O Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro realizou, nesta segunda-feira (28), um protesto em frente à agência do Banco do Brasil da Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema. A manifestação integrou o Dia Nacional de Luta da categoria que no Rio de Janeiro, ocorreu em um dos bairros mais nobres e famosos da Zona Sul.
A escolha da unidade não foi por acaso. A agência 3441 deixa de abrir ao público de forma regular por falta de funcionários, situação que, segundo o Sindicato, representa um desrespeito aos clientes e usuários, especialmente por se tratar de um banco público. Na porta da agência, um aviso informa que o atendimento não está sendo realizado por “problemas operacionais” e orienta os clientes a procurarem a Agência Estilo, localizada na Rua Aníbal de Mendonça, nº 114.
“Esta é mais uma agência do Banco do Brasil que enfrenta esse problema e não consegue abrir pontualmente por falta de funcionários. O banco trabalha com um contingente mínimo de empregados e, além do desrespeito à população, acaba sobrecarregando os bancários que permanecem no atendimento”, criticou o diretor executivo de Bancos Públicos do Sindicato, Alexandre Batista, representante da base da Federa-RJ na Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB).
“Temos denunciado constantemente, nas mesas de negociação, o adoecimento da categoria provocado pela sobrecarga de trabalho, pela pressão e pelo assédio moral decorrentes das metas. A situação se agrava ainda mais com a falta de funcionários. Há agências funcionando com apenas duas ou três pessoas”, acrescentou Alexandre.
Apoio dos funcionários e clientes
Os dirigentes sindicais avaliaram a manifestação como positiva, destacando a adesão dos funcionários e o apoio recebido da população. Uma cliente chegou a ironizar a situação ao afirmar que o banco “está economizando funcionários porque tem pouco dinheiro”.
A ironia faz sentido. O setor financeiro continua entre os mais lucrativos do país e o Banco do Brasil registrou prejuízo em 2025 apenas em razão do elevado volume de inadimplência de operações de crédito ligadas ao agronegócio. O PIB do setor agropecuário alcançou R$ 3,20 trilhões, passando a representar 25,13% da economia brasileira.
Metas continuam inalteradas
Uma das principais reivindicações da Campanha Nacional dos Bancários 2026 é o fim das metas abusivas, apontadas pelo movimento sindical como uma das principais causas do adoecimento da categoria. No entanto, segundo os dirigentes, mesmo nas agências que funcionam com quadro reduzido ou permanecem fechadas parte do expediente, a cobrança pelo cumprimento das metas continua a mesma. “Os poucos funcionários que permanecem nas unidades estão sufocados. É importante destacar que a cobrança de metas segue inalterada, mesmo quando as agências deixam de abrir para clientes e usuários”, denunciou o diretor executivo do Ramo Financeiro do Sindicato, Júlio de Castro.
Sem previsão de concurso público
A falta de funcionários se agrava porque, nas poucas equipes que permanecem nas agências, basta que um empregado se afaste por adoecimento ou entre em férias — um direito garantido ao trabalhador — para que a unidade fique sem pessoal suficiente até mesmo para abrir as portas. Segundo os dirigentes sindicais, essa realidade tem se espalhado pelas agências do Banco do Brasil.
Alexandre Batista lembra que a CEBB tem cobrado, nas mesas de negociação, a realização de novos concursos públicos para reforçar o quadro de pessoal. Embora, neste momento, o banco não possa realizar novas seleções em razão do calendário eleitoral, o movimento sindical afirma que a direção da empresa tem sinalizado que “não pretende abrir novos concursos tão cedo”, o que tende a agravar ainda mais a situação nas agências.

