CAMPANHA NACIONAL 2026

BB emperra negociação: sem avanços na Cassi e nem previsão de concurso público, e nada nas cláusulas econômicas

Representantes do banco avançam apenas em relação ao PAS (Programa de Assistência Social) e nas ausências autorizadas para PcDs

O diretor do Sindicato do Rio de Janeiro, Alexandre Batista (E), criticou a desculpa do Banco do Brasil para não atender às revindicações dos funcionários ao alegar o calote do Agronegócio à empresa e convocou a categoria a continuar mobilizada Foto: Contraf-CUT

A CEBB (Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil) e a direção do BB realizaram, nesta terça-feira (26), mais uma rodada de negociação, a oitava da Campanha Nacional 2026. Mais uma vez, a reunião para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) terminou praticamente sem avanços. O banco continua rejeitando as propostas do movimento sindical para uma solução emergencial em relação aos problemas financeiros da Cassi.

“A situação da nossa Caixa de Assistência é tão grave que não pode esperar uma solução estrutural para começar a ser resolvida. Temos que enfrentar a crise com um aporte imediato de recursos para garantir que o plano possa enfrentar a atual insuficiência financeira”, afirmou Alexandre Batista, diretor executivo de Bancos Públicos do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e representante da Federa-RJ na CEBB.

Sem perspectiva de concurso

Outra demanda dos representantes do funcionalismo, também recusada pelo banco, é a realização de um novo concurso público em 2027. A reivindicação se deve ao baixo contingente de bancários nas agências, que gera sobrecarga de trabalho e compromete o atendimento aos clientes e usuários. “A sobrecarga de trabalho é uma realidade que precisa ser enfrentada. As necessidades das unidades e das equipes não podem continuar sendo resolvidas apenas com remanejamentos”, ressaltou a coordenadora da CEBB, Fernanda Lopes.

Metas continuam adoecendo 

A falta de funcionários nas unidades chegou a tal ponto que muitas agências sequer conseguem abrir pontualmente para atender à população. Para agravar ainda mais a situação, mesmo com essas agências funcionando de forma precária, as metas continuam sendo cobradas da mesma maneira, aumentando a pressão e o adoecimento entre os trabalhadores.

Avanços pontuais 

Os únicos avanços desta rodada de negociação ocorreram em relação ao PAS (Programa de Assistência Social) para as necessidades de PcDs e às ausências autorizadas.

No caso do PAS, o BB sinalizou a ampliação do benefício com antecipação salarial para aquisição de veículos de até R$ 100 mil, prazo de pagamento de até 96 meses e limite correspondente a 12 salários. Segundo o banco, com a medida, a abrangência do benefício passaria de 3.404 para 7.271 pessoas.

Outro avanço diz respeito às ausências autorizadas. Atualmente, funcionárias e funcionários com deficiência têm direito a dois dias por ano para adquirir ou reparar seus equipamentos. A proposta apresentada pelo banco amplia esse número para cinco dias anuais.

Há muito o que avançar 

A avaliação da CEBB é de que os avanços conquistados nesta rodada merecem ser analisados pela representação dos trabalhadores, mas a direção do banco precisa apresentar respostas concretas para reivindicações prioritárias, como melhorias no Plano de Cargos e Salários, aumento do piso salarial, sustentabilidade da Cassi e recomposição do quadro de pessoal.

Alexandre Batista, avaliou a rodada de negociações e reforçou a necessidade de os funcionários permanecerem mobilizados para pressionar o BB nas questões específicas e a Fenaban na mesa única.

“Passamos o dia numa exaustiva mesa de negociação com a Fenaban, cujas propostas não estão nem perto do que a categoria precisa, começando com ínfimos índices de reajuste de 2,06% e chegando a apenas 2,57%. Em seguida, à noite, entramos na oitava mesa com o Banco do Brasil, que avançou muito pouco em demandas dos PCDs, como na questão do PAS, com elevação do limite de crédito para R$ 100 mil, e na ampliação das ausências autorizadas de dois para cinco dias”, destacou Alexandre.

Desculpas que não colam

A CEBB criticou a direção do banco por não ter avançado nos itens referentes às demandas econômicas do funcionalismo.

“A direção do BB tentou usar como desculpa para não atender nossas reivindicações o calote do agronegócio, que resultou em prejuízos para a empresa. Mas os funcionários nada têm nada a ver com a inadimplência desse setor, que movimenta trilhões de reais em recursos”, criticou Alexandre.

“Precisamos da mobilização do funcionalismo para arrancar um acordo e uma Convenção Coletiva dignos, que valorizem os bancários e as bancárias”, concluiu o dirigente sindical.