AGORA É MOBILIZAÇÃO

Finalmente, bancários do Bradesco conseguem entregar pauta de reivindicações ao Bradesco

COE entrega minuta específica e cobra defesa do emprego, fim do fechamento de agências e medidas contra o adoecimento de bancários

Membros da COE entregam a pauta de reivindicações à direção do Bradesco. em São Paulo Foto: Contraf-CUT

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco entregou, nesta terça-feira (28), em São Paulo, a pauta específica de reivindicações da Campanha Nacional dos Bancários 2026 à direção do banco. A demora para a entrega da minuta já estava virando uma novela, e o banco foi o último a confirmar a solenidade de entrega do documento de seus empregados, que reúne demandas construídas coletivamente pelas federações e entidades sindicais de todo o país e servirá de base para as negociações específicas após a conclusão da campanha nacional unificada.

Renovação da CCT

Durante a entrega da pauta, a coordenadora da COE do Bradesco, Erica de Oliveira, ressaltou que a principal prioridade dos representantes dos trabalhadores neste momento é garantir uma Campanha Nacional vitoriosa e a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). “Estamos afunilando a Campanha Nacional 2026 e, para nós do Bradesco, fazer uma boa campanha e renovar uma ótima CCT é a primeira prioridade”, explicou.

Fechamento de agências e demissões

O diretor do Sindicato do Rio de Janeiro e membro da COE, Leuver Ludolff, disse que a prioridade é conter o processo de fechamento de agências para evitar mais demissões no segundo banco privado mais lucrativo do Brasil: o Bradesco lucrou em 2025, R$24,65 bilhões e extinguiu 296 agências físicas, além de 1.098 postos de atendimento e 4 unidades de negócios.

“Um banco que lucra mais de R$24 bilhões em um ano não tem justificativas para fechar esta quantidade de agências e demitir tantos funcionários. O banco fechou no ano passado quase dois mil trabalhadores”, criticou Leuver.

Adoecimento da categoria

Almir Aguiar, secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, que também é funcionário do Bradesco, disse que adoecimento dos empregados é também uma prioridade da Campanha Nacional 2026 e cobrou ainda, a igualdade de oportunidades.

“A categoria bancária é hoje a que mais sofre de doenças psíquicas e lidera o ranking de afastamentos segundo dados oficiais do INSS. Os bancos não têm mais como negar esta realidade inaceitável”, explicou Almir.

O dirigente sindical destacou ainda, a necessidade de os bancos avançarem nas cláusulas sociais. “Reivindicamos também, na mesa única, a igualdade de oportunidades, tanto no ingresso quanto na ascensão profissional, para negras e negros, mulheres, LGBTs e PcDs. Os cargos executivos são ocupados atualmente, predominantemente, por homens brancos”, ressaltou.

 

Importância da mesa única

Os representantes dos trabalhadores reafirmaram a importância da mesa única com a Fenaban, unindo bancárias e bancários dos setores público e privado, uma estratégia exitosa há mais de 20 anos. O banco disse que “irá manter o compromisso de manter o diálogo com os empregados e a representação dos trabalhadores e informou que, nas próximas reuniões, pretende apresentar a evolução das iniciativas implementadas, especialmente nas áreas de diversidade e de mudança da cultura organizacional.

Conforme acordado entre as partes, as discussões sobre a pauta específica do Bradesco ocorrerão após o encerramento da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026, quando serão retomadas as negociações voltadas às demandas exclusivas dos empregados do banco. “Esperamos que o Bradesco valorize os seus funcionários e atenda as nossas reivindicações. Mas precisamos estar cientes de que só há uma campanha exitosa com a mobilização dos trabalhadores”, completou Leuver.