e Trabalhadores no Ramo Financeiro do Estado do Rio de Janeiro), Adriana Nalesso, que participou da solenidade de entrega da minuta, em São Paulo, destacou a importância da mobilização dos bancários para o sucesso nas negociações e uma campanha nacional vitoriosa.

“A minuta foi construída a partir dos encontros em todos os estados, demonstrando a preocupação das bancárias e dos bancários com emprego, saúde, condições de trabalho e assédio moral. A entrega é um momento importante, mas a luta é construída coletivamente e a participação da categoria é fundamental para avançarmos nas negociações”, afirmou.

Desafios da categoria 

A coordenadora da COE Itaú, Valeska Pincovai, ressaltou que a pauta foi construída para responder aos principais desafios enfrentados pelos empregados. “O Itaú vive um momento de profundas transformações, que têm impactado diretamente a rotina e a vida dos trabalhadores. Nossa pauta busca minimizar esses efeitos, preservar os empregos, garantir condições dignas de trabalho e fortalecer o diálogo com o banco. Esperamos que o processo negocial seja valorizado e que as reivindicações dos bancários sejam tratadas com a seriedade que merecem”, afirmou.

Clientes aposentados 

O Itaú apresentou durante a reunião, um projeto-piloto voltado ao atendimento de clientes aposentados, que será implantado inicialmente nos estados de São Paulo e Paraná. Segundo o banco, as unidades participantes passarão por adequações de layout, mas os empregados permanecerão nos mesmos cargos. As metas serão ajustadas de acordo com os produtos específicos do segmento, e os trabalhadores receberão treinamento para atuar no novo modelo de atendimento.

Novas agências e mais funcionários

O Itaú informou ainda que estuda a possibilidade de abertura de novas agências, contratação de funcionários e manutenção de caixas de atendimento, conforme a necessidade identificada em análises específicas. Também assumiu o compromisso de apresentar previamente à COE as mudanças previstas, além de compartilhar informações sobre tempo de filas e os impactos da reorganização nas demais unidades.

Impasses no home office

O home office no banco segue como ponto de divergência e os bancários querem melhorias neste modelo de trabalho. . Foi debatida a mudança no regime de trabalho híbrido, prevista para 2027 e 2028. O Itaú reafirmou que manterá a decisão de ampliar a presença dos empregados nos escritórios, alegando que a medida busca reduzir os impactos do trabalho remoto na integração das equipes, na dinâmica de trabalho e no desenvolvimento profissional.

A representação dos trabalhadores reiterou sua posição contrária à mudança, defendendo a manutenção do modelo atual. A COE destacou que o trabalho remoto tem contribuído para a qualidade de vida dos empregados, especialmente diante dos longos deslocamentos nos grandes centros urbanos, sem prejuízo à produtividade.

Os dirigentes sindicais também solicitaram que o banco realize uma pesquisa para ouvir a opinião dos trabalhadores sobre o novo modelo, proposta que foi rejeitada pela direção da empresa. Diante da negativa, a COE informou que fará seu próprio levantamento para subsidiar as próximas negociações.

Além disso, os representantes dos trabalhadores cobraram a manutenção da ajuda de custo prevista no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) para quem atua em regime híbrido. O Itaú informou que cerca de 2 mil empregados atualmente em regime de trabalho totalmente remoto (full remote) permanecerão nessa modalidade.

Confira abaixo os principais itens da minuta entregue ao Itaú.

Itens de reivindicações

– Fim do fechamento de agências;

– Valorização dos trabalhadores nos processos de realocação e garantia do emprego;

– Criação de uma mesa permanente sobre diversidade;

– Acolhimento aos trabalhadores adoecidos;

– Fim das convocações para exames médicos que desconsiderem os laudos dos médicos assistentes;

– Combate ao assédio moral;

– Participação dos trabalhadores na implementação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1);

– Reforço da segurança nas agências;

– Manutenção dos benefícios durante afastamentos por saúde;

– Transparência na utilização de ferramentas de monitoramento baseadas em inteligência artificial

– Debate sobre a implementação da IA nos processos de trabalho.

– Readequação das metas no retorno da licença-maternidade;

– Redução da jornada para empregados com filhos com deficiência;

– Manutenção dos debates sobre programas de remuneração variável no Grupo de Trabalho;

– Valorização das bolsas de estudo e dos subsídios para cursos de idiomas e certificações profissionais;

– Criação de um plano de previdência para todos os trabalhadores;

– Melhoria no reembolso de combustível para empregados que realizam visitas a clientes;

– Melhorias no banco de horas;

– Transparência na reestruturação dos modelos Uniclass e Phygital;

– Plano de saúde para aposentados;

– Estabelecimento de teto para a coparticipação dos empregados admitidos a partir de 2015;

– Reajuste dos valores de reembolso para consultas e procedimentos médicos, além da ampliação da rede credenciada.