A Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) participou, nesta quinta-feira (23), em Brasília, de mais uma mesa de negociação com a direção do banco. Nesta rodada, foram debatidas as reivindicações dos trabalhadores por melhores condições de saúde e de trabalho, com destaque para os principais problemas enfrentados pelos funcionários, como as constantes queixas de caixas e demais empregados da Plataforma de Suporte Operacional (PSO) e o adoecimento geral da categoria provocado pelas metas abusivas.
Crescimento do assédio
Os dirigentes sindicais denunciaram o crescimento do assédio moral no Banco do Brasil. O diretor executivo de Bancos Públicos do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, membro da CEBB e representante da base da Federa-RJ, Alexandre Batista, avaliou a reunião.
“O adoecimento da categoria e a necessidade de um cuidado maior com a saúde do funcionalismo foram o tema central desta rodada. É impossível tratar desse assunto sem abordar fatores diretamente ligados ao adoecimento, como a competição interna imposta pelos programas em vigor e as metas abusivas. Além de inadequadas, essas metas aumentam a pressão, a sensação de impotência e a baixa autoestima dos trabalhadores. Mesmo quando já não são atingidas, acabam sendo elevadas novamente pelo banco”, criticou, lembrando que esse cenário tem levado a um aumento no número de bancários que dependem de medicamentos controlados e sofrem, principalmente, com doenças relacionadas à saúde mental.
Fernanda Lopes, coordenadora da CEBB lembra que o problema foi apontado pela categoria num levantamento com bancários do Banco do Brasil. “Em uma consulta realizada com os bancários do BB, mais de 40% informaram depender de medicamentos controlados. Esse adoecimento está diretamente relacionado às condições de trabalho. O banco tenta atribuir esses índices a uma realidade geral da população, mas os números entre os funcionários são muito superiores”, ressaltou Fernanda Lopes, coordenadora da CEBB.
Categoria lidera afastamentos
Dados oficiais mostram que a categoria bancária está entre as mais afetadas por afastamentos relacionados à saúde mental, especialmente entre gerentes e escriturários, em razão da cobrança excessiva por metas, que tem provocado transtornos psicológicos. Mais da metade dos afastamentos na categoria decorre de problemas mentais e comportamentais.
Alexandre Batista criticou o modelo de cobrança adotado pelo banco. “Essas metas sequer consideram períodos de férias e licenças médicas”.
O dirigente também defendeu que o BB apresente soluções para os empregados que precisam se afastar do trabalho para realizar exames ou acompanhar familiares em tratamento de saúde.
Novo concurso e mais contratações
Os representantes dos funcionários também reivindicaram a realização de um novo concurso público e a contratação de mais empregados, principalmente para reforçar o atendimento nas agências. Segundo a representação sindical, a medida é fundamental para melhorar o atendimento à população, em especial aos idosos, que ainda enfrentam dificuldades no uso das plataformas digitais, e para solucionar a sobrecarga de trabalho.
Solução para a Cassi
Embora exista uma mesa específica para discutir os problemas da Cassi, o tema também esteve presente na negociação.
“O custeio da Cassi e a solução para os funcionários que ainda têm tratamento diferenciado no acesso ao plano também foram destaques nesta rodada. Esperamos avançar na luta por melhores condições de saúde e de trabalho nas próximas negociações”, afirmou Alexandre Batista. Segundo o dirigente, com a necessária alteração do estatuto da Cassi, em novas bases, o banco sinalizou a possibilidade de garantir que os empregados oriundos de bancos incorporados pelo BB tenham os mesmos direitos dos demais participantes do plano de saúde.
Fernanda Lopes também reforçou a necessidade de uma solução definitiva para a Caixa de Assistência. “O banco precisa assumir sua responsabilidade. Reforçamos na mesa a necessidade de uma solução definitiva para a Cassi e, neste momento, de um aporte financeiro capaz de cobrir o déficit previsto para este ano.”
A coordenadora da CEBB cobrou o fim da sobrecarga de trabalho, com a definição de metas compatíveis com a realidade e os limites humanos. Segundo ela, o aumento das despesas da Cassi está diretamente relacionado ao adoecimento dos trabalhadores, provocado pela política de metas do banco, e ao achatamento salarial decorrente das sucessivas reestruturações.
“Hoje, quando a maioria não consegue atingir os objetivos, o banco altera indicadores para viabilizar o cumprimento das metas. O correto seria estabelecer metas alcançáveis desde o início, permitindo que os trabalhadores exerçam suas atividades com tranquilidade.”
Situação no PSO
A representação dos trabalhadores denunciou à direção do Banco do Brasil os graves problemas enfrentados pelos empregados da Plataforma de Suporte Operacional (PSO). Segundo o movimento sindical, gerentes de serviço acumulam atividades administrativas e negociais, enquanto escriturários executam tarefas como abastecimento dos terminais de autoatendimento (TAA) e gestão de numerário, caracterizando desvio e acúmulo de funções.
Os representantes dos funcionários reivindicaram que todos os trabalhadores que exerçam atividades de caixa sejam nomeados para o cargo de assistente. Também cobraram a garantia de tempo para capacitação dos empregados do PSO, que vêm absorvendo novas atribuições sem receber treinamento adequado.
A próxima rodada de negociação será no dia 31 de julho, para tratar de questões sobre a remuneração dos funcionários.
