CAMPANHA NACIONAL UNIFICADA

Comando Bancário apresenta reivindicações econômicas e Fenaban se compromete a responder na próxima rodada

O Comando defendeu aumento real de salário, a melhoria do piso, a criação de um piso específico para o pessoal de TI, reajuste maior dos tíquetes e a valorização da PLR.

Comando Nacional durante a negociação com a Fenaban. Foto cedida pela Contraf-CUT.

O Comando Nacional dos Bancários esteve reunido nesta quinta-feira (30/7), de manhã e à tarde, com representantes da Federação Nacional dos Bancos, em São Paulo. Desta vez o debate girou em torno das cláusulas econômicas.

O Comando defendeu aumento real de salário, melhoria do piso da categoria, criação de um piso específico para o pessoal de Tecnologia da Informação (TI) e reajuste maior dos tíquetes alimentação e refeição, tendo em vista que a inflação dos alimentos tem se mostrado maior que a inflação em seu conjunto.

A Consulta Nacional dos Bancários, deste ano, registrou que o aumento real nos salários é prioridade para 93% da categoria, seguido do aumento da PLR, com 63%, e do reajuste maior no vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA), com 51%.

Os representantes da categoria bancária reivindicaram ainda a valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) pois se considerado o lucro dos bancos o percentual de distribuição tem diminuído. José Ferreira, presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e membro do Comando Nacional, explicou que na questão relacionada ao piso da categoria os sindicalistas defenderam o valor do salário mínimo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) que em junho foi de R$ 8.110,92.

Piso do Dieese – O valor do piso do Dieese é calculado para suprir as despesas de uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças) com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, conforme a Constituição. Ferreira convidou a categoria bancária a acompanhar o andamento das negociações através das mídias do Sindicato, da Federa-RJ e da Contraf-CUT.

Em 2025, juntos os cinco maiores bancos lucraram R$ 124 bilhões. Considerando todo o setor, o lucro líquido registrado foi de R$ 171 bilhões. No mesmo ano, o patrimônio líquido do setor bancário atingiu o montante de R$ 1,2 trilhão, valor 25 vezes maior do que a soma do patrimônio líquido dos setores eletroeletrônica e mecânica (R$ 48 bilhões), que ocupam os primeiros lugares no ranking dos mais rentáveis do país.

Resposta dia 4 – Juvandia Moreira, coordenadora do Comando e presidenta da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), informou que os representantes da Fenaban disseram que levarão as propostas apresentadas para a discussão com os bancos, trazendo uma resposta para todas estas questões econômicas apresentadas na próxima rodada em 4 de agosto.

“Deram, ainda, um retorno sobre os itens de saúde que apresentamos na rodada anterior. Neste tema temos várias divergências, problemas sérios. Houve avanços no debate sobre o respeito à Norma Regulamentadora (NR) 1, tanto relacionados ao combate dos riscos causadores das doenças mentais relacionadas ao trabalho, quanto ao plano de ação de prevenção delas; aceitaram serem concomitantemente discutidos na mesa geral e na mesa específica, o que foi um passo importante. É um debate novo, e esperamos superar as divergências. Esperamos que este debate transcorra bem para que a gente consiga de verdade acabar com os fatores de adoecimento da categoria”, afirmou.

Mas, em relação a propostas relacionadas a cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) ligadas à saúde, a resposta dos bancos foi de retirada de direitos. “Repetimos que não vamos aceitar retirada de direitos, como a cláusula 29, em que querem rever atestados e suspender a complementação salarial no período de licença. O debate foi difícil, mas acabaram retirando a proposta, porém disseram que vão apresentar ‘ajustes’ em negociações futuras”, lamentou.

Mesa única – Ao final da rodada, o Comando Nacional dos Bancários reafirmou não abrir mão da mesa única de negociação (bancos privados e públicos). “Lembramos que em todo o país os bancários e seus sindicatos se manifestaram contra o ataque a esta conquista da categoria, da qual não abriremos mão. Não vamos aceitar a divisão da nossa categoria”, afirmou Juvandia.

A presidenta da Federa-RJ, Adriana Nalesso, avaliou ter sido uma negociação difícil, como sempre. “Mas lembramos na mesa de negociação que os bancos lucraram ano passado mais de R$ 128 bilhões. A nossa pauta é justa e legítima e vamos insistir porque a forma de valorizar os bancários são reajustes dos tíquetes acima da inflação devido à alta maior dos alimentos; e também melhoras na PLR. A Fenaban ficou de nos apresentar uma resposta na próxima negociação em 4 de agosto”, afirmou.

O presidente do Sindicato de Niterói, Jorge Antônio frisou a importância da mobilização da categoria bancária. “Ela é fundamental para fazer avançar a negociação”, argumentou.

Adriana condenou a tentativa dos bancos de retirar direitos. “Propuseram acabar com a complementação salarial de quem entra de licença doença ou acidente de trabalho para tratamento de saúde. Protestamos e eles acabaram retirando. É inadmissível. Ainda mais porque bancários e bancárias estão adoecendo por responsabilidade dos bancos”, ressaltou Adriana.

Dados levantados pelo Dieese mostram que:

– Os vales alimentação e refeição vem acumulando perdas nos últimos anos, sendo -13% no VA, entre 2019 e 2025, e -3,7% no VR, entre 2023 e 2025.

“Para que o vale alimentação retome o mesmo poder de compra que tinha em setembro de 2019, em relação à cesta básica, seria necessário um reajuste de cerca de 40% no valor atual, o que elevaria o valor mensal de R$ 924,47 para R$ 1293,73, destacou a coordenadora do Comando Nacional, Juvandia Moreira.

– Redução com despesas de pessoal: Desde 2016, as despesas dos bancos com a folha de pagamento (salário, PLR, VA/VR e outros itens de remuneração) caíram 7%. Separando a PLR dessa conta, a queda foi ainda maior: 11%.

– Distribuição cada vez menor de PLR: apesar de a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria determinar que os bancos distribuam até 15% de seus lucros, em 2025, somente a Caixa alcançou esse percentual, e o Banco do Brasil se aproximou, com 11%.

Além disso, de 1995 para 2025, os três maiores bancos privados reduziram o percentual de distribuição do lucro, a título de PLR, de dois dígitos para, em média, 5,9%.

– Adoção de um piso para os trabalhadores em TI e, para as funções de entrada na categoria em geral.