A representação dos funcionários do Banco do Brasil na mesa de negociação com a direção da empresa, realizada nesta quarta-feira (27), em Brasília, reafirmou a posição dos sindicatos em defesa de uma proposta justa para o custeio da Cassi, maior operadora de planos de saúde na modalidade de autogestão do país, desde que seja sem aumento da sobrecarga financeira para os usuários.
O Banco do Brasil apresentou uma proposta com mudanças no modelo de custeio, dentro da linha defendida pelas entidades sindicais, prevendo a adoção de um sistema híbrido. No entanto, o banco mantém o percentual de contribuição dos associados sobre a folha de pagamento e cria uma nova fonte de financiamento para a Cassi, utilizando como referência a tabela de custos assistenciais já existente na Caixa de Assistência, com participação da patrocinadora e contribuição adicional dos associados.
Solução adequada
Na avaliação do movimento sindical, a proposta ainda não apresenta uma solução adequada para os funcionários admitidos após 2018, para os egressos dos bancos incorporados e fragiliza ainda mais a situação dos associados autopatrocinados. “Neste reinício das negociações, o banco sinalizou que irá trabalhar com celeridade para que as propostas sejam apresentadas aos associados em breve. No entanto, para que haja serenidade na análise de um tema tão complexo, é fundamental que o BB atenda à reivindicação de um aporte imediato, retirando o peso da urgência das tomadas de decisão”, avalia o diretor executivo de Bancos Públicos do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e membro da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), Alexandre Batista.
O dirigente sindical afirmou ainda que é preciso “esmiuçar essa proposta que, a princípio, não resolve o custeio de forma satisfatória, mas onera ainda mais os associados e aprofunda as diferenças”. “Esse foi apenas o início. Precisamos avaliar outros modelos para buscar uma solução mais duradoura. Esperamos que já na reunião desta sexta-feira (29) tenhamos um posicionamento do banco sobre o aporte, para prosseguirmos nos estudos desse embrião de proposta que será debatido na próxima quarta-feira (3/6)”, acrescentou Alexandre.
Aporte financeiro
As partes envolvidas na negociação foram unânimes ao reconhecer que a Cassi necessita de medidas imediatas para fortalecer o caixa e recompor suas reservas garantidoras, que atingiram o patamar mínimo neste mês de maio de 2026.
A coordenadora da CEBB, Fernanda Lopes, criticou a postura do banco e cobrou maior comprometimento da patrocinadora com a sustentabilidade da Cassi. “Não é possível que, mais uma vez, o Banco do Brasil tente transferir aos associados o maior peso da solução, enquanto mantém uma participação aquém da responsabilidade que possui como patrocinador. A Cassi é patrimônio dos funcionários do banco e exige uma resposta à altura da gravidade do momento. O banco precisa assumir seu papel de forma efetiva e apresentar uma proposta que garanta sustentabilidade sem penalizar ainda mais os trabalhadores”, afirmou.
Fernanda reforçou ainda que uma solução que não contemple os funcionários admitidos após 2018 e os egressos de bancos incorporados não terá respaldo do movimento sindical. “Não é defensável para o movimento sindical qualquer proposta que deixe de fora os colegas pós-2018 e os funcionários oriundos dos bancos incorporados. Não aceitaremos uma solução que aprofunde desigualdades dentro da própria Cassi”, completou Fernanda.
A Comissão de Representantes das Entidades também antecipou ao Banco do Brasil a necessidade de análise de um aporte extraordinário e imediato para recompor os déficits acumulados até o momento no Plano de Associados, mantendo o compromisso de discutir eventual participação financeira adicional dos associados. Reforçaram, contudo, que qualquer decisão nesse sentido deverá ser submetida à aprovação do Corpo Social da Cassi.
Segundo a representação sindical, a proposta apresentada pela patrocinadora sinaliza um caminho que pode contribuir para maior perenidade do custeio da Cassi. No entanto, ainda impõe peso excessivo aos associados e não assegura o aumento percentual esperado na participação financeira do Banco do Brasil.