SAÚDE DO TRABALHADOR

Banco do Brasil não apresenta proposta para custeio da Cassi

Comissão de Empresa dos Funcionários (CEBB) pressiona para que o banco apresente proposta na reunião do dia 27 de maio e defende proporção 70/30

Alexandre Batista: "Esperamos que o Banco do Brasil apresente uma proposta do custeio da Cassi na próxima reunião do dia 27 de maio" Foto: Nando Neves

A pressão do movimento sindical e das entidades representativas dos funcionários do Banco do Brasil levou a direção da empresa a se reunir nesta quinta-feira, 14 de maio, marcando a reabertura do diálogo após meses sem avanços efetivos na busca de uma solução ao custeio da Cassi. No entanto, o BB frustrou mais uma vez o funcionalismo, não apresentando proposta para a reivindicação dos bancários.

A última negociação havia sido em 11 de dezembro de 2025, quando também não houve progresso na construção de uma solução estrutural para o custeio do plano de saúde, situação que vem gerando forte preocupação entre trabalhadores e entidades sindicais.

“Nitidamente, o banco não tem propostas para o custeio da Cassi e só recebeu a comissão por conta da nossa pressão. Na prática, foi apenas uma reabertura das negociações. Estamos atentos e cobrando celeridade do BB nas propostas para que possamos avançar para soluções que garantam a perenidade da nossa Cassi”, disse o diretor de Bancos Públicos do Sindicato do Rio de Janeiro e representante da Comissão de Empresa dos Funcionários (CEBB), Alexandre Batista. Uma nova rodada de negociação foi agendada para o dia 27 de maio (quarta-feira), em Brasília.

“Esperamos que nessa nova reunião o banco apresente proposta”, acrescentou Batista.

Histórico do impasse

Na reunião de dezembro do ano passado, a representação dos funcionários apresentou alternativas para reforçar o caixa e o capital regulatório da Cassi, entre elas o adiantamento de dez valores referentes ao 13º salário e a antecipação das despesas administrativas previstas para 2026. O banco, no entanto, recusou a proposta e apresentou como contraproposta com apenas a antecipação de três valores do 13º salário — medida considerada insuficiente pelas entidades sindicais. Após vários meses, nenhuma nova proposta estruturante havia sido apresentada pelo banco. O único movimento concreto foi justamente a antecipação parcial desses três valores, sem avanço nas discussões sobre o financiamento permanente do plano.

Desde a instalação da primeira mesa de negociação sobre o tema, em 27 de novembro de 2025, as entidades haviam alertado sobre a necessidade de garantir segurança financeira à Cassi e construir uma solução sustentável de longo prazo. Na ocasião, o banco assumiu o compromisso de avaliar as reivindicações dos trabalhadores e retornar com respostas, o que não ocorreu até o momento. Na avaliação dos representantes dos bancários, o prolongamento do impasse aumentou ainda mais a insegurança entre associados, prestadores de serviço e beneficiários do plano.

O que defendem os funcionários

O movimento sindical reafirma que qualquer solução para a Cassi deve preservar o modelo solidário histórico do plano, com custeio na proporção de 70% para o patrocinador (a empresa) e 30% para os participantes, modelo considerado essencial para garantir sustentabilidade e o acesso dos funcionários e funcionárias à assistência à saúde.

Os sindicatos defendem também a inclusão, em igualdade de condições, dos funcionários oriundos de bancos incorporados e daqueles admitidos no Banco do Brasil após 2018, que atualmente não possuem acesso ao plano nos mesmos moldes dos demais trabalhadores, situação que, segundo as entidades sindicais, fragiliza o modelo solidário.