ENCONTRO NACIONAL 2026

Bradesco: fechamento de agências, demissões e adoecimento de bancários são desafios em 2026

Cerca de 100 delegadas e delegados de todo o país aprovam pauta de reivindicações e estratégias para preservar direitos e conquistar novos avanços

Funcionários e funcionárias do Bradesco aprovam a pauta de reivindicações para a Campanha Nacional 2026. Mobilização da categoria será fundamental para o êxito nas negociações com o banco Foto: Contraf-CUT

Representantes dos trabalhadores do Bradesco de todo o país se reuniram nesta sexta-feira (19), em São Paulo, durante o Encontro Nacional dos Funcionários do Bradesco. Com o tema “Mais valorização, direitos e futuro”, a atividade reuniu cerca de 100 delegadas e delegados, que aprovaram a pauta específica de reivindicações e o plano de lutas que orientarão a atuação da categoria na Campanha Nacional dos Bancários 2026.

O diretor do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e representante da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, Leuver Ludolf, avaliou de forma positiva o encontro e destacou os principais desafios enfrentados pelos trabalhadores.

“Este encontro é fundamental para debater os graves problemas que enfrentamos no Bradesco, como o fechamento de agências, as demissões e o adoecimento dos trabalhadores, submetidos a metas cada vez mais difíceis de serem alcançadas. Também queremos renovar o acordo de remuneração variável com valorização do trabalho dos bancários, que são os verdadeiros responsáveis pelos lucros do banco”, afirmou.

Igualdade de oportunidades

Funcionário do Bradesco e secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, Almir Aguiar defendeu o fortalecimento das políticas de igualdade de oportunidades.

“Vamos cobrar igualdade na contratação, nas oportunidades de ascensão profissional e na equiparação salarial entre pessoas de diferentes raças, gêneros e para a população LGBTQIA+”, destacou.

Renovação dos acordos

A coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, Erica de Oliveira, ressaltou a importância do encontro para consolidar as reivindicações dos trabalhadores e fortalecer a mobilização da categoria.

“Foi um dia de debates intensos e fundamentais para a construção da nossa luta. Analisamos a conjuntura nacional, discutimos a importância das eleições para o futuro dos trabalhadores e os desafios da Campanha Nacional dos Bancários. Também revisamos a pauta de reivindicações e aprofundamos o debate sobre temas que preocupam a categoria, como as demissões, o fechamento de agências e a renovação do acordo de remuneração variável. Saímos deste encontro mais fortalecidos e preparados para defender nossas propostas na Conferência Nacional”, afirmou.

Conjuntura política e democracia

A abertura do encontro contou com uma análise de conjuntura apresentada pela presidenta da Contraf-CUT e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.

Durante sua exposição, ela destacou o papel histórico do movimento sindical na construção da democracia brasileira e na conquista de direitos para a classe trabalhadora.

Juvandia relembrou períodos da história recente marcados por arrocho salarial, retirada de direitos, enfraquecimento da organização sindical e pelo avanço de discursos de ódio e intolerância.

“A luta sindical sempre esteve diretamente ligada à conquista de direitos e à construção de um futuro mais seguro para os trabalhadores e suas famílias. Nada foi conquistado sem mobilização. É preciso analisar o cenário atual e eleger representantes comprometidos com a democracia, a soberania nacional e os direitos dos trabalhadores”, afirmou.

Desafios da Campanha Nacional

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, abordou os desafios da Campanha Nacional 2026 e os impactos das transformações do sistema financeiro sobre o emprego bancário.

“O movimento sindical continua sendo uma força fundamental para enfrentar os desafios impostos pela transformação digital e pela reestruturação do setor financeiro. Também é nosso papel defender a regulamentação do sistema financeiro, com isonomia regulatória, fiscal e trabalhista entre bancos tradicionais e fintechs, além da redução das taxas de juros, do fortalecimento dos bancos públicos e da defesa da democracia”, afirmou, reforçando a necessidade de combater o fechamento de agências e as demissões.

Desempenho do banco

O encontro contou ainda com uma apresentação do economista e técnico do Dieese Gustavo Cavarzan, assessor do Comando Nacional dos Bancários nas negociações com o Bradesco. O especialista apresentou os indicadores econômicos da instituição e analisou seus resultados, fornecendo subsídios para os debates sobre as reivindicações da categoria.

Ao final da atividade, os participantes reafirmaram a importância da negociação nacional dos bancários, considerada uma das mais abrangentes do país por reunir trabalhadores de bancos públicos e privados em uma mesma mesa de negociação, permitindo avanços coletivos em direitos, salários e condições de trabalho.

O encontro foi encerrado com a aprovação da pauta específica de reivindicações e do plano de lutas que orientarão a atuação dos representantes dos trabalhadores na Campanha Nacional dos Bancários 2026.

Na sequência, os participantes seguiram para a 28ª Conferência Nacional dos Bancários, cuja abertura ocorreu na noite desta sexta-feira (19), também em São Paulo. A programação prossegue neste sábado (20) e será encerrada no domingo (21), quando a categoria definirá e aprovará a pauta nacional de reivindicações e as estratégias de mobilização para a Campanha Nacional dos Bancários 2026.
Texto com informações de matéria do jornalista Rodrigo Zevslkovas, publicada no site da Contraf-CUT