CAMPANHA NACIONAL UNIFICADA

Contraf-CUT: Comando Nacional exige suspensão das demissões e do fechamento de agências

Bancos demitem em massa mesmo com lucros recordes, indo na contramão do mercado de trabalho do Brasil onde o desemprego segue caindo mês a mês

A presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira e todo o Comando Nacional negociam com a Fenaban. Foto cedida pela Contraf-CUT.

O Comando Nacional dos Bancários – formado por dirigentes da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), federações como a Federa-RJ e sindicatos, como o do Rio de Janeiro – apresentou aos bancos, na segunda rodada de negociações com a Fenaban, nesta terça-feira (7/7), dados oficiais de que o setor está na contramão do mercado de trabalho. Os números mostram que a oferta de emprego tem subido em todo o Brasil e, mesmo assim os bancos seguem demitindo e fechando agências, aumentando o desemprego e prejudicando também os clientes, unicamente para fazer crescer ainda mais os seus lucros bilionários.

Segundo dados oficiais apresentados pelo Comando na mesa de negociação, entre janeiro de 2015 e maio de 2026, os bancos reduziram os postos de trabalho em cerca de 93,3 mil. No último ano, o Santander eliminou 6.196 postos, o Itaú 4.620, Bradesco 3.017 e, o Banco do Brasil, 1.498 postos, totalizando 15.331 pontos. No mesmo período, o setor reduziu em 42% (9,5 mil) a rede de agências.

O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio e integrante do Comando, José Ferreira, fez uma análise da negociação. “A importância do emprego e a necessidade de atendimento ao conjunto da população foi o centro de nosso debate com a Fenaban. Os altíssimos lucros dos bancos que crescem a cada período mostram que mesmo enfrentando alegada concorrência desleal seria possível atender ao pedido de suspensão do fechamento de agências e das demissões nesse período negocial. De nossa parte fica o alerta de que continuaremos a lutar e buscar aliados na sociedade para denunciar e combater essa dupla crueldade com os bancários e com a parcela da população que cada vez expulsa das agências”, afirmou.

Matéria publicada no site da Contraf-CUT informa que após a entrega destas informações o Comando apresentou as seguintes reivindicações, recusadas pela Fenaban: o fim das demissões e do fechamento de agências; estabilidade no emprego para toda a categoria durante o processo negocial, bem como às mulheres vítimas de violência doméstica; e indenização adicional em caso de demissão.

Outras reivindicações foram feitas, com os bancos se comprometendo a avaliar: o retorno das homologações nos sindicatos; reforço e ampliação das cláusulas de qualificação e requalificação de trabalhadores na área de TI; e a criação de um banco de talentos bancários.

5,17 milhões de novos empregos no governo Lula – “Esses dados apontam para uma diferença muito grande do que está acontecendo no setor bancário em relação ao que estamos vivendo no Brasil que, desde o início do governo Lula (2023), gerou 5,17 milhões de empregos formais, batendo recorde nos níveis de carteira assinada, com a baixa histórica das taxas de desocupação, do IBGE”, destacou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT. “Os números de postos fechados demonstram que Santander, Itaú e Bradesco fizeram demissões em massa o que, no entendimento da Justiça, não pode acontecer sem negociação prévia”.

A dirigente registrou ainda que a eliminação de postos de trabalho e de agências ocorre enquanto os bancos seguem batendo recordes de lucro. Só em 2025, os cinco maiores bancos do país registraram lucro líquido de R$ 124 bilhões.

O Comando Nacional apontou também que o aumento de contratos dos bancos com correspondentes bancários foi de 49%, entre 2015 e 2025.

“A grande questão, portanto, é que o trabalho bancário não está sendo eliminado, na verdade está sendo transferido para os correspondentes bancários e outros segmentos do ramo financeiro. Estão fechando as agências para transferir o atendimento presencial para os correspondentes. Esse movimento também abre espaço para as cooperativas de crédito, que estão cada vez mais presentes nas áreas abandonadas pelos bancos”, completou Juvandia Moreira.

Suspensão das demissões durante as negociações negada – Diante desse cenário, o Comando Nacional exigiu, como prova de boa-fé, que os bancos suspendam as demissões e o fechamento de agências, durante as negociações. A Fenaban, porém, negou os pedidos.
“Essa resposta não nos paralisará. O Comando Nacional continuará cobrando e acompanhando, em todo o país, os casos de demissões e de fechamentos de agências, para não permitir que continuem acontecendo”, afirmou Juvandia.

Comando Nacional rebate dados da Fenaban – Na tentativa de rebater os argumentos do movimento sindical, a representação dos bancos alegou, entre todas as instituições financeiras do país, 236 apresentaram ROE (sigla que define o principal medidor de lucros e prejuízos das empresas) negativa. Os bancos estão inseridos no sistema financeiro. Portanto, segundo dados do Banco Central, levantados pela assessoria do Dieese, em 2025, as empresas bancárias registraram ROE média de 14,9%, acima dos 14,7% das cooperativas.

Também a título de comparação, a ROE das Instituições de Pagamento (IPs) no ano passado foi de 22%, influenciada pelo resultado do Nubank. Quando retirado o Nubank, a ROE média caiu para 13,7%, percentual também muito abaixo 14,9% dos bancos.

“O problema das demissões em massa, portanto, não é a falta de capacidade financeira, mas uma escola política e empresarial, e é isso que estamos questionando nesta mesa”, argumentou Juvandia.

Demissões prejudicam mais mulheres – A também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, destacou que do total de postos de trabalho eliminados entre 2020 e maio de 2026, 25,5 mil (79% do total) eram ocupados por mulheres. “Os bancos vão acabar com as mulheres na categoria? De 2024 para 2025, a participação de mulheres na categoria caiu de 49% para menos de 47%. Esses números mostram que uma parte importante dos nossos esforços na mesa de Igualdade de Oportunidades está sendo inviabilizado pelas demissões em massa. Mostram também que os bancos estão concentrando cada vez mais os ganhos de produtividade obtidos com a tecnologia, e não cumprindo com a responsabilidade social de dividir esses ganhos com a população e com os trabalhadores”, resslatou Neiva.

Como sugestão para conter a queda de mulheres no setor, o movimento sindical pediu a estabilidade de emprego às mulheres vítimas de violência doméstica e também o fortalecimento das ações de qualificação e requalificação de mulheres em tecnologia da informação (TI), conquistadas na Campanha Nacional Unificada de 2024.

Prejuízo aos clientes – Em 2025, foram realizadas 7,2 bilhões de transações em agências bancárias físicas, o que corresponde a uma média de 28,6 milhões de transações por dia útil. Esses dados mostram que, apesar das transformações digitais dentro do sistema financeiro, as agências continuam movimentando elevado volume de operações presenciais. A população brasileira ainda precisa de agências e do atendimento humano, em especial os idosos.

Agências são necessárias – O Comando Nacional também cobrou que a Fenaban traga, numa próxima mesa, os valores financeiros movimentados nas agências. Se não precisasse mais do atendimento presencial, os bancos não estariam contratando, em larga escala, correspondentes bancários.

Fim das terceirizações e retorno das homologações nos sindicatos – O Comando Nacional reforçou a reivindicação pelo fim das terceirizações. “Quem faz atividade bancária deve ser reconhecido como bancário, com todos os direitos da categoria”, pontuou a coordenadora do Comando Nacional.

Os representantes dos trabalhadores exigiram o retorno das homologações nas entidades sindicais, como proteção aos trabalhadores. “Vamos insistir em cada um dos pontos desta mesa Os dados são claros: os bancos seguem registrando alta lucratividade, fruto do dia a dia de entrega de cada trabalhador e de cada trabalhadora. É dever dos bancos reconhecer isso garantindo a proteção dos empregos, com todos os direitos até aqui conquistados e ampliação de novos direitos”, frisou Juvandia Moreira.