MESA DE NEGOCIAÇÃO

Sindicatos querem valorização dos funcionários e mais concursos públicos no Banco do Brasil

CEBB entrega manifesto em defesa do banco como instituição pública voltada ao desenvolvimento do país, cobra a manutenção das agências, melhoria do atendimento à população e mais respeito e valorização dos funcionários

Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) e representantes do banco na primeira rodada de negociação específica Fotos: Contraf-CUT

A primeira rodada de negociação específica entre a Comissão de Empresa das Funcionárias e dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) e a direção da empresa foi realizada nesta quarta-feira (8), em São Paulo. A principal pauta do encontro foi a defesa do emprego e do papel público do banco.

“O BB precisa ter foco no funcionário, no cliente e no fortalecimento de sua responsabilidade como banco público. O papel do banco público não é ser apenas uma instituição voltada ao mercado e ao lucro, mas estar presente em todas as regiões e cidades do interior, estimular o desenvolvimento por meio da ampliação do acesso ao crédito, fortalecer a produção e reduzir as desigualdades”, resumiu a coordenadora da CEBB, Fernanda Lopes, em entrevista ao site da Contraf-CUT.

O movimento sindical criticou a adoção de práticas típicas dos bancos privados pelo BB. Segundo os representantes dos trabalhadores, muitas agências foram transformadas em unidades de negócios, com equipes reduzidas e ampliação do uso de correspondentes bancários para executar serviços típicos da categoria.

“Entregamos à direção do BB um manifesto cobrando o resgate da postura de banco público, comprometido com o desenvolvimento do país e com o atendimento à população. Também tratamos de questões específicas, como as metas abusivas, que continuam sendo computadas até durante as férias dos trabalhadores. Criticamos ainda a utilização de correspondentes bancários em atividades tipicamente bancárias e cobramos o fim do fechamento de agências e a realização de novos concursos públicos, já que a falta de funcionários prejudica o atendimento à população e sobrecarrega os bancários”, afirmou o diretor executivo de Bancos Públicos do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, membro da CEBB e representante da base da Federa-RJ na mesa de negociação, Alexandre Batista.

Mais concursos públicos

Os representantes dos trabalhadores reafirmaram a reivindicação pela realização de novos concursos públicos para garantir atendimento presencial de qualidade e evitar a sobrecarga de trabalho e o adoecimento da categoria.

Segundo a CEBB, a falta de funcionários tem provocado longas filas e demora no atendimento nas agências em todo o país, o que reforça a necessidade de ampliar o quadro de pessoal.

Funcionários de bancos incorporados

Outra reivindicação é garantir aos empregados oriundos de bancos incorporados pelo Banco do Brasil — como Banco Nossa Caixa (BNC), Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e Banco do Estado do Piauí (BEP) — os mesmos direitos relativos à Previ e à Cassi assegurados aos demais funcionários do BB.

Segurança bancária

Os dirigentes sindicais também criticaram a redução das medidas de segurança nas agências transformadas em “lojas”, com a retirada de portas giratórias e de vigilantes.

O movimento sindical ressaltou ainda que a presença de vigilantes contribui para reduzir episódios de violência e agressões de clientes estressados contra funcionários.

Escala 4×3

Os representantes dos trabalhadores defenderam a manutenção da jornada de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5×2) para todos os funcionários e afirmaram que há espaço para a implantação da jornada 4×3 — quatro dias de trabalho e três de descanso —, preservando a jornada diária de seis horas e sem redução salarial. Experiências adotadas em países europeus demonstram que a medida pode aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.

Incorporação das comissões

Os sindicatos também reivindicaram a incorporação gradual das gratificações de função à remuneração dos empregados. A proposta prevê que, caso o trabalhador deixe de exercer o cargo comissionado, mantenha parte da gratificação, incorporando 10% do valor a cada ano de exercício da função, até atingir 100%. “Esse, aliás, é um critério de estabilidade financeira muito comum em disputas trabalhistas”, destacou Fernanda Lopes.

Acúmulo e desvio de funções

O acúmulo de funções também foi apontado como um dos principais problemas nas unidades. Segundo os representantes dos trabalhadores, gerentes de serviços vêm acumulando atribuições administrativas e negociais, enquanto escriturários são obrigados a abrir e fechar caixas, sem receber a remuneração correspondente à função de caixa.

A direção do banco informou que irá apurar os casos apresentados durante a negociação.

Para o movimento sindical, a origem do problema está na falta de funcionários, que também dificulta a ascensão profissional dos trabalhadores, impedidos de assumir funções em outras unidades por causa da deficiência de pessoal.

Demandas das PCDs

O movimento sindical reivindicou a retirada do limite de idade para o abono de faltas destinado aos funcionários que acompanham filhos com deficiência em terapias, consultas médicas e outros atendimentos especializados. Atualmente, o Acordo Coletivo de Trabalho garante esse direito apenas aos empregados com filhos PCDs de até 14 anos.

A pauta também inclui a reivindicação de jornada reduzida para funcionários que tenham como dependentes pessoas com deficiência, especialmente deficiência intelectual, conforme previsto no artigo 98 da Lei nº 8.112/1990.

Reembolso

A CEBB também reivindica que o Banco do Brasil passe a reembolsar integralmente as anuidades pagas pelos funcionários aos conselhos profissionais, como OAB, CREA, CRM e CRP.

Confira abaixo, na íntegra, o manifesto entregue pela CEBB à representação do Banco do Brasil.

*Texto com informações reproduzidas da matéria da jornalista Lilian Milena, no site da Contraf-CUT 

Fernanda Lopes, coordenadora da CEBB entrega o manifesto da representação do funcionalismo para a direção do Banco do Brasil: foco no papel social do banco público e na valorização dos bancários

Próximas negociações

17/07 – Igualdade de oportunidades, endividamento e monitoramento

23/07 – Saúde e condições de trabalho

31/07 – Remuneração e cláusulas econômicas

 

Manifesto em defesa do BB público

Em defesa do Banco do Brasil, de suas funcionárias e funcionários e do desenvolvimento do Brasil
O Banco do Brasil não é apenas uma instituição financeira. É parte da história do Brasil.

Há mais de duzentos anos, o Banco do Brasil acompanha o crescimento do país, atravessa crises, participa das grandes transformações nacionais e ajuda a construir oportunidades onde o mercado, sozinho, jamais chegou. Sua existência se confunde com a própria construção do Estado brasileiro.

É justamente por conhecer essa história que afirmamos: o Banco do Brasil precisa retomar, com ainda mais força, o protagonismo de sua função pública e social.

O Brasil precisa de um Banco do Brasil que seja muito mais do que um banco lucrativo. Precisa de um banco que seja instrumento da política econômica nacional, capaz de estimular o desenvolvimento, ampliar o acesso ao crédito, fortalecer a produção, reduzir desigualdades e impulsionar a geração de emprego e renda.

Ao longo de sua história, o Banco do Brasil sempre cumpriu esse papel.

Foi parceiro do agricultor, do comerciante, da indústria, do pequeno empreendedor e dos municípios brasileiros. Foi o banco que levou desenvolvimento para onde nenhum outro quis chegar.

E continua sendo.

Quando se fala em agronegócio, é impossível ignorar a importância do Banco do Brasil. Se o agro costuma dizer que carrega o PIB nas costas, é justo lembrar que, há décadas, é o Banco do Brasil quem carrega o agro no colo, financiando safras, investimentos e garantindo crédito em todas as regiões do país.

 

Mas a missão do Banco do Brasil vai muito além disso.

Queremos um banco que continue apoiando o agronegócio, mas que volte a colocar a agricultura familiar no centro de sua atuação. São milhões de pequenos produtores responsáveis por grande parte dos alimentos que chegam diariamente à mesa dos brasileiros. Apoiar a agricultura familiar significa fortalecer a segurança alimentar, promover desenvolvimento regional e manter vivas milhares de pequenas comunidades espalhadas pelo país.

Queremos também um Banco do Brasil que amplie sua atuação junto aos micros, pequenos e médios empreendedores, oferecendo crédito acessível para quem produz, gera empregos e movimenta a economia real.

Queremos um Banco do Brasil capaz de impulsionar novamente a indústria nacional, oferecendo condições de financiamento tão competitivas quanto aquelas disponibilizadas ao setor agropecuário. O fortalecimento da indústria significa mais inovação, maior agregação de valor, empregos qualificados e desenvolvimento sustentável para o país.

É exatamente essa capacidade de utilizar o crédito como instrumento de desenvolvimento que diferencia um banco público de uma instituição preocupada exclusivamente com o lucro de curto prazo.

Da mesma forma, queremos um Banco do Brasil presente onde a população precisa dele.

Um banco que continue chegando às pequenas cidades, aos distritos, às comunidades rurais e às regiões mais distantes do país. Um banco que compreenda que sua capilaridade não representa um custo, mas uma das maiores riquezas construídas ao longo de mais de dois séculos de história.

Em centenas de municípios brasileiros, a agência do Banco do Brasil continua sendo muito mais do que um ponto de atendimento. É onde aposentados recebem seus benefícios, agricultores contratam crédito, pequenos empresários investem em seus negócios, servidores recebem seus salários e famílias inteiras têm acesso ao sistema financeiro.

Nenhuma inovação tecnológica pode substituir completamente essa presença onde ela continua sendo indispensável.

Mas existe um patrimônio ainda mais importante do que toda essa estrutura.

São as pessoas.

Nenhum resultado histórico, nenhum lucro bilionário e nenhuma transformação tecnológica teriam sido possíveis sem o compromisso, a dedicação e a competência das funcionárias e dos funcionários do Banco do Brasil.

Se o Banco do Brasil chega aos seus duzentos anos como uma das instituições mais respeitadas do país, isso não aconteceu por acaso.

Aconteceu porque, durante grande parte de sua história, o Banco do Brasil também foi referência na forma de tratar seus trabalhadores.

Queremos recuperar esse compromisso.

Queremos um Banco do Brasil que respeite seus funcionários, que valorize sua experiência, que reconheça seu trabalho e compreenda que cuidar das pessoas não é despesa: é investimento.

Queremos condições dignas de trabalho.

Queremos a recomposição do quadro de pessoal.

Queremos o fortalecimento da rede de atendimento.

Queremos o combate efetivo ao assédio moral e a todas as formas de violência no ambiente de trabalho.

Queremos salários compatíveis com a importância da categoria.

Queremos gestão responsável da saúde física e mental das trabalhadoras e trabalhadores.

Queremos uma CASSI fortalecida e políticas permanentes de promoção da saúde para as famílias que fazem o Banco do Brasil acontecer todos os dias.

Modernizar o banco é necessário.

Mas modernizar jamais poderá significar enfraquecer sua função pública, reduzir direitos, fechar agências indiscriminadamente, sobrecarregar equipes ou transformar seus trabalhadores em meros indicadores de desempenho.

O Banco do Brasil que queremos é moderno, eficiente e inovador.

Mas é, acima de tudo, público.

É um banco comprometido com o desenvolvimento nacional, com o fortalecimento da economia, com a inclusão financeira e com a redução das desigualdades.

É o Banco do Brasil que o povo brasileiro aprendeu a respeitar ao longo de mais de duzentos anos.

Nesta mesa de negociação reafirmamos uma convicção simples.

Defender os funcionários é defender o Banco do Brasil.

Defender o papel público do Banco do Brasil é defender o desenvolvimento do Brasil.

Porque o Banco do Brasil que queremos para os próximos duzentos anos é o mesmo que fez sua história: um banco público, presente, forte, humano, comprometido com o país e que trate suas trabalhadoras e trabalhadores com o respeito, a dignidade e o reconhecimento que sempre mereceram.
Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB)

Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT)