AGRICULTURA SUSTENTÁVEL

MST coordena IARAA, a primeira IA da Reforma Agrária e Agroecologia

O projeto Inteligência Artificial da Reforma Agrária e Agroecologia (IARAA) é uma iniciativa voltada para o desenvolvimento de uma ferramenta de Inteligência Artificial (IA). O objetivo é fortalecer o processo de massificação da agroecologia. Coordenado pelo MST e pela Marcha Mundial das Mulheres, e impulsionado pela Associação Internacional para Cooperação Popular (Baobad), o projeto nasce com um caráter internacional. A ideia é promover um trabalho conjunto com organizações populares de outros países.

Os primeiros passos do projeto

A primeira etapa presencial das oficinas de desenvolvimento do projeto reuniu dez profissionais da agroecologia de todas as regiões do país, juntamente com a equipe técnica do projeto aconteceu em novembro de 2025, na Escola Nacional Florestan Fernandes.

A IARAA começa a germinar no Curso de Inteligência Artificial para Movimentos Populares do Sul Global, que aconteceu em Xangai, em julho deste ano. Além de se apropriar de forma crítica e tecnicamente das tecnologias envolvidas na IA, militantes desses movimentos e de outras organizações do mundo tiveram contato com outro modelo de desenvolvimento tecnológico: o modelo chinês, de desenvolvimento socialista, orientado por um projeto econômico e político de prosperidade comum para seu povo, o que torna a proposta antagônica ao padrão das Big Techs.

Impactos negativos da IA

Na avaliação da classe trabalhadora do Sul Global, o uso da IA tem se manifestado primeiro de forma muito negativa, como instrumento de dominação e exploração, como ataques de bombas, mísseis e drones em Gaza pelos sistemas tecnológicos altamente sofisticados de Israel, usados inclusive para reconhecimento facial para “segurança pública” e monitoramento de estudantes em sala de aula.

Eliminação de empregos

Outro problema da IA é sobre o trabalho. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que a IA deve eliminar 92 milhões de postos de trabalho nos próximos anos, em todo o mundo e o capitalismo ocidental de modelo neoliberal parece não ter um plano efetivo para lidar com o impacto social destas novas tecnologias sobre o emprego e a vida das pessoas. .

“Nossa categoria bancária tem sido uma das mais afetadas pelo uso negativo destas novas tecnologias, como a Inteligência Artificial, com a perda de postos de trabalho e o monitoramento da vida privada dos bancários que estão em home office e acabam tendo sua vida invadida por obrigações profissionais”, explica a diretora executiva de Meio Ambiente Cida Cruz.

“É muito bom saber que o MST e a organização da Marcha das Mulheres estão buscando usar a IA para o bem coletivo. A classe trabalhadora precisa tomar posse das novas tecnologias, que não podem continuar sendo usadas para a dominação de nações sobre outros povos e eliminação de postos de trabalho”, acrescentou Cida.

“Neste contexto, por meio do projeto IARAA, os movimentos populares se posicionam, construindo uma ferramenta de IA para potencializar a democratização do acesso a conhecimentos e saberes agroecológicos, populares e tradicionais”, concluiu Cida.