A FORÇA FEMININA

Bancárias do Rio participam da 14ª Oficina de Mulheres da UNI Américas

Encontro debateu os impactos da pejotização e da desregulamentação do trabalho, além da necessidade de ampliar a representação feminina no Parlamento brasileiro

Da direita para a esquerda, Lorenna Pansini (Federa-RJ), a vice-presidenta do Sindicato dos Bancários do Rio, Kátia Branco, e as diretoras Carla Guimarães e Cida Cruz durante a 14ª Oficina de Mulheres da UNI Américas, em Praia Grande (SP)

As bancárias do Rio de Janeiro participaram da 14ª Oficina de Mulheres da UNI Américas, realizada nos dias 5 e 6 de maio, em Praia Grande, no litoral paulista. A entidade regional da UNI Global Union representa milhões de trabalhadoras e trabalhadores do setor de serviços nas Américas, incluindo categorias como bancários, comerciários, profissionais de telecomunicações, conservação e outras atividades.

Representaram a categoria bancária do Rio as dirigentes sindicais Carla Guimarães, Cida Cruz e a vice-presidenta do Sindicato dos Bancários do Rio, Kátia Branco, além da secretária de Mulheres da Federa-RJ (Federação das Trabalhadoras e Trabalhadores no Ramo Financeiro do Estado do Rio de Janeiro), Lorenna Pansini.

Com sede em Montevidéu, no Uruguai, a UNI Américas atua no fortalecimento sindical, na promoção das negociações coletivas, na defesa dos direitos trabalhistas e na redução das desigualdades sociais na região, com foco na igualdade de gênero e no combate à precarização do trabalho. No Brasil, as centrais CUT e UGT são filiadas à entidade.

Números revelam discriminação

Entre os principais temas debatidos na 14ª Oficina esteve o avanço da pejotização e da flexibilização das relações de trabalho, além de seus impactos na vida das mulheres. Durante o encontro, foi apresentada uma pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

A pejotização ganhou força no Brasil com o avanço das políticas neoliberais implementadas nos governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL), por meio da chamada “flexibilização” das relações de trabalho — definida por dirigentes sindicais e especialistas como um processo de desregulamentação da legislação trabalhista, que resulta na retirada de direitos da classe trabalhadora e é acompanhada da disseminação da cultura do empreendedorismo.

Empresários costumam justificar a redução de direitos sob o argumento de estimular a liberdade contratual, aumentar a eficiência e reduzir custos para as empresas, que deixam de recolher encargos trabalhistas e sociais, como férias, 13º salário e FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Para os debatedores da oficina, porém, o resultado prático é o aumento dos lucros, da concentração de renda e das desigualdades sociais.

Dados oficiais mostram que as mulheres recebem, em média, 20% menos que os homens no Brasil. Quando se trata de mulheres negras, a remuneração é ainda inferior à de mulheres e homens brancos. Nos cargos de alta gestão, a diferença salarial chega a 26,8% a menos para as mulheres.

Pejotização afeta mais as mulheres

Apesar da glamourização do empreendedorismo propagada por parte da grande mídia, a realidade cotidiana mostra que as mulheres sofrem ainda mais os impactos negativos da pejotização e da retirada de direitos trabalhistas, ampliando as desigualdades em relação aos homens.

Entre os principais problemas apontados estão a ausência de proteção à maternidade — já que, como pessoa jurídica, a trabalhadora não tem direito automático à licença-maternidade, embora possa requerer o benefício como contribuinte individual do INSS —, além da transferência dos custos da Previdência Social para a própria trabalhadora, muitas vezes sem orientação adequada ou condições financeiras de manter as contribuições em dia.

Outro fator destacado foi a ausência de limites formais de jornada no regime PJ, ampliando a exploração do trabalho e agravando a dupla ou tripla jornada feminina. Também foi ressaltado que o trabalho individualizado dificulta a organização sindical e enfraquece a luta coletiva por direitos trabalhistas. Segundo os debates da oficina, essas condições tornam as mulheres ainda mais vulneráveis a situações de assédio sexual e moral, frequentemente silenciadas. Pesquisas indicam que as mulheres negras são as mais afetadas pela precarização do trabalho via pejotização.

Representação no Parlamento

Na parte da tarde, os debates se concentraram na construção de estratégias para ampliar a presença das mulheres no Parlamento brasileiro, nas esferas municipal, estadual e federal. As participantes destacaram a importância da representação feminina no Legislativo, responsável pela elaboração e votação de leis que impactam diretamente a vida da população.

A oficina contou ainda com a participação da empresa “Empodere-se”, especializada em treinamento de autodefesa para mulheres.

Ações do governo Lula

No segundo dia do encontro (6), a economista da Unicamp Marilane Teixeira ministrou palestra sobre políticas públicas para as mulheres, analisando ações do governo Lula e a importância do combate à miséria e à pobreza no Brasil, problema que atinge especialmente as mulheres.

Dados de 2025 mostram que cerca de 52% das famílias brasileiras — o equivalente a 41 milhões de domicílios — são chefiadas por mulheres. O índice representa crescimento em relação ao último Censo, realizado em 2010, sendo que a maioria dessas mulheres se autodeclara preta ou parda.

Marilane destacou ainda a necessidade de avanços nas políticas públicas voltadas às mulheres, especialmente no combate à violência de gênero e na ampliação da rede de proteção e acolhimento às vítimas de agressão.