PRESSÃO POPULAR É AGORA

Fim da escala 6 x 1 precisa ser votado até agosto, defende senador Paulo Paim (PT-RS)

Parlamentar gaúcho afirma que proposta não pode ficar refém da disputa eleitoral de 2026. Movimento sindical reforça mobilização e cobra aprovação imediata da medida

O senador Paulo Paim (PT-RS) diz que a proposta do fim da escala 6 x 1 precisa ser aprovada até agosto, para evitar que a votação do projeto seja prejudicada pela disputa eleitoral de 2026 Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou, em entrevista ao jornal O Povo News, que a PEC 221/2019, que altera a jornada de trabalho no Brasil, precisa ser votada até agosto deste ano. A proposta prevê o fim da escala 6 x 1, reduzindo a jornada semanal de 44 para 40 horas, com garantia de dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial para os trabalhadores.

“O certo é votar em agosto e pronto, por ampla maioria, para evitar que o projeto entre na disputa eleitoral, tanto na Câmara quanto no Senado. Quem ganha com essa proposta é o povo brasileiro, que passará a ter uma jornada de trabalho mais digna, já que a atual é exaustiva”, afirmou Paim.

Hora da mobilização

Para que o fim da escala 6 x 1 seja aprovado o quanto antes, as centrais sindicais intensificam a mobilização e pressionam o Congresso Nacional pela votação da proposta. As entidades sindicais criticam propostas apresentadas por partidos da direita e da extrema direita que preveem uma transição gradual para a nova jornada. Segundo os defensores da PEC, a redução da carga horária, sem diminuição dos salários, beneficiará cerca de 14,8 milhões de brasileiros e precisa ser votada e aprovada já em agosto próximo.

O presidente da CUT, Sérgio Nobre, apresenta números de uma pesquisa do Instituto Vox Populi que aponta os baixos salários e a jornada excessiva como fatores que afastam os jovens do emprego formal e estimulam o crescimento da informalidade. Segundo o dirigente, a escala 6 x 1 dificulta a conciliação entre trabalho, vida familiar e lazer.

“Este é um debate que acontece não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro. O trabalho é importante, mas não pode impedir que as pessoas sejam bons pais, boas mães, cuidem dos filhos ou tenham qualidade de vida. Por isso, nessa pesquisa nacional, 80% dos entrevistados afirmaram que a redução da jornada, com o fim da escala 6 x 1, deve ser prioridade no país”, destacou.

Nobre lembra que os acordos coletivos que reduziram a jornada sem cortar salários não prejudicaram as empresas. Ao contrário, contribuem para o aumento da produtividade e para a redução do adoecimento dos trabalhadores.

“Quando se reduz a jornada, as empresas reorganizam as escalas e os trabalhadores conseguem reorganizar suas vidas, tendo mais tempo para o lazer, para acompanhar os filhos, estudar ou exercer sua fé na igreja. Esperamos por essa mudança há 43 anos, desde a Constituição de 1988. Já chega. Queremos as 40 horas semanais e o fim da escala 6 x 1 agora, sem período de transição”, defende o presidente da CUT.

 

O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio José Ferreira em campanha pelo fim da escala 6 x 1: solidariedade às demais categorias de trabalhadores
Fotos: Nando Neves

 

Sindicatos, membros do movimento VAT (Vida Além do Trabalho) e representantes dos movimentos sociais participam de uma manifestação realizada no Terminal Gentileza, na área portuária do Rio: pelo fim da jornada exaustiva 
Fotos: Nando Neves

 

O diretor do Sindicato dos Bancários do Rio distribui panfletos à população durante a campanha pelo fim da 6 x 1, no Centro

 

Dirigentes sindicais bancários querem o fim da jornada 6 x 1 em solidariedade aos demais trabalhadores, mas também porque o tema envolve a categoria: há tentativas no Congresso Nacional em apresentar projetos que elevam a jornada dos bancários, com a abertura dos bancos aos sábados

 

Bancário da Caixa Econômica Federal, o diretor do Sindicato Sérgio Amorim no ato pelo fim da 6 x 1