BANCO DO BRASIL

CEBB cobra valorização do plano de carreira e na remuneração e melhores condições de trabalho

Representação dos trabalhadores defende a revisão do Plano de Funções e medidas para reduzir a sobrecarga na rede de atendimento

Alexandre Batista (terceiro da direita para a esquerda) durante a negociação com o Banco do Brasil, em São Paulo, sobre itens remuneratórios, valorização das carreiras e condições de trabalho Fotos: Contraf-CUT

A Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) se reuniu com a direção do banco nesta sexta-feira, 31 de julho, em São Paulo, para mais uma rodada de negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2026. Na pauta, estiveram as reivindicações relacionadas à remuneração, ao Plano de Carreira e Remuneração (PCR), ao Plano de Funções e às condições de trabalho dos funcionários da instituição.

Valorização da carreira 

Nas discussões sobre valorização profissional, a representação dos trabalhadores defendeu o aperfeiçoamento do Plano de Carreira e Remuneração, a revisão dos critérios de progressão funcional, a valorização da promoção por mérito e a atualização dos vencimentos. O objetivo é ampliar o reconhecimento do trabalho dos funcionários, responsáveis pelos resultados e pelos lucros do banco, além de garantir perspectivas concretas de crescimento profissional.

Mudanças no Plano de Funções 

Durante a negociação, o Banco do Brasil apresentou um panorama da atual estrutura de cargos, funções e salários em todo o país. A CEBB reivindicou mudanças no Plano de Funções, entre elas o reajuste dos adicionais de função, maior transparência sobre as atribuições e metas de cada cargo, o pagamento integral das substituições desde o primeiro dia de exercício e o fim da chamada “lateralidade”, mecanismo que, segundo a representação sindical, contribui para o acúmulo de atividades sem a correspondente remuneração.

Incorporação do Valor de Referência 

Outro ponto defendido pelos dirigentes sindicais foi a incorporação integral das comissões e gratificações ao Valor de Referência (VR) após dez anos de exercício da função, conforme previsto na minuta de reivindicações da categoria. A comissão também reforçou que qualquer alteração no Plano de Funções deve ser negociada previamente com a representação dos trabalhadores.

Ampliação do teletrabalho 

A ampliação do teletrabalho também esteve entre as reivindicações apresentadas pelo movimento sindical. A CEBB defendeu a expansão da modalidade para que um número maior de funcionários possa aderir ao trabalho remoto e para ampliar a quantidade de dias permitidos aos empregados que já atuam nesse regime.

Novos concursos 

A comissão voltou a alertar para a situação da rede de atendimento do banco. Segundo os representantes dos trabalhadores, as agências operam com efetivo reduzido, o que sobrecarrega os funcionários, aumenta a demanda nas unidades que permanecem abertas e contribui para o adoecimento da categoria.

Diante desse cenário, o movimento sindical defende a realização de novos concursos públicos para reforçar o quadro de pessoal, melhorar o atendimento à população e reduzir o acúmulo de funções. Neste período pré-eleitoral as empresas públicas não podem realizar concursos, no entanto preocupa os sindicatos o fato de a direção do banco sinalizar de que “tão cedo não haverá novos concursos no BB.

A realidade nas agências 

No Dia Nacional de Luta da categoria, realizado na última terça-feira (28), diretores do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro promoveram um protesto na agência do Banco do Brasil da Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema, na Zona Sul da capital. A unidade é uma das diversas agências que têm interrompido o atendimento ao público por falta de funcionários.

O bairro possui grande concentração de moradores idosos, que reclamaram dos transtornos provocados pela redução do atendimento.

Para a coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), Fernanda Lopes, a negociação aborda temas fundamentais para a valorização dos trabalhadores e o fortalecimento do banco público. “A valorização das funcionárias e dos funcionários do Banco do Brasil passa necessariamente por um plano de carreira que reconheça a experiência, ofereça perspectivas de crescimento e assegure remuneração compatível com a responsabilidade exercida. Também é fundamental avançar em medidas que melhorem as condições de trabalho, combatam o acúmulo de funções e garantam mais transparência e justiça nos processos internos. Esperamos que o banco esteja disposto a construir soluções que atendam às expectativas dos trabalhadores”, afirmou.

As entidades sindicais defendem que uma instituição pública com o papel social do Banco do Brasil deve dar o exemplo e oferecer remuneração digna e condições adequadas de trabalho aos seus funcionários.

A comissão representativa também cobrou a valorização de cargos específicos, como os atendentes da Central de Relacionamento Banco do Brasil (CRBB) e os assistentes da Diretoria de Operações (Diope) e dos Centros de Suporte (Cesup). Outro pleito foi a efetivação como assistentes de todos os trabalhadores que exercem, de forma permanente, as atividades de caixa, garantindo o reconhecimento das atribuições desempenhadas e a correspondente valorização profissional.

Avaliação do Sindicato 

O diretor executivo de Bancos Públicos do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Alexandre Batista, integrante da CEBB e representante da base da Federa-RJ, avaliou a rodada de negociação.

“Trouxemos pautas específicas para o Banco do Brasil relacionadas às questões remuneratórias. Reivindicamos a reavaliação do piso salarial, da promoção por mérito e da estrutura de cargos e salários. Também defendemos a valorização dos atendentes e assistentes que exercem diversas atribuições sem receber a remuneração correspondente. Na maioria das vezes, esses trabalhadores acumulam funções diferentes das previstas para seus cargos. Outro ponto importantíssimo que propusemos foi a incorporação gradativa da função, no percentual de 10% ao ano, permitindo sua incorporação integral após dez anos de exercício. Essa medida traria mais segurança aos trabalhadores e reduziria a instabilidade provocada pelo risco constante de descomissionamento, já que as comissões representam parcela significativa da remuneração e acabam sendo um fator de pressão e adoecimento”, explicou.

Segundo Alexandre Batista, o banco ouviu todas as reivindicações e se comprometeu a apresentar devolutivas ao longo das próximas rodadas de negociação, previstas para agosto.

 

Fernanda Lopes (D), coordenadora da CEBB cobrou valorização dos itens remuneratórios, valorização da carreira e melhores condições de trabalho para todos os funcionários e funcionárias do BB
Fotos: Contraf-CUT

 

Rodada de negociação no BB desta sexta-feira (31), em São Paulo. Movimento sindical espera propostas dignas para as próximas reuniões, em agosto
Alexandre Batista (terceiro da direita para a esquerda) durante a negociação com o Banco do Brasil, em São Paulo, sobre itens remuneratórios, valorização das carreiras e condições de trabalho
Fotos: Contraf-CUT