A direção da Caixa Econômica Federal voltou a frustrar os empregados e empregadas durante a rodada de reuniões com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), realizada nesta terça-feira (26), em Brasília. A empresa não apresentou respostas efetivas para temas que impactam diretamente a vida dos trabalhadores, como Saúde Caixa, remuneração variável, transformação digital, atendimento remoto e condições de trabalho. O banco limitou-se a prometer estudos, avaliações e imersões técnicas, sem anunciar medidas concretas.
Aumento da pressão
Os dirigentes sindicais relataram o agravamento da sobrecarga e da pressão nos locais de trabalho, situação que vem provocando adoecimento entre os trabalhadores. “Os empregados relatam aumento da pressão, sobrecarga operacional, perdas financeiras e crescimento dos casos de adoecimento, ao mesmo tempo em que precisam atender simultaneamente clientes pelos canais presencial e digital”, afirmou o coordenador da CEE/Caixa, Felipe Pacheco.
“Mostramos ao banco esse cenário em mesa e cobramos respostas concretas, mas a Caixa segue adiando decisões sobre questões que afetam diretamente a saúde, a renda e o futuro dos empregados”, completou.
“Foram inúmeras as mesas em que salientamos o abismo entre o que os representantes da Matriz falam nas negociações e o que acontece, na prática, nas unidades da rede e da área-meio. Esse descasamento ocorre, em grande parte, pelas informações distorcidas que chegam à empresa por meio de pessoas que não se sentem à vontade para dizer o que realmente pensam, por temerem consequências para suas carreiras. Na prática, a rotina é de pressão e adoecimento para o cumprimento de metas”, afirmou o diretor executivo de Administração do Sindicato dos Bancários do Rio e representante da CEE/Caixa, Rogério Campanate, defendendo a mobilização dos bancários para que as negociações avancem.
Transformação digital
A ampliação dos projetos de atendimento remoto e da integração “figital” — que combina atendimento presencial e digital — também preocupa os empregados. A Caixa apresenta o processo como uma “modernização”, mas os sindicatos denunciam que, na verdade, ele tem significado precarização das condições de trabalho, aumento da pressão por resultados e crescimento do adoecimento da categoria.
Gerentes e demais empregados relatam dificuldades para conciliar o atendimento presencial com as demandas digitais, em um ambiente marcado por metas elevadas, insegurança operacional e falta de clareza sobre os indicadores de desempenho. As entidades sindicais cobraram informações sobre os impactos do modelo na saúde mental dos empregados e solicitaram acesso aos dados de afastamentos relacionados ao trabalho.
Críticas ao Super Caixa
O programa Super Caixa também foi alvo de críticas. Os sindicatos afirmam receber reclamações de empregados de todo o país sobre regras consideradas obscuras, mudanças frequentes nos critérios de avaliação e penalizações decorrentes de fatores que fogem ao controle dos trabalhadores. A CEE/Caixa cobrou ainda transparência, apresentação de simulações comparativas entre os modelos de remuneração variável e abertura de negociação efetiva sobre o programa. Segundo os sindicalistas, a situação enfrentada pelos empregados da rede em decorrência do Super Caixa contrasta com o vídeo institucional da Caixa Vida e Previdência que circulou nas redes sociais nesta terça-feira (26). Após uma enxurrada de comentários negativos, a publicação foi excluída do perfil da empresa no Instagram. A representação dos trabalhadores voltou a cobrar mais transparência da Caixa e reiterou a exigência de que qualquer reestruturação seja debatida previamente com as entidades sindicais, conforme previsto no acordo coletivo.
Preocupações com o Saúde Caixa
A representação dos trabalhadores também cobrou a retomada imediata das negociações sobre o Saúde Caixa, tema central da Campanha Nacional dos Bancários 2026. As entidades reforçaram a defesa do plano de saúde e a necessidade de derrubada do teto de custeio imposto pela própria Caixa em seu estatuto. Segundo os sindicatos, o mecanismo aumenta a participação financeira dos empregados e gera insegurança sobre a sustentabilidade do plano. Outro ponto criticado é a ausência de participação da Caixa no custeio do plano de saúde dos empregados admitidos a partir de setembro de 2018, situação que afeta cerca de 15 mil trabalhadores.
Projeto Gênesis
Outro tema debatido foi o Projeto Gênesis. Durante a reunião, a Caixa assumiu o compromisso de “não promover ranqueamentos das unidades participantes do projeto”, reivindicação apresentada pela representação dos trabalhadores, que teme o aumento da competição interna e da pressão sobre as equipes.
As entidades cobraram transparência nos critérios utilizados para definir as ondas de migração, participação efetiva dos trabalhadores nos projetos-piloto e escuta das equipes diretamente impactadas pelas mudanças. “Quem vive a realidade das agências precisa ser ouvido antes da implementação de qualquer transformação. Não é possível construir soluções ignorando quem está na linha de frente”, afirmou Rogério Campanate durante a reunião.