As financiárias e os financiários de todo o país aprovaram, nesta quinta-feira (6), a minuta de reivindicações da Campanha Nacional 2026 durante o segundo e último dia da 8ª Conferência Nacional da categoria. Realizado na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), em São Paulo, o encontro marcou mais um passo no fortalecimento da organização dos trabalhadores do ramo financeiro.
A pauta reúne as principais reivindicações para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Esta é a primeira campanha realizada integralmente com a nova data-base da categoria, fixada em 1º de outubro — mudança conquistada na campanha salarial de 2024.
Ampla participação
As prioridades foram definidas com base nos resultados da Consulta Nacional aos Financiários 2026, realizada entre os dias 6 e 31 de julho. O levantamento recebeu 601 respostas em todo o país, um crescimento superior a 230% em relação à edição de 2024.
Além da consulta, a minuta incorporou as propostas apresentadas por representantes de federações e sindicatos durante os dois dias de conferência. Os participantes debateram temas como saúde dos trabalhadores, organização do trabalho, perfil da categoria e o cenário econômico do setor.
O diretor executivo da Contraf-CUT e coordenador da Comissão Nacional dos Financiários, Jair Alves dos Santos, destacou a ampla participação da categoria, ressaltando que ela fortalece a legitimidade da pauta que será levada à mesa de negociação. “A pauta aprovada reflete aquilo que os financiários apontaram como prioridade. Entraremos na mesa de negociação com legitimidade e responsabilidade para defender a valorização da categoria, melhores condições de trabalho, proteção à saúde e a ampliação dos direitos”, afirmou.
Prioridades econômicas
Entre as reivindicações econômicas aprovadas estão o aumento real dos salários, reajuste diferenciado para os vales-alimentação (VA) e refeição (VR), ampliação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), valorização do piso salarial e aperfeiçoamento do Plano de Cargos e Salários.
Nas cláusulas sociais, a categoria defende a garantia da estabilidade no emprego, a manutenção dos direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho, a ampliação das políticas de igualdade de oportunidades, melhorias nas condições de trabalho, o fortalecimento da previdência complementar e a adoção de medidas para prevenir o adoecimento e combater todas as formas de assédio no ambiente de trabalho.
Estudos apresentados pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e pela Secretaria de Saúde da Contraf-CUT apontaram que o setor permanece altamente concentrado economicamente e marcado pela intensificação do trabalho. Os dados revelam crescimento do número de financiários, mas também a persistência das desigualdades salariais entre homens e mulheres e o aumento dos afastamentos relacionados à saúde mental, reforçando a necessidade de que o tema ocupe posição central na Campanha Nacional 2026.
Próximos passos
Com a aprovação da Conferência Nacional, a minuta de reivindicações será submetida às assembleias da categoria. Após a aprovação pelos trabalhadores, o documento será entregue à Federação Interestadual das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi), dando início às negociações para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos financiários.
Ao encerrar os trabalhos, os participantes da Conferência reafirmaram o compromisso de manter a mobilização durante toda a Campanha Nacional 2026.
*Matéria com informações do texto do jornalista Rodrigo Zevzikovas, da Contraf-CUT.