Mais uma vez a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) saiu de uma rodada de negociações sem que a Caixa Econômica Federal tivesse apresentado respostas concretas à minuta de reivindicações apresentada. Nesta quinta-feira (23), na terceira rodada de negociação, se repetiu a enrolação que tem sido a marca do banco nesta campanha para a renovação e aperfeiçoamento do acordo específico.
Por este motivo, e para exigir avanços nas negociações, as entidades sindicais representadas na CEE – Contraf-CUT, federações e sindicatos de todo o Brasil – estão convocando para a próxima segunda-feira (27/7), um Dia Nacional de Luta, com mobilizações nas principais cidades do país em defesa do Saúde Caixa e por melhores condições de trabalho.
Pressão – “Agora é pressão total para conseguirmos conquistar nossas reivindicações. Todos devem se inteirar sobre o Dia Nacional de Luta pelo Saúde Caixa, na próxima segunda, dia 27, e chamar os colegas da unidade para participar. Nossa força está na coletividade: quanto mais trabalhadores aderirem, mas fortaleceremos as nossas pautas”, enfatizou Rogério Campanate, diretor do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e representante da Federa-RJ na CEE.
O Dia Nacional de Luta acontece dias antes da próxima reunião de negociação com a Caixa que será realizada no dia 31 de julho, em São Paulo. Por isto, a avaliação da CEE é que a pressão do Dia Nacional de Luta pode ser decisiva.
Em defesa da mesa única – A coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen, ressaltou a importância da mesa única de negociações e da presença da Caixa na mesa da Fenaban com os demais bancos e lembrou que a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) garante uma base comum de direitos para toda a categoria. Também reforçou que as mudanças na organização do trabalho, nas funções e nos sistemas de avaliação e remuneração não podem continuar sendo feitas de forma unilateral pelo banco.
“Os atuais PFG e PCS não respondem mais à realidade da Caixa. O banco precisa construir, com a representação dos empregados, novos planos que valorizem a trajetória profissional, deem previsibilidade e acabem com os remendos que geram insegurança, sobrecarga e adoecimento”, afirmou Luiza, lembrando da necessidade de incluir os técnicos bancários que ainda estão no PCS de 1998.
A Caixa informou que há estudos em andamento sobre PFG, PCS e PSI e se comprometeu a buscar informações para apresentar à mesa. Para a CEE/Caixa, no entanto, é fundamental que esses estudos sejam compartilhados com as entidades sindicais, para serem debatidos antes de qualquer implementação.
Mais do mesmo – A terceira rodada girou, basicamente, em torno de condições de trabalho. O debate priorizou a necessidade de atualização da estrutura de carreira da Caixa, com novo Plano de Funções Gratificadas (PFG), novo Plano de Cargos e Salários (PCS) e regras objetivas, transparentes e democráticas para os Processos Seletivos Internos (PSIs).
Logo no início da reunião, a Caixa trouxe alguns retornos de mesas passadas, basicamente em relação a duas cláusulas propostas, uma que trata de equidade de gênero e a outra da manutenção das comissões de diversidade. “Entendemos que os textos das cláusulas ainda têm muitas fragilidades de modo que vamos construir um texto melhor”, avaliou Campanate.
“No Plano de Funções Gratificadas, o PFG, e no plano de cargos e salários (PCS) alertamos a Caixa sobre a necessidade de atualizá-los, pois são de 2010 – dez anos antes da pandemia e 20 de existência – e que não estão mais suprindo as necessidades da própria empresa em razão das muitas mudanças no mundo do trabalho”, acrescentou o dirigente, argumentando que esta situação acaba, entre outras, gerando desvios de função.
PSI precisa de critérios objetivos – A CEE cobrou, ainda, a necessidade de estabelecer critérios mais objetivos nos Processos Seletivos Internos (PSI), e mais transparência de modo a assegurar igualdade de oportunidades a todos os participantes. A CEE criticou, ainda, o atendimento simultâneo presencial e digital, por meio do modelo “figital” e da ferramenta Genesys.
“Abordamos ainda a questão do ‘figital’, do projeto Genesys, e o absurdo que é colocar um trabalhador para atender pessoas presencialmente e mais outras de forma virtual”, disse Campanate. Os sindicalistas protestaram lembrando que este programa desumano vai contra ao que estabelece a Norma Regulamentar (NR) 01, que que trata dos riscos psicossociais e que as empresas precisam se enquadrar a partir de agora. A CEE fez duras críticas ao modelo de atendimento, e cobrou que não haja punição no programa de desempenho da unidade (Alcance.Caixa).
Genesys adoece empregados e prejudica a população – Para a representação dos empregados, o modelo amplia a pressão, prejudica o atendimento à população, interfere nos indicadores de desempenho e contribui para o adoecimento. A CEE cobrou que a Caixa apresente estudos sobre os impactos do Genesys e do atendimento presencial simultâneo, inclusive à luz da NR-1, com informações sobre o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), inventário de riscos, medidas de prevenção e acompanhamento pelas CIPAs.
A CEE cobrou, ainda, o fim das metas absurdas e do assédio moral, lembrando que, juntamente com as regras atuais do PFG, do PCS, do PSI e do ‘figidal’ compõem uma situação que faz com que o bancário esteja adoecendo, mais especialmente de saúde mental.
A representação dos empregados também voltou a cobrar a inclusão de cláusula específica sobre teletrabalho no ACT da Caixa e defendeu que o banco estabeleça regras claras, universais e negociadas para a modalidade.
Saúde Caixa: sem avanço – No debate sobre o Saúde Caixa, a Caixa apresentou novos dados sobre adesões, cancelamentos, perfil da base e composição dos beneficiários. Entre 2023 e fevereiro de 2026, o banco apontou 20.056 adesões, 35.446 cancelamentos e saldo líquido negativo de 15.390 vidas no plano.
A apresentação também trouxe informações sobre empregados contratados após 2018. Dos 13.929 empregados nessa condição, 12.324 estão no Saúde Caixa, o que representa 88,5% da base. Outros 916 nunca aderiram e 689 cancelaram o plano. A CEE reforçou que negar a esses empregados o direito de levar o Saúde Caixa para a aposentadoria, com participação da Caixa no custeio, quebra o pacto intergeracional que sustenta o plano.
Fim do teto e retorno do 70×30 – O ponto de maior destaque, porém, foi o reconhecimento, pela Caixa, de que o fim do teto de gastos do banco com a saúde do seu quadro de pessoal permite a retomada do modelo de custeio 70/30, no qual 70% dos custos são arcados pela Caixa e 30% pelos empregados, garantindo sustentabilidade ao Saúde Caixa por pelo menos dois anos.
Luiza Hansen ressaltou que a afirmação é importante, mas não significa que o banco tenha assumido compromisso de retirar o teto de seu estatuto. “A retomada do modelo 70/30, que garante o equilíbrio do Saúde Caixa, só é possível com a retirada do teto. A própria Caixa reconheceu isso na mesa, mas não significa que o banco tenha dito que vai retirar o teto. Por isso, a mobilização dos empregados é decisiva para termos esse direito garantido”, afirmou a coordenadora da CEE/Caixa.