Bancárias e bancários participaram neste sábado (9), no Clube de Engenharia, no Centro do Rio do Janeiro, do Encontro Regional dos bancários do setor privado. Na pauta, os problemas similares no Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e demais bancos do sistema financeiro nacional: O processo de fechamento de agências físicas em função do avanço das plataformas digitais e novas tecnologias, inclusive a IA (Inteligência Artificial), que resultam num grande de demissões de trabalhadores em todo o país e o adoecimento da categoria – especialmente doenças da mente – resultado de uma imposição de metas desumanas dos bancos para com seus empregados. A terceirização e pejotização é outro problema grave, como no caso do Santander, que já foi condenado seguidas vezes pela Justiça do Trabalho brasileira por contratação fraudulenta de mão de obra – bancários são contratados por empresas terceirizadas do grupo espanhol, perdendo a proteção dos direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho da categoria.
Analise do Dieese
O economista do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioecnômicos) Paulo Jager fez uma análise de conjuntura falou do endividamento das famílias brasileiras e das dificuldades do Brasil para um desenvolvimento sustentável causados pelos juros altos do país, o segundo maior do mundo, atrás apenas da Rússia, em guerra e sob um embargo econômico dos EUA e da União Europeia. “Com esse nível de taxas de juros, cerca de 85% da dívida dos brasileiros é de cartão de crédito, que é o pior tipo de endividamento que as pessoas podem ter, que chega a 450% ao ano, tornando-se impagável. Apesar do aumento da renda e do emprego, as pessoas não estão se sentindo com mais poder de compra”, disse Jager, lembrando que as jogatinas em plataformas de apostas (Bets) também explicam o aumento das dívidas dos brasileiros.
Mostrou ainda que os juros altos impactam mais sobre a dívida pública do que qualquer outra causa, inclusive do que o aumento dos custos com o INSS devido ao envelhecimento da população brasileira.
“A taxa de juros começou a cair, mas o Banco Central está usando como justificativa as guerras para avisar que a queda da Selic pode ocorrer de forma mais lenta do que o esperado.
Apesar dos juros, o economista vê com otimismo alguins dados da economia brasileira.
A percepção popular
O técnico do Dieese avalia que provavelmente o Brasil vai manter uma taxa de desemprego baixa, um crescimento da formalização do emprego e aumento da renda dos trabalhadores. “O setor automobilístico neste primeiro quadrimestre de 2026 bateu recorde de vendas, o que faz puxar outros setores, como de peças e serviços”, destacou.
“Há uma desconexão entre os números positivos da economia e a percepção dos brasileiros e as pesquisas de opinião mostram isso”, afirmou, trazendo números da pesquisa AtlasIntel que mostram que mostram o crescimento de aprovação do presidente Lula.
Segundo a pesquisa, os brasileiros têm como maiores preocupações, a corrupção e a criminalidade, com queda em questões como emprego e inflação. “As pessoas estão preocupadas com questões que o governo federal sequer tem ingerência, como criminalidade e drogas”, agenda explorada pela extrema-direita e da mídia, explica o economista.
A reação popular
Apesar dos desafios, Jager vê como positiva a reação do movimento sindical na disputa pela hegemonia das narrativas políticas. “Após anos na defensiva, nós já estamos de um ano para cá em uma fase em que os movimentos sindicais e sindical têm conseguido levar à sociedade uma agenda positiva, seja sobre a tributação sobre a renda [isenção para salários até R$5 mil mensais] , seja agora sobre o fim da essa 6 x 1”, avalia o palestrante, destacando a mobilização dos sindicados para a aprovação da PEC – Projeto de Emenda Parlamentar – que reduz a jornada de trabalho sem diminuição de salários.
“Temos que direcionar o voto dos indecisos, já que, caso a eleição seja tão disputada como apontam os prognósticos, conquistas 2% dos votos será decisivo”, concluiu Jager.