BRB propõe reajuste zero para 2026, e Sindicato cobra valorização dos trabalhadores

O BRB apresentou, na rodada de negociação realizada nesta segunda-feira 31 de agosto, uma proposta que prevê reajuste salarial zero em 2026. De acordo com o banco, o índice negociado com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) seria aplicado aos trabalhadores somente a partir de setembro de 2027.

O Sindicato rejeitou a sinalização e afirmou que os empregados não podem ser chamados a pagar por uma crise que não provocaram. Para a entidade, as decisões que levaram o BRB à situação atual não foram tomadas pelos trabalhadores, que continuam garantindo diariamente o funcionamento da instituição.

Durante a negociação, o Sindicato lembrou que a última proposta de reajuste zero apresentada pelo banco ocorreu em 2015. Também contestou o uso do custo da folha de pagamento como justificativa para impedir a recomposição salarial.

“Reajuste zero não é valorização. É transferir para quem trabalha o peso de uma crise que não foi provocada pelos empregados”, destacou o Sindicato após a reunião.

Ao final da rodada, a entidade informou ao BRB que apresentaria aos trabalhadores o que efetivamente ocorreu na mesa: o banco propôs reajuste zero e, até aquele momento, não havia apresentado uma alternativa econômica capaz de atender às expectativas da categoria.

A negociação ocorre em um período de apreensão entre os empregados, que há meses convivem com incertezas sobre o futuro do BRB. Para o Sindicato, qualquer solução para a situação do banco precisa preservar os empregos, os direitos e a remuneração de quem mantém a instituição em funcionamento.

Proteção ao emprego

Outro ponto central da reunião foi a proposta de criação de uma cláusula de proteção ao emprego e à remuneração em caso de alteração do controle acionário ou de outra operação que resulte em sucessão de empregadores.

O BRB apresentou uma nova redação e argumentou que o texto ampliaria a proteção para além da vigência do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), alcançando o período de 12 meses após a eventual operação.

O Sindicato, por sua vez, apresentou uma contraproposta mais abrangente. O texto prevê a garantia do emprego e da remuneração global habitual nos casos de alteração do controle acionário majoritário do BRB, incorporação, fusão, cisão, transformação, transferência de estabelecimento ou qualquer outra operação que resulte em sucessão de empregadores.

Pela proposta sindical, a garantia permaneceria válida até o término do ACT ou durante os 12 meses posteriores à efetivação da operação, prevalecendo o período mais longo. A remuneração protegida compreenderia o vencimento padrão, os anuênios, o quinquênio, as incorporações e as verbas decorrentes do exercício de funções e atividades gratificadas.

A redação também estabelece que uma eventual dispensa coletiva ou em massa dependerá de intervenção sindical prévia e de negociação coletiva específica. O BRB informou que analisará a contraproposta.

Durante a reunião, o Sindicato voltou a explicar que a medida funciona como uma “cláusula airbag”: uma proteção antecipada para os trabalhadores caso alguma mudança venha a ocorrer. A inclusão dessa garantia não representa concordância com privatização, mudança de controle ou qualquer outra operação envolvendo o banco. Esse entendimento também está expresso na redação apresentada.

Saúde BRB segue sem avanço

A Saúde BRB voltou a ser um dos principais pontos de divergência. O Sindicato defendeu o aumento da participação do banco no custeio do plano e afirmou que, ao longo dos anos, cresceu proporcionalmente a contribuição financeira dos beneficiários e da ANEABRB, enquanto diminuiu a participação proporcional do BRB.

A representação sindical também chamou a atenção para o déficit da Saúde BRB e reforçou que as cláusulas apresentadas buscam ampliar a proteção dos beneficiários e garantir melhores condições de financiamento para o plano.

O banco informou que já recebeu o estudo produzido pelo Grupo de Trabalho sobre a Saúde BRB, mas que ainda precisa discutir o relatório internamente com a gestão. Para o Sindicato, a resposta é insuficiente diante da relevância do tema e da necessidade de avanços concretos.

Direitos das mulheres e outros itens pendentes

O Sindicato também cobrou respostas sobre cláusulas relacionadas à Previdência BRB, à estabilidade para mulheres vítimas de violência doméstica e à redução das taxas de juros para empregados. O banco informou que não tinha novas propostas e manteve a negativa aos itens naquele momento.

Em relação aos direitos das mulheres, o Sindicato observou que o avanço apresentado até agora está praticamente restrito à concessão de um dia de abono relacionado à denúncia de violência.

Abono de aniversário

Entre os poucos pontos em que houve evolução, o BRB apresentou uma nova redação para o abono de aniversário. A proposta garante ao empregado o direito de usufruir de um dia de folga dentro do mês em que faz aniversário.

A mudança responde a uma preocupação apresentada pelo Sindicato na rodada anterior, especialmente em relação aos empregados cujos aniversários ocorrem em finais de semana.

Negociação terá continuidade

A reunião terminou às 21h24, após mais de quatro horas de discussão. O banco propôs a retomada das negociações na tarde de quarta-feira (2).

O Sindicato manifestou preocupação com o ritmo da mesa e cobrou respostas mais rápidas para os temas que continuam pendentes. A entidade reafirmou que os trabalhadores do BRB não aceitam reajuste zero e que a defesa do banco público precisa estar acompanhada da valorização de quem constrói a instituição.

O Sindicato continuará negociando e mobilizando a categoria em busca de uma proposta que preserve os empregos, proteja a Saúde BRB, mantenha os direitos conquistados e reconheça o papel das bancárias e dos bancários.

Da Redação