Abolição da Escravatura não garantiu liberdade e emancipação da população negra

A data oficial da abolição da escravidão no Brasil é no dia 13 de Maio, celebrado nesta quarta-feira. No entanto, números oficiais e a avaliação de representantes do movimento social mostram que para a população negra, não é um dia de comemoração, mas de reflexão de uma triste realidade no Brasil: em 2024, 86,2% das 4.068 pessoas mortas por intervenção policial em nove estados brasileiros eram negras.

História mal contada

Para as lideranças dos movimentos sindical e negro, ao assinar a Lei Áurea, em 1888, a Princesa Izabel não editou nenhuma medida para garantir uma sobrevivência digna para os negros e negras sequestrados no continente africano, escravizados durante anos. E pouca gente sabe, mas antes desta decisão duas leis foram assinadas, excluindo negros e indígenas do direito à um pedaço de terra e de acesso às escolas.
“Eles foram ‘libertados’, mas jogados nas ruas com somente a roupa do corpo e nada mais. Isso contribuiu com a perpetuação do racismo”, diz a secretária de Combate ao Racismo da CUT, Anatalina Lourenço. “O 13 de Maio não é uma data a ser comemorada, foi um fato histórico que omitiu a luta do povo negro contra a escravidão, e até os dias atuais a historiografia tem omitido o nosso legado e repetido a versão de que o fato teria sido uma concessão da Princesa Izabel, o que não é verdade”, disse o secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, Almir Aguiar.