Na primeira rodada de negociação deste ano, para a renovação do acordo coletivo de trabalho específico, nesta quarta-feira (8/7), a Caixa Econômica Federal apresentou números oficiais, fazendo uma comparação entre a situação financeira de outros planos de autogestão com o Saúde Caixa. O curioso é que os dados confirmaram que os empregados do banco têm razão quando reivindicam para solucionar o problema financeiro do plano o restabelecimento da relação 70×30, ou seja, 70 para o empregador e 30 de participação dos empregados.
“Pelos dados apresentados pela Caixa, todos os planos de autogestão estão com resultado deficitário, exceto um: o da Petrobrás, que conseguiu restabelecer a relação 70×30 no custeio, ou seja, os trabalhadores da Caixa estão no caminho certo em suas reivindicações”, afirmou Rogério Campanate, diretor do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e também representante da Federa-RJ na Comissão Executiva dos Empregados (CEE), órgão que negocia com o banco.
Acrescentou que um avanço importante, que vem sendo construído já desde negociações passadas, é o compartilhamento das redes de atendimento do Saúde Caixa e da Cassi. “Daí veio a melhor notícia dessa mesa: esse compartilhamento já está em fase final e, brevemente, será assinado para iniciar a implementação em ondas, priorizando sempre o interior dos estados, onde a rede disponível é insuficiente para o atendimento”, disse o dirigente.
Ainda sobre o Saúde Caixa, a CEE cobrou o respeito aos princípios defendidos pelos empregados, como o pacto intergeracional, o mutualismo e a solidariedade, tendo o banco concordado.
Em relação às mulheres, a CEE constatou que há uma percepção óbvia de que existe uma dificuldade de ascensão de mulheres a cargos executivos, a partir dos 40 anos. Mas as informações trazidas para a mesa de negociação pelo banco foram insuficientes para aprofundar este debate.
Sobre as Pessoas com Deficiência (PcD), a Caixa anunciou estar promovendo melhorias de alguns processos que resolvam problemas de adaptação de equipamentos para o segmento. “Hoje a pessoa tem que entrar em contato com a Logística, por exemplo, para ter uma cadeira especial, ou meios para conseguir ler (deficientes visuais). O banco anunciou que está estudando processos que quando uma pessoa for identificada como PcD, automaticamente o banco vai providenciar o que for necessário”, disse o dirigente.
Outro tema da negociação foi diversidade, em que não houve qualquer avanço. “A Caixa trouxe algumas informações mais focadas nos eixos LGBT, PcD e equidade de gênero, com alguns avanços que consideramos muito tímidos. Cobramos mais informações para aprofundarmos o debate, especialmente nos temas ‘combate ao racismo’ e ‘geracional’. Com relação a estes dois, o banco trouxe quase nenhum dado, e o debate não pode ser feito”, afirmou Campanate.
A Caixa acertou com a CEE as próximas mesas de negociação de julho, com os temas ainda a serem definidos: dias 17, 23 e 31. “O calendário de agosto ainda não foi agendado. Parte das mesas será para a negociação do Saúde Caixa, o tema que os empregados aprovaram como o mais relevante nesta campanha”. explicou Campanate.