Bancários do Itaú aprovam minuta e eixos da campanha

Bancários do Itaú de todo o Brasil, aprovaram, em seu Encontro Nacional, nesta sexta-feira (19/6), em São Paulo, a pauta de reivindicações específicas, incorporando todas as propostas apresentadas pelas federações. O documento unificado será entregue ao Itaú em 2 de julho, marcando o início das negociações específicas da Campanha Nacional dos Bancários de 2026.

O evento reuniu 88 delegados e delegadas, além de 20 convidados, para debater a conjuntura política e econômica, os impactos da Inteligência Artificial (IA) sobre o emprego, o andamento das negociações com o banco e as propostas específicas para a Campanha Nacional dos Bancários de 2026.

“Nosso encontro foi muito positivo, principalmente por aprovar uma pauta de reivindicações bastante completa, com propostas para enfrentar os principais problemas que estamos vivenciando no Itaú”, avaliou a coordenadora nacional da COE/Itaú, Valeska Pincovai. “A união demonstrada aqui vai fazer a diferença, e tenho certeza de que saímos ainda mais fortalecidos para continuar a luta e a defesa dos nossos direitos”, completou.

Valeska destacou que a principal preocupação dos trabalhadores atualmente é a saúde, diante do aumento dos casos de adoecimento na categoria. A coordenadora também chamou atenção para a situação dos aposentados e as dificuldades de permanência no plano de saúde após o encerramento da vida laboral.

Cenário político – Na primeira mesa do Encontro Nacional, a presidenta do Instituto Lula e ex-presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, iniciou sua análise de conjuntura ressaltando a importância da Campanha Nacional dos Bancários. No entanto, destacou que, em 2026, a missão da categoria ultrapassa a defesa de suas pautas específicas.“Nós sabemos que defender os nossos direitos passa por defender a democracia no Brasil e garantir a eleição de um governo democrático que esteja ao lado dos trabalhadores”, afirmou.

Segundo Ivone, essa tarefa se dará em um cenário complexo. Ao analisar a conjuntura global, ela apontou que o avanço da extrema direita no mundo e no Brasil está associado às múltiplas crises do capitalismo, que desmontaram o Estado de bem-estar social e aprofundaram as desigualdades. “Com isso, há uma perda generalizada da confiança nas instituições democráticas, como o governo e os sindicatos. E essa descrença tem impactos diretos sobre o governo Lula”, observou.

“Mesmo com uma conjuntura marcada por avanços e bons índices econômicos no terceiro mandato de Lula, as pesquisas mostram que 42% das pessoas consideram que a economia brasileira está pior do que há seis meses. Ou seja, o governo tem resultados sólidos, mas não consegue repetir a experiência subjetiva de mobilidade social vivida nos dois primeiros mandatos. O desempenho econômico não se traduz automaticamente em popularidade”, acrescentou.

Lucros e redução da estrutura física do banco – A segunda mesa teve início com a apresentação da economista do Dieese e assessora da COE/Itaú nas negociações com o banco, Cátia Uehara, que analisou os resultados de 2025 e do primeiro trimestre de 2026.

Segundo a economista, os cinco maiores bancos em operação no Brasil registraram, juntos, lucro próximo de R$ 124 bilhões em 2025. Nesse cenário, o Itaú se destacou ao alcançar lucro recorde de R$ 46,8 bilhões, crescimento de 13,1% em relação ao ano anterior. Nos três primeiros meses de 2026, o banco já acumula lucro de R$ 12,2 bilhões.

Ao abordar a evolução dos postos de trabalho e da rede física, Cátia ressaltou que o sistema financeiro vem reduzindo sua estrutura sem comprometer a lucratividade. “Os bancos estão conseguindo apresentar resultados bastante significativos com menos pessoas. Em apenas 12 meses, Banco do Brasil e bancos privados fecharam quase 13 mil postos de trabalho no país”, destacou.

Segundo ela, somente a holding Itaú extinguiu 3.535 postos de trabalho entre 2024 e 2025, encerrando dezembro de 2025 com um quadro de 82.693 trabalhadores.

Impactos da IA sobre os empregos – A economista também destacou que o Itaú fechou 2.439 agências em dez anos e que a instituição mantém mais de 700 iniciativas de Inteligência Artificial generativa em desenvolvimento. “Os processos implementados até o momento já geraram a redução de 300 mil horas de trabalho pelos agentes de IA”, observou.

Inteligência Artificial, monitoramento digital e demissões em massa – Após a análise do balanço, a assessora jurídica do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e da COE/Itaú, Cynthia Valente, abordou os impactos da Inteligência Artificial sobre o emprego e relembrou o processo de demissões em massa ocorrido em setembro de 2025. “Fomos surpreendidos por um processo de demissão em massa no Itaú, que utilizou ferramentas digitais para monitorar seus trabalhadores e alegou baixa aderência como justificativa para desligar mais de mil bancários, a maior parte deles lotados no Ceic, em São Paulo”, resumiu.

Segundo Cynthia, não houve negociação prévia com a representação dos trabalhadores e, diante da intransigência do banco, foi necessário recorrer ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. “O Itaú insistia que os trabalhadores não estavam trabalhando, especialmente aqueles que estavam em trabalho remoto. Como a negociação não avançou, tivemos de adotar medidas mais firmes”, explicou.

A mediação resultou em um acordo aprovado em assembleia por 89,3% dos participantes e garantiu indenizações para os trabalhadores desligados. “Consideramos uma ação bastante vitoriosa, porque em uma ação coletiva os trabalhadores dificilmente teriam uma resposta tão rápida ou mesmo a garantia de receber esses valores”, avaliou.

Negociações permanentes e as prioridades da campanha – A terceira mesa do encontro foi dedicada ao andamento das negociações permanentes com o Itaú. Valeska Pincovai apresentou as principais reivindicações debatidas com o banco, com destaque para o fechamento de agências e os programas de avaliação de desempenho Gera e Evolui. “Em síntese, temos reiterado nas negociações nossas reivindicações por garantia do emprego e pelo fim do fechamento de agências; por mais saúde mental e pelo combate às metas abusivas e ao assédio moral; além de condições dignas de trabalho, transparência e valorização dos trabalhadores”, resumiu.

Valeska também apresentou os avanços garantidos no Acordo Coletivo de Trabalho renovado em janeiro de 2026 e os resultados obtidos pela Comissão de Conciliação Voluntária após as demissões em massa ocorridas em 2025.

Saúde, Gera e os grupos de trabalho específicos – Na sequência, foram apresentados informes sobre o andamento dos grupos de trabalho específicos. A coordenadora do GT de Saúde, Rosângela Lorenzetti, fez um balanço das discussões e dos encaminhamentos em curso, enquanto os representantes da COE atualizaram os participantes sobre as negociações relacionadas ao programa Gera e aos demais temas em debate permanente com o banco.

As discussões reforçaram a importância da mesa de negociação permanente e da mobilização dos trabalhadores para enfrentar os desafios colocados pela reestruturação do banco, pelo avanço da Inteligência Artificial e pela necessidade de garantir emprego, saúde e melhores condições de trabalho para todos os funcionários do Itaú.