BANCOS QUEREM ARROCHAR SALÁRIOS E RETIRAR DIREITOS

Banqueiros propõem reajuste que não repõe sequer a perda causada pela inflação

Proposta foi rechaçada imediatamente pelo Comando Nacional dos Bancários. A mesa de negociação será retomada nesta quarta-feira (26/8).

As coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira e Neiva Ribeiro, durante a negociação com a Fenaban. Foto cedida pela Contraf-CUT.

Na décima rodada de negociação da Campanha Nacional dos Bancários, nesta terça-feira (24/8), a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), pela primeira vez, apresentou duas propostas de reajuste, mas que não repõem sequer as perdas geradas pela inflação de um ano. Ambas foram rejeitadas em mesa pelo Comando Nacional dos Bancários: a primeira foi de 2,06% (50% da inflação) e, a segunda, de 2,57% (62% da inflação), representando perdas reais na remuneração da categoria (por serem, abaixo da inflação) de 1,99% e de 1,50%, respectivamente.

Os bancos propuseram ainda uma série de corte de direitos, como o fim da indenização por morte ou incapacidade por assalto e do auxílio funeral; a retirada da multa em caso de descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT); o congelamento da PLR e do piso de ingresso; além da exclusão da verba de requalificação; da gratificação de compensador de cheque; e da ajuda de deslocamento noturno.

A ‘proposta’ foi rejeitada pelo Comando assim que foi feita. Os representantes da Fenaban pediram um tempo para consultar os bancos sobre a resposta a dar a partir da posição do Comando. Por volta das 15 horas, a representação dos bancos voltou com uma outra proposta que, da mesma forma, não chegava a repor as perdas: 2,57% de reajuste, muito aquém do que é reivindicado pela categoria.

E ainda: congelamento da PLR e do piso de ingresso; reajuste de 2,57% no auxílio creche/baba, auxílio para pais com filhos PcD; e ajuda de custo para o teletrabalho; e exclusão da gratificação de compensador de cheque; e da ajuda de deslocamento noturno. Ou seja, voltou atrás na retirada da verba de requalificação profissional (com reajuste de 2,57%) e na retirada da multa em caso de descumprimento da CCT.

Após o posicionamento do Comando Nacional, que destacou o desrespeito dos banqueiros às reivindicações da categoria, a Fenaban terminou a rodada. A mesa de negociação será retomada nesta quarta-feira (26/8). A mesa começou com um minuto de silêncio, a pedido do Comando Nacional, em homenagem a Wander Castro, diretor regional do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte, que faleceu nesta terça-feira (25).

Arrocho e retirada de direitos – Além de retirar direitos, a proposta econômica está muito aquém do que reivindicam os bancários: 5% de aumento real (reposição integral da inflação mais 5% de reajuste) para salários e demais verbas; aumento no piso salarial da categoria, de forma que alcance o salário mínimo ideal calculado pelo Dieese (R$ 7.999,44); aumento maior para VA e VR; e valorização da PLR.

José Ferreira, presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e integrante do Comando Nacional dos Bancários, criticou a postura dos banqueiros. “A Fenaban e os bancos estão usando a tática do estresse, apresentando propostas a conta-gotas. Essa prática não será capaz de nos demover ou desanimar. De nossa parte, permanecemos firmes nas propostas aprovadas na Conferência Nacional pela reposição da inflação, ganho real, valorização dos tíquetes e da PLR. Nossa tarefa é continuar os protestos contra os bancos e a Fenaban por uma proposta decente”, afirmou o dirigente.

Enquanto a Fenaban se nega a apresentar uma proposta decente aos trabalhadores da base, os três maiores bancos privados já aprovaram, para 2026, a remuneração média de R$ 12,5 milhões para os altos executivos – aumento de mais de R$ 1 milhão em relação à 2025.

Juvandia Moreira, coordenadora do Comando e presidenta da Contraf-CUT, acusou os bancos de serem generosos com os altos executivos, terem lucros elevadíssimos e ainda assim agirem com mesquinhez e desrespeito para com a categoria bancária, com índice abaixo da inflação. “Esta última proposta de 2,57% está entre os 0,46% piores reajustes de 2026. Ou seja, 99,54% das negociações salariais, firmadas até agora, garantiram reajustes melhores do que essa proposta da Fenaban, que representa um custo de apenas 0,9% do lucro do setor que, em 2025, foi de R$ 182 bilhões. Sem aumento real não tem como sair desta campanha!”, completou.