Bancárias e bancários de todo o Brasil participaram, nesta quarta-feira (12), de uma mobilização nacional contra a morosidade da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) e a falta de respeito com os trabalhadores, diante da ausência de propostas concretas para a categoria nas mesas de negociação. No Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, a situação não é diferente. No BNDES, ainda há impasses a serem superados. Os bancos privados aguardam o desfecho das negociações com a Fenaban, embora o Santander e o Itaú chegaram a realizar reuniões para tratar de temas específicos.
A atividade no Rio
No município do Rio de Janeiro, foram realizadas atividades nos bairros da Tijuca e de Vila Isabel, na Zona Norte. A situação nas unidades é semelhante à registrada em praticamente todo o país: demora no atendimento à população por falta de funcionários — no setor privado, as demissões não param de crescer — e empregados sobrecarregados e adoecidos também em razão da pressão por metas. Ao mesmo tempo, os bancos reduzem o número de agências físicas, concentrando a demanda nas unidades que permanecem abertas e agravando ainda mais as condições de trabalho e de atendimento.
Cadê as propostas dos bancos?
Os bancos têm até o dia 31 de agosto para responder à pauta de reivindicações da categoria, cuja data-base é 1º de setembro. O movimento sindical segue buscando uma solução negociada entre as partes.
Nesta quinta-feira (13), haverá mais uma rodada de negociações, e os sindicatos esperam que a Fenaban finalmente apresente uma proposta global.
Além de não avançarem em nenhum item da pauta, os banqueiros tiveram a iniciativa de defender o fim da mesa única, estratégia de negociação vitoriosa construída há mais de 20 anos e que reúne bancários dos bancos públicos e privados. A proposta foi imediatamente rejeitada pelo Comando Nacional dos Bancários.
Uma greve não está descartada caso os bancos não apresentem uma proposta digna nas próximas rodadas de negociação.
“Estamos dialogando com a categoria bancária, passando informações da Campanha Nacional e lembrando que estamos chegando a um momento decisivo. Nosso acordo precisa ser fechado até o dia 31 de agosto, já que não temos mais a ultratividade, o que pode deixaria os trabalhadores desprotegidos, caso a Convenção Coletiva de Trabalho não seja renovada. É fundamental que a categoria fique atenta aos informes da nossa imprensa e nas redes sociais. Amanhã (13/8) temos mais uma rodada com a Fenaban, e os bancos sinalizaram o fim da mesa única, que mantém unidos todos os bancários e bancárias dos setores público e privado”, afirmou a presidenta da Federa-RJ, Adriana Nalesso, que participou da caravana na Tijuca.
A dirigente sindical acrescentou que os bancos também querem fracionar a CCT. “Somos 406 mil bancários em todo o país e temos direitos que nenhuma outra categoria tem. Enfim, temos que ficar mobilizados, e os bancários devem curtir e compartilhar nossas mensagens da campanha nas redes sociais”, completou Adriana.
População sofre nas filas
O diretor do Sindicato Gilberto Leal criticou o fechamento das agências e os impactos provocados pela redução do quadro de funcionários. “Os bancos estão sendo intransigentes e continuam fechando agências e demitindo, sobrecarregando e adoecendo a categoria e prejudicando a população, que é empurrada para as plataformas digitais e tem cada vez mais dificuldade para conseguir atendimento presencial. Os que mais sofrem são os idosos”, destacou Gilberto.
Leuver Ludolff, diretor do Sindicato e integrante da COE (Comissão de Organização dos Empregados) do Bradesco, afirmou que a situação no banco não é diferente da enfrentada pelos trabalhadores das demais instituições financeiras privadas. “Temos recebido todo o apoio de nossa categoria e da população e esperamos que os bancos tenham sensibilidade e que não seja preciso uma greve nacional para a Fenaban atender às nossas reivindicações”, ressaltou.
BB e Caixa também não avançam
Nas mesas específicas, os bancos públicos também não apresentam avanços. “O BB não deu nenhuma resposta. Esperamos que, na mesa desta sexta-feira (14), o banco apresente propostas concretas para questões como os problemas na Cassi, a remuneração, já que o programa Performance acabou com o nosso Plano de Cargos e Salários, além da necessidade de solucionar o a questão do adoecimento crescente provocado pelas metas, além do esvaziamento das agências”, explicou o diretor executivo do Ramo Financeiro do Sindicato, Júlio Castro.
O também dirigente da entidade, Jorge André, falou do baixo contigente nas unidades. “Recentemente, temos algumas agências no Rio de Janeiro que não abrem pontualmente porque não há funcionários suficientes para atender. Tenho 34 anos de banco e nunca imaginei que iria verificar uma situação como essa no BB. Além de agências fechadas por falta de contingente, as metas continuam sendo cobradas. A situação é preocupante”, acrescentou Jorge.
Na Caixa, a direção da empresa também não apresentou nenhuma resposta à minuta de reivindicações durante a negociação e ainda trouxe uma proposta considerada indecente para o Saúde Caixa, que eleva os custos para os empregados e, segundo a representação dos trabalhadores, não garante a sustentabilidade do plano.

Foto: Nando Neves

Foto: Robson Monte

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Faixa da campanha em frente a agência do Santander, em Vila Isabel
Foto: Robson Monte

Foto: Nando Neves

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