FIQUE ATENTO

Sindicatos orientam empregados da Caixa a não responderem à consulta sobre migração de função antes da negociação

Caixas e tesoureiros receberam “levantamento” com prazo para manifestação. Representação dos trabalhadores cobrará explicações do banco na mesa de negociação desta sexta-feira (14)

Os sindicatos de todo o país e a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa orientam as empregadas e os empregados que receberam consultas sobre o interesse em migrar de função para atuar como assistentes nas plataformas digitais do banco a não preencher formulários, assinar documentos ou manifestar qualquer tipo de interesse antes da mesa de negociação com a Caixa, nesta sexta-feira (14).

A orientação é que os empregados não cedam à pressão da direção do banco e aguardem os esclarecimentos que serão cobrados pela representação dos trabalhadores na negociação.

Prazo é ampliado

A Caixa havia estabelecido inicialmente o prazo até esta quinta-feira (13) para que caixas e tesoureiros manifestassem interesse. Após pressão da CEE/Caixa, o banco ampliou o prazo para 20 de agosto.

Para a CEE/Caixa e o movimento sindical, uma decisão dessa importância não pode ser tomada às pressas, sem que o banco esclareça quais são os objetivos do levantamento, as regras do processo e suas possíveis consequências para carreira, função e remuneração.

“As trabalhadoras e os trabalhadores nos procuram para pedir orientações e não temos como orientar e ter uma posição neste momento porque, embora a empresa venha se sentando conosco à mesa há cinco semanas, simplesmente implementou um processo que impõe uma escolha cujas consequências ninguém é capaz de avaliar por falta de informação. Vamos cobrar explicações na mesa desta sexta-feira (14)”, afirmou o diretor executivo de Administração do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e membro da CEE-Caixa, Rogério Campanate.

O dirigente criticou ainda a decisão do banco de implementar o processo sem dialogar previamente com a representação dos empregados.

Não assine nada agora

A coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen, reforça a orientação para que os bancários não assinem documentos nem manifestem interesse antes da negociação.

“Nossa orientação, neste momento, é para que os colegas não manifestem interesse e aguardem a negociação de sexta-feira. A Caixa está pedindo que trabalhadores tomem às pressas uma decisão que pode ter consequências para sua vida funcional sem que tenha apresentado à representação dos empregados informações suficientes para avaliarmos o processo e orientarmos a categoria com segurança”, afirmou.

“Por isso, mais do que a prorrogação do prazo, queremos que todo esse processo seja suspenso até que todas as informações solicitadas nos sejam passadas e a gente possa construir uma forma que não seja prejudicial para as empregadas e os empregados”, completou Luiza.

Informações que chegaram às entidades sindicais mostram que caixas e tesoureiros estão sendo consultados sobre o interesse em participar de processos seletivos para atuação em plataformas de atendimento digital. Os materiais fazem referência à migração para a função de Assistente de Varejo para os empregados eventualmente selecionados.

Para a representação dos trabalhadores, porém, a falta de informações por parte do banco impede que os empregados tomem qualquer decisão de forma segura.

PFG e PCS sem propostas

A CEE/Caixa também critica a forma como a consulta foi realizada. A iniciativa causa ainda mais preocupação porque ocorre justamente quando o Plano de Funções Gratificadas (PFG), o Plano de Cargos e Salários (PCS) e a situação de caixas e tesoureiros estão entre os temas em negociação na Campanha Nacional dos Bancários 2026.

Apesar das cobranças feitas pelos sindicatos nas rodadas de negociação, a Caixa ainda não apresentou uma proposta concreta sobre esses temas e não avançou em itens da pauta específica dos empregados.

Critérios transparentes

Os bancários reivindicam critérios objetivos e transparentes para os Processos Seletivos Internos (PSIs) e respostas para as demandas relacionadas à carreira. Apesar das cobranças, a Caixa ainda não apresentou uma devolutiva efetiva sobre esses temas.

A minuta específica da Campanha Nacional dos Bancários 2026 reivindica expressamente que a transição das funções de caixa e tesoureiro seja debatida com as entidades sindicais, com garantia de manutenção da remuneração, da gratificação de função e das demais parcelas vinculadas às funções.

A pauta também estabelece que os empregados que desejarem permanecer como caixas ou tesoureiros tenham essa possibilidade assegurada e que eventual migração seja facultativa para funções de mesmo nível salarial ou superior.

A pauta reivindica ainda a criação de um grupo de trabalho para discutir a revisão dos atuais PFG e PCS, com ampla participação das entidades sindicais e dos empregados e critérios que garantam valorização profissional, transparência, previsibilidade e reais perspectivas de encarreiramento.

Faltam esclarecimentos 

Entre as questões que precisam ser esclarecidas pela Caixa estão as garantias de permanência na nova função, os impactos sobre remuneração e carreira, as condições para eventual retorno, as atribuições, metas e condições de trabalho, além dos objetivos do próprio levantamento realizado pelo banco.

Desrespeito recorrente

A CEE/Caixa observa que a adoção de medidas sem discussão prévia com a representação dos trabalhadores tem sido recorrente. Durante a Campanha Nacional dos Bancários 2026, a entidade já cobrou negociação sobre mudanças relacionadas ao Super Caixa, à remuneração variável, à Promoção por Mérito, à carreira e a outros temas que afetam diretamente a vida funcional e a renda dos empregados.

Para Luiza Hansen, a postura contradiz o discurso do banco de valorização da mesa de negociação.

“Não é possível dizer que se valoriza a negociação coletiva e, ao mesmo tempo, colocar mudanças em andamento enquanto os mesmos assuntos estão sendo debatidos na mesa. A mesa precisa servir para negociar de verdade, com informação, transparência e respeito à representação dos empregados. Não pode ser apenas um espaço em que apresentamos reivindicações enquanto decisões são tomadas unilateralmente fora dela”, afirmou.

A representação dos empregados critica a postura da Caixa tanto nas mesas específicas quanto na mesa única da Fenaban, destacando que, até o momento, os bancos não apresentaram propostas concretas que atendam às reivindicações da categoria.