NEGOCIAÇÃO DA CAMPANHA NACIONAL UNIFICADA

Bancários cobrarão dos bancos fim da discriminação de mulheres e negros

Além de propostas de combate às desigualdades salariais e de oportunidades para mulheres, negros e negras, indígenas, pessoas LGBTQIPAN+ e PCDs, Comando Nacional Bancário exigirá medidas para tirar categoria do endividamento

O Comando Nacional dos Bancários faz nesta quinta-feira, 16 de julho, às 10 horas, a terceira rodada de negociação da Campanha Nacional Unificada (setor público e privado) de 2026. Dirigentes bancários e representantes da Federação Nacional dos Bancos, a Fenaban, reúnem-se em São Paulo, para discutir itens como igualdade de oportunidades de acesso, ascensão e remuneração para mulheres, negros e negras, pessoas LGBTQIAPN+ e pessoas com deficiência (PcDs).

Igualdade e endividamento – José Ferreira, presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e membro do Comando Nacional, falou pelo celular com a reportagem da Secretaria de Imprensa, nesta quarta-feira (15/7). O dirigente estava na reunião de preparação da negociação, em São Paulo.

“Vamos cobrar dos bancos melhoria no tratamento a mulheres, negros e negras, PcD e população LGBTQIAPN+; bem como igualdade no acesso ao banco e a cargos executivos; e, também, o encarreiramento. Vamos tratar, ainda, do problema sério que é a redução da participação das mulheres na categoria. Em 2025 passaram a ser minoria”, adiantou.

Falou sobre outro assunto importante a ser debatido que é a solução para dívidas. “O endividamento de parcela da categoria também nos preocupa. Vamos cobrar que os bancos tenham uma política de renegociação e linha de crédito específica aos bancários e bancárias”, explicou.

Tecnologia amplia desigualdade nos bancos – A presidenta da Contraf-CUT e coordenadora do Comando Nacional, Juvandia Moreira denunciou o impacto das tecnologias digitais, não só no desemprego, mas também no aumento da desigualdade. “Temos alertado que a implementação das novas tecnologias, por parte dos bancos, está vindo acompanhada de um aprofundamento das desigualdades no setor, revertendo esforços da categoria, em mesas de negociação, por igualdade de oportunidade e ascensão para todos e todas”, advertiu.

“Se os bancos continuam mantendo uma estrutura de remuneração e ocupação de cargos que penalizam mulheres, negros, PCDs e pessoas LGBTQIAPN+, o +que estamos assistindo não é modernização real e que de fato traz ganhos sociais e econômicos para os trabalhadores e para a sociedade, e sim retrocessos por trazer impactos negativos como concentração de renda, enfraquecimento de direitos sociais, trabalhistas e contribuição para as desigualdades que enfrentamos no país”, avaliou.

Combate ao endividamento na categoria – O Comando Nacional também levará para esta mesa a reivindicação para que os trabalhadores bancários sejam isentos do pagamento de quaisquer tarifas bancárias e que as taxas de juros para operações com cheque especial, empréstimos e cartão de crédito fiquem limitadas em 0,5% ao mês para a categoria.

“Na Consulta Nacional que realizamos neste ano e teve a participação de quase 55 mil respondentes, 71% da categoria afirmou que está com dívidas. Esse alto índice, porém, não pode ser lido como irresponsabilidade dos trabalhadores do setor”, pontuou Juvandia Moreira, que além de coordenadora do Comando Nacional é presidenta da Contraf-CUT.

Entre as reivindicações relacionadas ao tema que a categoria irá levar para a mesa de negociações com a Fenaban estão:

Promoção da igualdade de oportunidades

– Salário igual para trabalho de igual valor: Cumprimento rigoroso da Lei de Igualdade Salarial entre Mulheres e Homens, nº 14.611/2023.

– Cotas e metas: Admissão mínima de 30% de negros e negras e 1% de pessoas trans (elevando para 2% em quatro anos) nas novas contratações.

– Programa de trainees: Criação de um programa específico para trainees negros, correspondente a 0,5% do quadro funcional, com duração mínima de 6 meses.

– Proteção contra a violência doméstica: Garantia de teletrabalho, desde que solicitado expressamente pela trabalhadora vítima de violência doméstica, e manutenção do vínculo trabalhista por até 6 meses em casos de afastamento necessário.

– Mulheres na tecnologia (TI): Fortalecimento do programa de bolsas de qualificação integrais e reserva de vagas para bancárias na área de TI, combatendo a disparidade de gênero no setor tecnológico.

– Ascensão profissional: Aceleração da contratação de mulheres negras e estabelecimento de metas de gênero para todos os cursos e treinamentos.

Combate ao racismo, discriminações e à LGBTfobia

Direito de autoproteção: O bancário vítima de insulto discriminatório ode interromper o atendimento imediatamente sem ser punido por insubordinação.

– Protocolo nacional contra o racismo: Instituição de canais de denúncia sigilosos e fluxos obrigatórios de apuração com transparência e acolhimento qualificado.

– Transparência: Criação de comissões capacitadas para validar a autodeclaração de candidatos negros e garantir a aplicação correta das políticas afirmativas.

– Proteção à família: Proibição de qualquer discriminação contra pais ou responsáveis por pessoas com deficiência ou transtornos do neurodesenvolvimento.

– Isonomia para famílias plurais: Extensão de todos os benefícios e vantagens para parceiros em uniões homoafetivas e famílias plurais.

Calendário de negociações

16/7 – Igualdade de oportunidades, endividamento e monitoramento

21/7 – Saúde e condições de trabalho

30/7 – Cláusulas econômicas

Leia mais: https://bancariosrio.org.br/contraf-cut-comando-nacional-exige-suspensao-das-demissoes-e-do-fechamento-de-agencias/