Bancários participam, em Copacabana, de ato do 1º de maio em defesa do fim da escala 6×1

No Rio o ato do 1⁰ de maio aconteceu em Copacabana
O Sindicato dos Bancários do Rio participou das manifestações em apoio ao fim da escala 6 x 1

Carlos Vasconcellos

Imprensa SeebRio

Representantes do movimento sindical de diversas categorias participaram das manifestações do 1º de maio em várias regiões do Brasil. Em 2026, o principal foco dos protestos foi a defesa do fim da escala 6×1 — seis dias de trabalho e apenas um de descanso. Também houve manifestações contra o trabalho análogo à escravidão e o elevado número de acidentes e casos de adoecimento no trabalho no país.

O movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que disseminou no Brasil a ideia de redução da jornada sem diminuição de salários, também marcou presença nas atividades realizadas em todo o território nacional.

Ato no Rio

No Rio de Janeiro, o ato aconteceu em Copacabana, tendo o Posto 5 como ponto de concentração.

O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, José Ferreira, destacou a importância da solidariedade da categoria com trabalhadores que ainda não conquistaram a escala 5×2, inclusive dentro do próprio sistema financeiro.

“Estamos neste 1º de maio na defesa do fim da escala 6×1. Nós, bancários e bancárias, conquistamos a escala 5×2, um direito garantido na Convenção Coletiva de Trabalho. Mas sabemos que um grande número de trabalhadores ainda está submetido à jornada 6×1, que é extenuante, desgastante e prejudicial à convivência familiar. Também sabemos que parte da nossa categoria — somos cerca de um milhão de trabalhadores no sistema financeiro — ainda não está na escala 5×2. Portanto, temos que lutar para que esses trabalhadores se somem a nós, em um caminho de unidade, e conquistem os mesmos direitos”, afirmou.

Críticas a Castro e Paes

Também houve protestos de diversas categorias, como médicos e professores, contra o achatamento salarial promovido pelo governador Cláudio Castro (PL), atualmente inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Trabalhadores da RioSaúde, na capital fluminense, criticaram o prefeito Eduardo Paes (PSD) por não conceder reajuste salarial à categoria. Eles também acusam a atual gestão municipal de tentar extinguir a instituição para terceirizar os serviços de saúde.

Apoio do governo Lula 

O governo Lula também defende o fim da escala 6×1. O presidente da República enviou ao Congresso Nacional um projeto que propõe a redução da jornada de trabalho sem diminuição dos salários. A proposta, no entanto, enfrenta resistência no Parlamento, especialmente de setores da extrema direita.

“O debate no Congresso Nacional sobre a redução da jornada sem redução salarial deixa claro quem está ao lado dos direitos dos trabalhadores e quem atua em defesa dos interesses empresariais. O presidente Lula defende o fim da jornada 6×1, enquanto setores da extrema direita se opõem à proposta, fazendo lobby dos empresários”, afirmou a vice-presidenta do Sindicato dos Bancários do Rio, Kátia Branco.

Realidade em outros países

A redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial já é realidade em algumas das economias mais desenvolvidas do mundo, especialmente em países europeus. Nações como Finlândia, Holanda, Alemanha e Reino Unido vêm adotando experiências com a escala 4×3 — quatro dias de trabalho e três de descanso.

Segundo avaliações dessas experiências, os resultados incluem aumento da produtividade, melhora na qualidade de vida dos trabalhadores, geração de empregos e até crescimento econômico.

Para especialistas e representantes sindicais, o desafio agora é o Brasil superar modelos de organização do trabalho considerados ultrapassados e avançar para padrões mais compatíveis com o século XXI.