SÓ VAI NA PRESSÃO

BB não apresenta nenhuma proposta econômica e deixa funcionários indignados: paralisação é a saída

Apesar de avanços em cláusulas sociais, direção do banco frustra de novo nas negociações e empurra bancários para a paralisação de 24h na quinta (20)

A CEBB cobrou propostas para as cláusulas sociais, mas o banco não apresentou nada. Saída é a greve de 24 horas na quinta-feira (20)

A CEBB (Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil) encerrou, nesta quarta-feira (19), em São Paulo, mais uma frustrante rodada de negociação com a direção do Banco do Brasil, que não apresentou nenhuma proposta para as reivindicações econômicas da categoria.

“Terminamos mais uma rodada de negociação com o Banco do Brasil e, mais uma vez, saímos sem nenhuma devolutiva sobre as cláusulas econômicas. A elevação do piso, as correções e melhorias no Plano de Cargos e Salários, a questão da Cassi, a revisão efetiva da política de metas adotada, um programa para ajudar a solucionar o endividamento do funcionalismo e outros pontos não foram sequer abordados”, afirmou o diretor executivo de Bancos Públicos do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Alexandre Batista, membro da CEBB e representante da base da Federa-RJ nas negociações com o banco.

Poucos avanços

Apesar da frustração com a postura da direção do banco, houve avanços pontuais, mas importantes, nas cláusulas sociais. Entre eles estão medidas relacionadas à violência doméstica, com a inclusão, no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), de uma cláusula que garante estabilidade na função comissionada por seis meses após o retorno ao trabalho depois do afastamento de seis meses – totalizando um ano – para funcionárias vítimas de violência doméstica.

A Lei Maria da Penha já prevê a manutenção do vínculo empregatício em casos de afastamento por até seis meses. A novidade é que, com a cláusula negociada, a bancária vítima de violência doméstica terá também a garantia de manutenção de sua função comissionada durante esse período.

Em relação à igualdade de oportunidades, o banco também aceitou priorizar mulheres, bancárias e bancários de raça negra e indígena, pessoas com deficiência (PcDs) e pessoas LGBTs. Fora esses pontos, porém, o BB não apresentou novas propostas. “Não podemos deixar de registrar o avanço que foi o banco aceitar, nas cláusulas sociais, questões de equidade e de violência doméstica, por exemplo. Mas precisamos de respostas efetivas às questões financeiras que tanto afligem o funcionalismo”, avaliou Alexandre.

Mais concursos públicos

De 2015 a 2025, os cinco maiores bancos do país — incluindo o Banco do Brasil — aumentaram em 49% os contratos com correspondentes bancários, terceirizando serviços. Segundo o movimento sindical, esse processo, além de precarizar ainda mais o trabalho, coloca em risco a segurança das operações financeiras dos clientes.

Ao mesmo tempo, cresce o número de agências que funcionam com contingente reduzido de bancários, chegando ao ponto de algumas unidades não conseguirem abrir pontualmente para atender à população.

Esse cenário reforça a urgência da realização de novos concursos públicos para 2027, uma das reivindicações incluídas na minuta dos funcionários do BB.

Vamos parar nesta quinta (20)

Diante da intransigência do banco, Alexandre convocou funcionários e funcionárias do BB a aderirem em massa à paralisação de 24 horas de toda a categoria nesta quinta-feira, 20 de agosto.

“A mobilização é fundamental para pressionar o banco a apresentar propostas que atendam às reivindicações dos trabalhadores. Só vamos avançar nas negociações com a forte adesão da categoria. A força da nossa negociação depende de uma boa demonstração de adesão à paralisação desta quinta-feira (20), seja nos postos de trabalho ou no home office. Não logue, não execute tarefas. Amanhã é greve”, completou Alexandre Batista.

O movimento sindical reforçou a cobrança para que o BB atenda às reivindicações da minuta nas negociações, que precisam avançar. “Vamos unir forças à paralisação nacional em defesa da valorização de toda a categoria bancária”, destacou a coordenadora da CEBB, Fernanda Lopes.

Nova negociação sem data

Até o fechamento desta matéria, não havia sido confirmada a data da próxima rodada de negociação específica entre os representantes do BB e do funcionalismo. A comissão dos funcionários, no entanto, seguirá em plantão permanente.