É HORA DE PRESSIONAR O BANCO

Caixa não responde à pauta de reivindicações e CEE marca Dia Nacional de Luta

Caixa ouviu as reivindicações, mas não apresentou respostas objetivas para os principais pontos da pauta. Para Luiza Hansen, coordenadora da CEE, a ausência de posicionamentos concretos exige maior mobilização da categoria

Caixa não apresenta respostas concretas na mesa de negociação. Foto cedida pela Contraf-CUT.

Frustrante. Assim se pode qualificar o resultado da rodada de negociação desta sexta-feira (17/7), em que a Caixa Econômica Federal não apresentou qualquer resposta efetiva às reivindicações apresentadas pela Comissão Executiva dos Empregados (CEE). Por este motivo, além de reforçar as cobranças sobre Saúde Caixa, licenças para tratamento de saúde, criação de uma cláusula específica sobre teletrabalho, com especial atenção aos trabalhadores de TI, substituição em cascata, superendividamento e outras cláusulas sociais, a CEE decidiu convocar um Dia Nacional de Luta em 27 de julho, para ampliar a mobilização da categoria.

A reunião deu continuidade às negociações para a renovação e aprimoramento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A CEE cobrou soluções para o Saúde Caixa, com a manutenção dos seus princípios; a inclusão dos empregados que entraram no banco após 2018, e a derrubada do teto de 6,5%, como princípio básico para a sustentabilidade do plano. Também foi novamente reivindicada a retomada da proporção histórica de custeio de 70% pela Caixa e 30% pelos usuários, além da garantia de direitos aos empregados admitidos após setembro de 2018.

Ao longo da reunião, a Caixa ouviu as reivindicações apresentadas pela representação dos empregados, mas não apresentou respostas objetivas para os principais pontos da pauta. Para Luiza Hansen, coordenadora da CEE, a ausência de posicionamentos concretos exige maior mobilização da categoria. “Não basta ouvir as reivindicações. Os empregados esperam respostas e avanços. A negociação precisa produzir resultados. Por isso, vamos intensificar a mobilização em todo o país”.

Dia Nacional de Luta – Como forma de pressionar a direção da Caixa a apresentar propostas concretas nas próximas rodadas de negociação, a CEE/Caixa convocou um Dia Nacional de Luta para 27 de julho. A mobilização deverá envolver sindicatos, federações, e empregadas e empregados de todo o país, reforçando a defesa do Saúde Caixa, da valorização dos trabalhadores e da melhoria das condições de trabalho.

Cobranças indevidas – “Aproveitamos para falar das cobranças indevidas que a Caixa vem fazendo de pessoas que ganharam ações judiciais e receberam os valores antes de 1º de janeiro de 2026, cobranças já reconhecidas pelo banco”, informou Rogério Campanate, diretor do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e representante da Federa-RJ na Comissão Executiva dos Empregados (CEE).

Outra questão debatida foram os problemas enfrentados por empregados afastados por motivo de saúde, especialmente os que aguardam por longos períodos a concessão de benefícios pelo INSS, situação ainda mais grave nos casos relacionados a transtornos mentais.

“Muitos colegas têm tido problemas nas licenças, em diversos casos, inclusive, acabando ficando sem a remuneração. A Caixa reconheceu que este processo precisa ser resolvido, embora diga que muitos destes problemas sejam oriundos do INSS”, relatou o dirigente.

Sem resposta para solução de dívidas – A CEE também criticou a utilização rotineira pela Caixa de juntas médicas para revalidação de atestados e defendeu o fortalecimento das Gipes para oferecer suporte adequado aos trabalhadores afastados, evitando que essas situações fiquem sob responsabilidade exclusiva das chefias imediatas.

Também foi debatida a questão dos super endividados e das substituições em cascata – a CEE entende que todos precisam ser remunerados pelo trabalho que desempenham, independentemente do porte da agência ou da quantidade de gerentes, garantindo remuneração compatível e reconhecimento das responsabilidades efetivamente assumidas pelos trabalhadores. A proposta também consta da minuta específica de reivindicações da categoria para a renovação do ACT.

“Então a cascata tem que atingir todas as pessoas que estão assumindo funções, mas não sendo remuneradas por isto”, defendeu Campanate. “Falamos, ainda, dos problemas ligados ao teletrabalho que tem sido uma demanda recorrente, especialmente do pessoal da área da tecnologia da informação”, afirmou.

A CEE também apresentou proposta para aperfeiçoar a redação das cláusulas relacionadas ao superendividamento dos empregados, buscando ampliar a proteção aos trabalhadores.