O Comando Nacional dos Bancários, que representa a categoria nas mesas de negociação com os bancos, se reúne nesta quinta-feira (30), em São Paulo, com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos). Desta vez, a pauta será a discussão das cláusulas econômicas da Campanha Nacional 2026. Na quarta-feira (29), o Comando realizou uma reunião preparatória para definir os últimos detalhes do encontro.
O que defende a categoria
Nas cláusulas econômicas, os bancários reivindicam reajuste salarial acima da inflação (5% de reajuste), valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), aumento dos tíquetes alimentação e refeição e melhorias também em outras verbas salariais.
Valorização dos tíquetes
Comer fora de casa e fazer compras no supermercado está muito caro. Por isso, os sindicatos defendem uma valorização maior dos tíquetes. Atualmente, o valor diário do tíquete-refeição dos bancários é de R$ 53,33, bem abaixo do preço médio das refeições nas principais capitais do país, como São Paulo (R$ 62,30), Brasília (R$ 55,39) e Rio de Janeiro (R$ 63,36).
Melhor PLR
No início das negociações da PLR, em 1995, Bradesco e Itaú distribuíam 14% de seus lucros aos funcionários. Em 1997, esse percentual caiu para 10%. Mesmo com lucros cada vez maiores, os bancos continuaram reduzindo a parcela destinada aos trabalhadores. Em 2025, por exemplo, os três maiores bancos privados distribuíram entre 5,4% e 7,1% do lucro líquido aos empregados.
Apesar de a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) estabelecer a distribuição de até 15% dos lucros, em 2025 apenas a Caixa Econômica Federal atingiu esse percentual. O Banco do Brasil ficou próximo, distribuindo cerca de 11% do lucro líquido. Na avaliação do movimento sindical já passou da hora de os bancos darem valor a quem de fato constrói os lucros crescentes do setor: a categoria bancária.
Saúde e condições de trabalho
O Comando Nacional também poderá retomar a discussão sobre saúde e condições de trabalho, já que, na rodada anterior, a Fenaban se recusou a debater as reivindicações relacionadas a essas cláusulas.
Importância da mesa única
O Comando pretende reafirmar no encontro com a Fenaban, a importância da mesa única, uma estratégia que há mais de 20 anos vem dando certo, com diversas conquistas para toda a categoria bancária, tanto de bancos públicos quanto do setor privado. O tema tornou-se destaque após um negociador dos bancos defender o fim da mesa única, o que pegou de surpresa, inclusive, os diretores dos bancos públicos.
“Os resultados da mesa única deixam mais uma vez a importância que sempre ressaltamos sobre a importância da unidade dos trabalhadores. O fortalecimento em torno de uma mesa com bancos públicos e privados trouxe resultados importantes para o conjunto dos bancários e bancárias”, explica o presidente do Sindicato do Rio de Janeiro, José Ferreira.
Lucros crescem
Na avaliação dos dirigentes sindicais não há justificativa para que os bancos não atendam às reivindicações da categoria. Em 2025, os cinco maiores bancos do país registraram lucro de R$ 124 bilhões. Apenas no primeiro trimestre deste ano, o setor acumulou R$ 29,8 bilhões em lucro, estabelecendo um novo recorde.
Sem motivos para choradeira
Paralelamente ao crescimento dos lucros, os bancos reduziram despesas com o fechamento de agências e a demissão de funcionários.
Em 2025, as receitas obtidas com tarifas bancárias corresponderam a 123% das despesas com pessoal. Em outras palavras, apenas a arrecadação com tarifas foi suficiente para cobrir toda a folha de pagamento, incluindo a PLR, restando ainda uma sobra equivalente a 23% desse montante.
Enquanto, na mesa de negociação, os bancos alegam dificuldades para atender às reivindicações dos trabalhadores, a remuneração de seus altos executivos segue em patamares elevados. Em 2025, o Santander pagou, em média, R$ 8,3 milhões a cada integrante de sua diretoria estatutária. No mesmo período, Bradesco e Itaú remuneraram seus executivos com médias de R$ 7,8 milhões e R$ 17,9 milhões, respectivamente.
Esses valores representam mais de 120 vezes a remuneração média anual de um bancário na função de escriturário, considerando salários, 13º, férias, tíquetes e PLR.
O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio, José Ferreira, que integra o Comando Nacional, participará da negociação desta quinta-feira (30).