O Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e a Federa-RJ (Federação das Trabalhadoras e Trabalhadores no Ramo Financeiro) realizaram, nesta terça-feira (11), atividades do Dia Nacional de Luta dos empregados do Bradesco na cidade do Rio de Janeiro. Os protestos, contra o fechamento de agências, as demissões e o adoecimento da categoria provocado pela sobrecarga de trabalho e pela pressão para o cumprimento de metas, ocorreram nos bairros de Bonsucesso, na região da Leopoldina, e Madureira, na Zona Norte.
A manifestação foi também em repúdio a demora da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) em apresentar uma proposta na mesa de negociação com o Comando Nacional dos Bancários.
Fechamento de agências e demissões
O diretor do Sindicato e membro da COE (Comissão de Organização dos Empregados), Leuver Ludolff, criticou a postura do banco, que, segundo ele, segue a mesma lógica adotada por outras instituições financeiras privadas do país. “O Bradesco desrespeita os funcionários e a mesa de negociações da nossa Campanha Nacional com tantas demissões e fechamento de agências. Exigimos que a direção do banco valorize os funcionários, preserve os empregos e garanta melhores condições de saúde e trabalho para os bancários, além de assegurar atendimento de qualidade aos clientes e usuários”, afirmou.
Leuver lembrou ainda que os idosos estão entre os mais prejudicados com o fechamento das unidades físicas, devido às dificuldades para utilizar as plataformas e serviços digitais.
Demissões crescem no país
Somente na base do Sindicato, na cidade do Rio de Janeiro, 235 trabalhadores foram demitidos de janeiro a julho deste ano. Em todo o país, foram 2.448 funcionários dispensados. “O Bradesco precisa atender às nossas reivindicações. O banco registrou lucro de R$ 7,1 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026, crescimento de 16,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Esperamos que não seja necessário chegar ao ponto de convocar uma greve geral para garantir nossos direitos”, acrescentou Leuver.
População e bancários desrespeitados
Os protestos realizados também em Madureira, onde clientes e usuários relataram problemas com a demora nas filas para atendimento. Para os dirigentes sindicais, a redução do número de agências e a dispensa de funcionários prejudicam tanto a população quanto os trabalhadores.
“Esta agência passou a atender a demanda de outras seis unidades que foram fechadas na região, como as de Rocha Miranda e Cascadura, por exemplo. Isso sobrecarrega ainda mais os funcionários, que já enfrentam o adoecimento provocado pelas metas abusivas, e faz com que os clientes tenham que esperar mais tempo nas filas para serem atendidos”, explicou o diretor do Sindicato, Geraldo Ferraz, que também é funcionário do Bradesco.
É hora de mais mobilização
O presidente do Sindicato, José Ferreira, que também participou da atividade, avaliou o Dia Nacional de Luta realizado no Rio de Janeiro. “Dialogamos com os bancários e bancárias sobre as profundas mudanças no sistema financeiro. Sob o pretexto de enfrentar a concorrência com instituições digitais, como o Nubank, por exemplo, os bancos têm optado por atacar a categoria bancária, reduzindo empregos e tentando retirar direitos”, criticou.
“Reafirmamos que, para nós, a saída está, mais do que nunca, na unidade entre bancários e bancárias, no fortalecimento do Sindicato e na pressão e na luta para alcançarmos nossas reivindicações nas mesas de negociação. Denunciamos os ataques que o Bradesco tem promovido contra clientes e bancários com o fechamento de agências, medida que piora o atendimento à população, aumenta a sobrecarga de trabalho e contribui para o adoecimento dos trabalhadores”, concluiu Ferreira.

Fotos: Nando Neves





