Caixa continua emperrando a negociação do acordo. Resposta é paralisação nesta quinta (20/8)

Sétima rodada: mais uma vez sem avanços por parte da Caixa. Foto: Willy Roberto/ Seeb-SP.

A diretoria da Caixa Econômica Federal manteve na rodada de negociação desta quarta-feira (19/8), a sétima até aqui, a mesma postura de não apresentar respostas efetivas à minuta de reivindicações apresentada, para a renovação e ampliação do acordo coletivo de trabalho. Ao fazer isto, o banco ignorou a paralisação de toda a categoria bancária, marcada para esta quinta-feira (20/8), o que deve levar os empregados da Caixa a uma forte adesão.

Para Rogério Campanate, diretor do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e integrante da Comissão Executiva dos Empregados (CEE), o funcionalismo da Caixa deve responder com uma forte participação fazendo com que o banco avance na negociação específica, e a Fenaban faça o mesmo na mesa única.

“A paralisação de amanhã não é apenas dos empregados da Caixa, mas de todos os bancários do país por conta das afrontas que a Fenaban vem tentando impor na mesa única de negociação dos itens da Convenção Coletiva de Trabalho, seja não apresentando propostas, seja propondo fragmentar a categoria. A nossa resposta tem que ser dada amanhã (quinta-feira, 20) e precisa ser de todos”, afirmou o dirigente.

Paralisação precisa ser forte – Campanate lembrou de um fato histórico que mostra como a paralisação pode ser um importante elemento desta campanha. “Lembro de um fato histórico: em 1985 não éramos reconhecidos como bancários. A carga horária era de 8 horas, e conquistamos o direito de sermos reconhecidos como bancários, de podermos nos sindicalizar e ter jornada de seis horas, e tantos outros direitos, com a greve de 1985”, disse.

Lembrou que os demais bancários tinham feito dois dias de paralisação em setembro. “E os da Caixa aderiram em outubro, num único dia, como faremos nesta quinta. Mas foi uma adesão tão em massa que a gente conseguiu todos os direitos que pleiteava. É o que precisamos repetir agora. Esse dia precisa ser forte, com uma adesão maciça à paralisação”, defendeu.

Sem propostas efetivas na negociação –Logo que acabou a negociação, Rogério Campanate fez um resumo desta sétima rodada. “Embora haja uma paralisação agendada para amanhã (20/8) a Caixa não apresentou nenhuma nova proposta para ao Saúde Caixa. Nem para os demais itens que fazem parte da minuta e que estão pendentes desde o início das negociações”.

O banco chegou a concordar em incluir no acordo específico o direito à desconexão, via sistemas da Caixa, ou através de qualquer outro meio de comunicação, como aplicativos de mensagens. Trouxe também uma proposta em relação às Pessoas com Deficiência (PcD), como a possibilidade de redução de jornada. Mas os textos apresentados foram muito vagos, precisando ser melhorados para que efetivamente garantam os direitos dos empregados.

O plano de saúde era o tema mais aguardado pelos empregados na negociação, depois de a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) rejeitar as propostas apresentadas pelo banco nas duas rodadas anteriores. A expectativa aumentou ainda mais porque, antes da reunião, a própria Caixa havia enviado comunicado aos empregados indicando que a mesa trataria de possíveis soluções sobre o tema. Ao final, porém, nenhuma nova proposta foi apresentada. A previsão é de que o tema volte à mesa no dia 25.

”Existe uma expectativa enorme da base por uma proposta melhor, que mantenha o Saúde Caixa viável e sustentável e, ao mesmo tempo, permita que as pessoas permaneçam no plano. As duas últimas propostas transferem o aumento dos custos para os empregados. A Caixa alimentou a expectativa de que haveria avanço nesta reunião e encerrar a mesa sem proposta gera frustração e uma preocupação muito grande”, afirmou a coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen.