Segunda rodada de negociação com o BB gira em torno de igualdade e diversidade

CEBB na mesa de negociação com o banco, a primeira sobre igualdade e diversidade. Foto cedida pela Contraf-CUT.

A Comissão de Empresa dos Funcionários (CEBB) participou da segunda rodada de negociações com o Banco do Brasil, desta vez, sobre o tema promoção da igualdade de oportunidades, diversidade e inclusão no ambiente de trabalho. O encontro ocorreu em São Paulo, capital, nesta sexta-feira (17/7), dando sequência às discussões da pauta específica da Campanha Nacional dos Bancários 2026.

O banco recebeu de forma positiva as reivindicações apresentadas pelas entidades e informou que apresentará uma resposta. A direção também afirmou que trabalha com a meta de alcançar a paridade de gênero nos cargos de liderança até 2030. Segundo os dados apresentados na mesa, as mulheres já representam 50% do Conselho de Administração, 44% do Conselho Diretor e 25% da Diretoria Executiva. Além disso, o banco destacou que vem promovendo programas de desenvolvimento para ampliar a participação feminina em áreas estratégicas, como Tecnologia.

PcDs – O debate sobre os direitos das pessoas com deficiência (PcDs), foi um dos abordados. As propostas apresentadas pelas entidades representadas na CEBB buscam ampliar a acessibilidade, promover a inclusão e garantir igualdade de oportunidades no ambiente de trabalho. Entre as reivindicações está a cumulatividade dos benefícios destinados às PcDs como o auxílio-creche/babá, a concessão de licença de até 15 dias por ano para acompanhamento de dependentes com deficiência, sem limite de idade, em consultas e tratamentos médico-odontológicos.

Além disto, foi reivindicada a realização de um Censo da Pessoa com Deficiência no BB para identificar esse segmento e suas necessidades; a ampliação das possibilidades de teletrabalho para PcDs que necessitem dessa modalidade; e que haja o acompanhamento para garantir a adaptação dos trabalhadores. Outra reivindicação é o abono das horas necessárias para tratamentos, terapias, consultas médicas.

Mulheres – No caso das mulheres, a proposta é incentivar a participação feminina na área de tecnologia, que vem crescendo no banco, mas que ainda conta com baixa representatividade. A iniciativa busca ampliar as oportunidades de acesso e desenvolvimento profissional, criando um ambiente mais acolhedor e estimulando que mais mulheres ocupem esses espaços.

A pauta também cobra a ampliação da proteção às mulheres em situação de violência doméstica, com a garantia de afastamento de até seis meses, sem necessidade de encaminhamento ao INSS e com preservação do cargo no retorno ao trabalho. A CEBB também solicitou que mulheres vítimas de violência que estejam afastadas do trabalho e tenham garantia de permanência no cargo por, pelo menos, um ano.

Outro ponto defendido pelas entidades é a criação de licença parental para cada pessoa de referência da criança ou do adolescente, limitada a duas pessoas, sem prejuízo do emprego ou da remuneração, garantindo condições para o exercício da parentalidade. Também foi reivindicada a equiparação da união estável ao casamento para fins de concessão dos benefícios previstos no acordo coletivo.

Endividamento – O diretor executivo de Bancos Públicos do Sindicato do Rio de Janeiro e representante da Federa-RJ na CEBB, Alexandre Batista, acrescentou que outro ponto relevante levado à mesa foi o do endividamento do funcionalismo. “O banco se mostrou sensível e adiantou que estudos já estão sendo realizados para que ações possam ser tomadas já no horizonte do segundo semestre”, adiantou o dirigente “É importante olhar de forma preventiva, e não apenas quando o endividamento já estiver inadimplido”, acrescentou.

A CEBB propôs a criação de uma alternativa efetiva para a renegociação de dívidas dos empregados junto ao BB. A proposta prevê uma linha de crédito específica destinada a funcionários com dívidas, em atrasos, ou não, cujas prestações mensais ultrapassem 30% do salário bruto.

As entidades defendem que a linha tenha condições semelhantes às praticadas na primeira faixa do programa Minha Casa, Minha Vida, com juros em torno de 4,5% ao ano, além de carência de 90 a 120 dias para o início do pagamento, podendo ser reduzida mediante solicitação do trabalhador. A proposta também prevê a possibilidade de abatimento do valor total da dívida, quando necessário, para adequar a renegociação à capacidade de pagamento do funcionário, permitindo que ele regularize sua situação financeira sem comprometer sua renda.

Monitoramento – Outro tema levado à mesa foi a melhoria das condições de trabalho, com destaque para a revisão dos mecanismos de monitoramento da produtividade. As entidades reivindicaram a extinção do controle individual do tempo de atendimento e dos atuais instrumentos de acompanhamento individual da produtividade.

“Sobre o monitoramento e avaliação através dos indicadores tempo de referência e efetividade, demonstramos a percepção do completo desconhecimento da ponta executora, pela unidade estratégica, na concepção dessa ferramenta, sendo necessária uma revisão ouvindo quem executa as tarefas. O banco ficou de avaliar o processo para entender e trazer um retorno nas próximas mesas”, afirmou Alexandre.