O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira (5) reduzir a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,25 ponto percentual. Embora represente um alívio, a redução é considerada tímida por economistas desenvolvimentistas. Além disso, o BC sinalizou que novos cortes poderão não ocorrer nas próximas reuniões, dependendo da evolução dos preços do petróleo, da trajetória dos juros nos Estados Unidos e do comportamento da inflação no Brasil.
Aumentam as dívidas
Com a decisão, a Selic passou de 14,25% para 14% ao ano. Mesmo após a redução, o Brasil continua entre os países com as maiores taxas de juros do mundo, ficando atrás apenas da Rússia, que enfrenta sanções econômicas em decorrência da guerra na Ucrânia.
Juros elevados tendem a frear o crescimento econômico ao encarecer o crédito para famílias e empresas, reduzir o consumo e os investimentos produtivos. Também ampliam o custo da dívida pública, comprometendo recursos que poderiam ser destinados a áreas essenciais, como saúde, educação, mobilidade urbana, habitação e saneamento básico, setores que ainda apresentam grande demanda no país.
Atualmente, cerca de 72 milhões de brasileiros adultos estão com o nome negativado em órgãos de proteção ao crédito, como SPC e Serasa, o que representa quase metade da população adulta. Já o percentual de famílias com algum tipo de dívida — incluindo financiamentos, empréstimos e contas pagas em dia — chega a 82%, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Desenrola Brasil
Embora críticos da política monetária defendam uma atuação mais incisiva para reduzir os juros, o governo federal tem participação limitada nas decisões do Banco Central em razão da autonomia da instituição, estabelecida por lei em 2021.
Por outro lado, o programa Desenrola Brasil renegociou bilhões de reais em dívidas e beneficiou milhões de brasileiros com descontos significativos, contribuindo para reduzir os índices de inadimplência.
Em comunicado, o Banco Central informou que os próximos passos da política monetária permanecem em aberto e dependerão da evolução do cenário econômico, tanto no Brasil quanto no exterior.