Conferência dos Bancários destaca como desafios conquistar avanços na CCT, aprovar o fim da 6X1 e reeleger o presidente Lula

A presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, dá as boas-vindas aos participantes da 28ª Conferência Nacional dos Bancários e Bancárias. Foto cedida pela Contraf-CUT.

A abertura da 28ª Conferência Nacional dos Bancários e Bancárias aconteceu na noite desta sexta-feira (19/6), em São Paulo, reunindo representantes da categoria vindos de todos os pontos do Brasil. Da mesa da solenidade, participaram dirigentes das centrais sindicais, como a CUT, CTB e Intersindical, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), da Fenae, do Comando Nacional dos Bancários, federações e de forças políticas.

Todos foram unânimes em destacar a importância da campanha nacional da categoria, que acontece num momento particularmente importante, num ano em que temas fundamentais devem ser encarados como prioridade: não só conquistar avanços na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e nos acordos específicos de bancos públicos e privados, mas também garantir a aprovação pelo Senado do fim da jornada 6X1 com 40 horas de trabalho por semana. E também um desafio ainda maior de toda a classe trabalhadora que é derrotar a extrema-direita, reelegendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e elegendo deputados e senadores comprometidos com a preservação e ampliação dos direitos dos trabalhadores, com o fortalecimento das estatais, dos serviços públicos, da democracia e da soberania do Brasil frente aos ataques do governo Donald Trump dos Estados Unidos.

Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT falou durante a abertura sobre o momento importante em que acontece a campanha bancária. “Com a unidade e a mobilização da nossa categoria vamos com certeza renovar com avanços a nossa CCT. Vamos lutar para conquistar aumento real de salário, Participação nos Lucros e Resultados e condições dignas de trabalho. Mas todos os avanços que conseguirmos, e todos os direitos que constam das leis trabalhistas estarão ameaçados se não reelegermos o presidente Lula. Porque já vimos o que acontece quando um governo fascista, de extrema-direita é eleito: direitos são retirados, estatais são privatizadas, o salário é arrochado e a democracia ameaçada. Nossa tarefa este ano é impedir que isto volte a acontecer o que só será possível reelegendo Lula e um novo Congresso Nacional que permita a ele promover ainda mais avanços econômicos e sociais”, afirmou Juvandia.

A dirigente bancária acrescentou que a eleição de Lula é importante não só para o Brasil, mas para a América Latina e para o mundo. “           Lula é a mais importante liderança mundial, fundamental para a defesa da democracia nos países da América Latina e do mundo. É um líder no movimento para deter o avanço da extrema-direita em todo o planeta”, acrescentou.

Juvandia, que também é uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, que negocia com a Fenaban, fez questão de frisar que o presidente Lula encara o grave problema do feminicídio, não só em seus discursos, mas também com projetos de lei, o mesmo fazendo em relação ao fim da jornada 6X1. “Sem que Lula tivesse enviado pedido de urgência na tramitação do projeto de fim da 6X1 e articulado na Câmara dos Deputados, a proposta não teria sido aprovada lá”, lembrou o presidente da CUT, Sérgio Nobre.

Nobre frisou ter sido fundamental para passar pela Câmara a grande mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras em grandes manifestações e também o trabalho de corpo e corpo dos dirigentes das centrais sindicais nunto aos deputados. “Agora o nosso desafio é aprovar também no Senado. Nesta perspectiva estamos convocando uma grande mobilização com atos nos estados no dia 30 de junho. É importante que a categoria bancária participe dessa pressão que vai garantir esta conquista histórica que trará uma melhor qualidade de vida para os trabalhadores”, afirmou Nobre.

O dirigente lembrou que a CUT assinou com o governo Lula, através do Ministério das Mulheres, um convênio com ações para o combate ao feminicídio. “É importante que não apenas a CUT, mas todas as centrais se envolvam nesta luta na qual a categoria bancária é vanguarda, tendo em sua CCT cláusulas prevendo o combate e este crime, bem como itens como o Canal Basta! de apoio às mulheres vítimas de violência doméstica”, lembrou.

Nobre deixou escapar e disse, olhando para Juvania, que em seu próximo congresso, a CUT elegerá como presidente uma mulher. Hoje Juvandia é vice-presidenta a CUT. E será primeira mulher a presidir a central, um importante exemplo para todo o movimento sindical brasileiro e mundial.

Juvandia chamou o secretário-geral da Uni-Américas, Márcio Manzani, para a mesa da conferência e o indicou para o cargo de secretário da Uni-Global pelo Brasil.  Em seu discurso, Márcio disse que este é um ano de importantes desafios para bancários e bancárias. “Um deles é a renovação com avanços da nossa CCT, com cláusulas que barrem as consequências do avanço das novas tecnologias como o fechamento de milhares de postos de trabalho, de agências, o aumento da sobrecarga e do adoecimento. Mas não adiantará realizarmos estas conquistas sem reeleger o presidente Lula. Com um governo de extrema-direita todos os direitos estarão ameaçados. Por isto, nossa tarefa este ano também é manter o atual governo para impedir retrocessos”, afirmou.

Ronaldo Leite, da central sindical CTB, frisou que este ano será de muita luta neste segundo semestre, com a campanha salarial de bancários, mas também de petroleiros e empregados dos Correios. “Teremos grandes categorias em lutas que podem ser por vitórias nas suas campanhas, mas também construindo lutas unificadas participando das mobilizações pela aprovação pelo Senado do fim da escala 6X1”, disse.

Leite também entende que a aprovação do projeto só aconteceu na Câmara dos Deputados pela participação de Lula. “Por isto, para continuarmos avançando nos direitos temos que lutar pela reeleição do presidente Lula. Temos que eleger Lula também para defender a democracia e a soberania do nosso país contra interesses externos”, afirmou. Citou diretamente a imposição de tarifas, ameaças veladas de intervenção e de ataque ao PIX feitas pelo governo Trump dos Estados Unidos.

A secretária-geral da Intersindical Central da Classe Trabalhadora, Nilza Pereira, ressaltou a necessidade de resistência diante do aumento do adoecimento provocado pelo assédio e destacou a importância das eleições para garantir avanços. “Precisamos seguir avançando com resistência. As eleições deste ano serão fundamentais para garantir representantes comprometidos com a classe trabalhadora”, disse.

Já o presidente da Fanae, Sérgio Takemoto, lembrou que o 41º Congresso dos Empregados da Caixa aprovou também nesta sexta-feira, a minuta de acordo a ser entregue ao banco; a luta pela Caixa 100% pública; a defesa do Saúde Caixa; entre outros itens. Mas disse que tudo isto só será implementado com a reeleição do presidente Lula.

“Um governo de extrema-direita já mostrou o que fará: irá atacar direitos trabalhistas e previdenciários, privatizar bancos e outras empresas estatais, como já fizeram Michel Temer e Jair Bolsonaro, governos baseados no ódio às minorias, como as mulheres, negros e LGBTQIA+”, alertou.

Neste fim de semana, delegados e delegadas de todo o país irão debater e aprovar as prioridades que orientarão a Campanha Nacional 2026, em um contexto marcado pela defesa da Convenção Coletiva de Trabalho, da saúde dos trabalhadores e do fortalecimento da organização sindical.