Na palestra sobre a performance do Banco do Brasil, no ano passado, a técnica do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), Millena Alves, reafirmou que os principais causadores da queda de 45,4% no lucro – de R$ 20,685 bilhões em 2025 – comparado ao de 2024, foram a inadimplência do agronegócio e as mudanças na formula de cálculo das Provisões para Devedores Duvidosos (PDD).
O agro é o maior segmento tomador de crédito, com 39% da carteira do BB, ficando pessoa física com 29% e pessoa jurídica com 18%. O total dos financiamentos do BB ao agronegócio é de R$ 406, 1 bilhões, correspondendo a três vezes o valor emprestado pelos outros quatro maiores bancos. Do total da PDD, 56% do valor correspondeu ao agro; 21% a pessoa jurídica; e 23% pessoa física. Millena mostrou que a inadimplência em 2025 cresceu 5,17%: 6,56% pessoa físicas, 3,75% pessoa jurídica e 6,09% agronegócio.
Juros altos – Por conta dos juros altos em abril, 80,9% das famílias brasileiras estavam endividadas, sendo que deste total, 29,7% estavam com dívidas em atrasado. Deste total, 12,3% não tinham como pagar. Do total das famílias endividadas, 84,9% o estavam no cartão de crédito, que tem juros superiores a 400% ao ano e 16% no cheque especial. Millena mostrou, ainda, que o total da renda da pessoa física comprometida com o pagamento de financiamentos cresceu de 23% para 29,2%.
Novas tecnologias – A técnica do Dieese informou que os bancos com negócios no Brasil são os que mais investem em tecnologias: enquanto a média mundial de crescimento foi de 35%, de 2018 até 2023, no Brasil foi de 97%.
CEBB – Fernanda Lopes, coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB (CEBB), participou de forma virtual do debate sobre o banco. Disse que é preocupante a piora no atendimento à população desde o início da atual gestão, com fechamento de agências a redução do número de caixas. “Os bancos privados fazem isso, mas o BB é um banco público, tendo a obrigação de atender dignamente a população”, avaliou. Disse que o fechamento tem deixado sem atendimento principalmente a periferia. Acrescentou que o BB precisa urgentemente de concurso.