AFRONTA E DESUMANIDADE

Santander demite Gerentes de Atendimento (GAs) em todo o Brasil

Decisão cruel do grupo espanhol às vésperas da Campanha Nacional da categoria gera indignação entre bancários e no movimento sindical, que promete reagir às dispensas em larga escala em todo o país

O Santander surpreendeu os trabalhadores ao demitir, nesta terça-feira (2), em todo o país, os Gerentes de Atendimento (GAs) da área de varejo das agências bancárias. A medida ocorre às vésperas da Campanha Nacional dos Bancários 2026 e provocou forte reação entre funcionários e representantes sindicais.

Na base territorial do Município do Rio de Janeiro, pelo menos cinco empregados dispensados já procuraram o Sindicato, que promete buscar todos os meios possíveis para tentar barrar o que considera uma decisão unilateral e desumana do banco espanhol. Segundo informações preliminares houve dispensas em agências de Madureira, Bonsucesso, Penha, Jacarepaguá e Portuguesa, na Ilha do Governador.

Banco mentiu

Segundo a COE (Comissão de Organização dos Empregados), os desligamentos foram realizados sem qualquer comunicação com os sindicatos.  Na última mesa de negoicação, os representantes dos trabalhadores haviam cobrado explicações sobre os rumores da extinção na área de atendimento, mas o banco mentiu, dizendo que “não havia qualuqer processo de de extinção do cargo”.

“Demitir tantos trabalhadores às portas de uma campanha salarial, sem aviso prévio e desmentindo o que o banco falou na mesa de negociação soa como afronta e provocação. O Santander deveria valorizar os bancários brasileiros, responsáveis por uma parcela significativa dos lucros obtidos pelo grupo no mundo. Vamos denunciar à sociedade o que eles estão fazendo com os brasileiros”, criticou o diretor da Secretaria de Bancos Privados do Sindicato, Arnaldo Malaquias.

Pessoas não são descartáveis

O dirigente sindical condenou as demissões em massa e criticou a política de gestão adotada pelo banco. “Como se não bastasse praticar uma gestão baseada na pressão e no assédio moral, adoecendo trabalhadores com metas cada vez mais abusivas, o Santander ainda demite profissionais que ajudaram a construir seus resultados, tratando pessoas como objetos descartáveis”, afirmou Malaquias.

O Santander lucrou em 2025, no Brasil, R$15,6 bilhões e no primeiro trimestre de 2026, R$3,78 bi, o que não justifica tirar o emprego dos trabalhadores. “Isso mostra como é importante a categoria debater os impactos das novas tecnologias em nossos empregos, tema que será uma das prioridades na Campanha Nacional deste ano”, ressalta o dirigente sindical. .

Condenações na Justiça

O sindicalista também criticou a política de terceirização adotada pela instituição financeira. Malaquias lembra que o Santander já foi condenado diversas vezes pela Justiça do Trabalho por práticas relacionadas à contratação fraudulenta de mão de obra, substituindo postos bancários por trabalhadores terceirizados sem acesso aos direitos garantidos pela Convenção Coletiva de Trabalho da categoria.

“O banco também atua para enfraquecer os sindicatos e até mesmo as Cipas, que têm como missão proteger os trabalhadores contra acidentes e doenças ocupacionais, além de defender seus direitos”, acrescentou.

Procure o Sindicato

O dirigente afirmou ainda que a entidade sindical adotará todas as medidas cabíveis para defender os empregos ameaçados. “Se o Santander não rever essa postura autoritária, vamos buscar todos os meios para defender os empregos dos bancários e denunciar à sociedade o que uma empresa espanhola está fazendo com os trabalhadores brasileiros. Essa situação revoltante reforça a importância da organização coletiva e da sindicalização dos trabalhadores para fortalecer a luta em defesa dos direitos da categoria”, concluiu Malaquias, orientando os funcionários atingidos pelas demissões a procurarem o Sindicato.