Imprensa

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Segunda, 27 Abril 2020 20:20

Covid-19 e as doenças do trabalho

Nesta terça-feira, 28 de abril, comemora-se o Dia Mundial da Segurança e da Saúde no Trabalho. Nesta data, em 1969, uma explosão numa mina no estado norte-americano da Virginia matou 78 mineiros. Em 2003, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) instituiu a data em memória às vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.
A categoria bancária é uma das mais atingidas pelas doenças ocupacionais, sejam de caráter físico ou psíquico, como as LER-Dorts, causadas pelos movimentos repetitivos além de síndrome do pânico, depressão e outras enfermidades causadas pela pressão psicológica imposta pelos bancos para atingir as metas abusivas. No momento em que a humanidade vive a pior pandemia global em cem anos, o diretor do Departamento de Saúde do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Gilberto Leal, avalia que o coronavírus deve ser considerado uma doença do trabalho.
“A partir do momento em que funcionários são obrigados a trabalhar nas agências, os bancos precisam entender que neste caso os contágios passam a ser doenças ocupacionais, pois o empregador está ciente de que está colocando em risco a saúde e a vida dos trabalhadores e se os empregados permanecessem em isolamento social como orienta a Organização Mundial de Saúde, eles não teriam o perigo de ter adquirido o Covid-19”, explica Gilberto.

Sindicato defende a vida

O sindicalista lembra que o movimento sindical defende o fechamento das unidades bancárias, garantindo a abertura apenas em casos de extrema necessidade, como para o pagamento do auxílio emergencial.
“Já encaminhamos seguidas vezes à Fenaban esta reivindicação e conseguimos com o vereador Reimont, do PT, um Projeto de Lei que está em tramitação e que prevê o fechamento das agências bancárias. Os bancos insistem em colocar em primeiro lugar os lucros. Já tivemos vidas ceifadas na categoria em função desta intransigência. A vida vale mais do que todos os bilhões acumulados pelo sistema financeiro”, destaca. Gilberto criticou ainda a manutenção das metas.
“Não é possível que nem mesmo em uma calamidade como esta e a crsie econômica que o mundo vive, os bancos não suspendem a cobrança de metas, que é uma prática responsável por um grande número de trabalhadores adoecidos. Que o Dia Mundial em memória daqueles que morreram trabalhando possa servir de reflexão para os bancos atenderem às nossas reivindicações”, conclui.

Em reunião na última quinta-feira, 23 de abril (feriado estadual no Rio de Janeiro), o Comando Nacional dos Bancários e a Comissão de Organização dos Empregados (COE) voltaram a se reunir por videoconferência com o Itaú. O objetivo da reunião foi a negociação a respeito do banco de horas dos funcionários que estão afastados do local de trabalho, sem realizar o home office, incluindo aqueles que fazem parte dos grupos de risco, e dos que estão em esquema de rodízio.
No encontro da última segunda-feira (20), o Itaú informou que existem atualmente 45 mil funcionários trabalhando em casa (home office) e sete mil estão afastados sem atividade de home Office (64% dos 81.691 empregados da holding, segundo dados do balanço social do banco de 2019). Além desses, outros 20 mil trabalham em esquema de rodízio.

Os avanços na negociação

O Itaú atendeu a reivindicação dos representantes dos trabalhadores e irá dar um bônus de desconto de 10% em cima do total de banco de horas de cada trabalhador. Serão pagas ainda as horas extras em caso de trabalho noturno, em finais de semana e feriados.
Além disso, o banco de horas começa a contar somente a partir do dia 1º de maio, após assembleias que serão realizadas virtualmente pelas entidades sindicais. Serão abonados todos os dias que os trabalhadores ficaram em casa, desde o começo da pandemia até o dia 1°de maio, período de cerca de um mês e meio.
Em casos de demissão sem justa causa, o banco de horas não será descontado do valor que o trabalhador tiver a receber. Além disso, as horas trabalhadas aos sábados, domingos, feriados e horas noturnas serão pagas como horas extras.
Os funcionários de seis horas poderão ter 30 minutos de intervalo e não apenas 15, além da possibilidade de caixas e gerentes atuarem na Central de Atendimento por seis horas. Nesses casos, quem tem jornada de oito horas trabalha só seis e não fica com horas em débito. O banco fornecerá ainda treinamento e equipamento para o trabalho em home office. Ficou acertado também que no fim do prazo de compensação, o banco não cobrará as horas que sobrarem.

Itens não atendidos

Os sindicalistas reivindicam ainda a redução do prazo de compensação do banco de horas; a inclusão das lactantes e mães com filhos até dois anos no grupo de risco e a disponibilização de testes para todos os bancários, principalmente para aqueles que estão voltando do rodízio.

Segunda, 27 Abril 2020 20:19

Três milhões de infectados

O diretor da OMS (Organização Mundial de Saúde) Tedros Adhanom disse nesta segunda-feira (27/4) que a pandemia do coronavírus está ainda longe de acabar e que os países que seguiram as orientações da entidade estão em melhores condições.
Até o fechamento desta edição, o número de infectados pelo Covid-19 no mundo já passava de três milhões, sendo que do total, um milhão de casos se concentram nos EUA, com mais de 55 mil mortes. A Espanha passa de 300 mil casos e a Itália, com 200 mil. O Brasil é o 10º país com maior número de casos: 63.328 e 4.298 óbitos.

Vem causando grande angústia entre os funcionários a decisão unilateral da diretoria do Banco do Brasil de usar as férias vencidas, a vencer, folgas, abono e banco de horas para abater o tempo de quem, para evitar a contaminação pelo novo coronavíris, está à disposição do BB cumprindo o isolamento social determinado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Ministério da Saúde. São pessoas do grupo de risco (com mais de 60 anos, ou portadoras de doenças respiratórias, hipertensão, diabetes, renais e os que usam medicação imunossupressora) que, de uma hora para a outra, veem o banco queimar direitos sem necessidade, impondo um elemento a mais de estresse e adoecimento num momento em que todas as pessoas convivem com o pânico de contrair a Covid-19. O aviso de férias tem que ser feito com antecedência de apenas 48 horas.

MP não impõe regras

Rita Mota, diretora do Sindicato e integrante da Comissão de Empresa, frisou que o banco, mesmo com todos os funcionários à sua disposição, no dia 7 de abril, decidiu impor a compensação, passando a considerar o tempo de afastamento como não trabalhado.
“Além das férias e das folgas em função do abono, ou não – que poderiam ser vendidas, causando também uma perda salarial – o BB, com base na Medida Provisória 927, do governo Bolsonaro, determinou que este período de isolamento em decorrência da pandemia, seja descontado, ainda, do banco de horas, e que, se, mesmo queimando todos estes direitos, o período de afastamento for superior, será criado um banco de horas negativo, a ser compensado futuramente em horas extras”, denunciou.
A dirigente lembrou que a MP 927 não é impositiva. “O BB não é obrigado a impor este tipo de compensação. É o maior banco do país, teve um lucro de mais de R$ 18 bilhões ano passado, diga-se de passagem, resultado que tem que ser creditado aos funcionários que hoje estão sendo prejudicados por uma atitude descabida e desumana. A MP abriu esta possibilidade para empresas em dificuldade comprovada, o que não é o caso. O BB não é uma mercearia”, criticou. Lembrou que só outros dois grandes bancos, o Itaú e o Santander, estão fazendo o mesmo. “E ainda fazem publicidade dizendo que este é o momento de solidariedade e respeito”, acrescentou.
Denúncias de ocorrências de pressões ligadas à MP 927, no BB, devem ser feitas ao Sindicato. Basta enviar pelo whatsapp 97103-6729. Ou pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e pelo Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Covid-19 mata mais um funcionário do BB

O Sindicado se solidariza com familiares e amigos de Rodrigo Reis, caixa da agência. Méier do Banco do Brasil. O funcionário faleceu no sábado último, vítima da Covid-19. Estava afastado do trabalho, de férias, em regime de coabitação com pessoas do grupo de risco. Mesmo assim, contraiu a doença e estava internado, entubado há uma semana, e teve uma parada cardíaca. O Sindicato lamenta a perda de mais um funcionário do BB.

O Comando Nacional dos Bancários e a Comissão de Organização dos Empregados negociaram com a direção do Santander a renovação do Acordo Aditivo com validade de dois anos. O próximo passo será a realização de uma assembleia, que terá de ser feita através de videoconferência em função da pandemia do coronavírus.
Entre os principais avanços está a inclusão da modalidade de mestrado lato sensu MBA ( Master of Business Administration ) nas bolsas de estudo, uma antiga reivindicação dos funcionários.
A PPRS, o programa próprio de participação nos resultados do banco espanhol, será de R$2.800 que será reajustado pelo índice previsto na Convenção Coletiva de Trabalho da categoria, válido também por dois anos.

Conjuntura difícil

Os funcionários não conseguiram a isenção de tarifas, uma importante demanda dos trabalhadores, mas o tema será negociado, mais adiante, nos grupos de trabalho.
O Santander teve um lucro de R$ 14,5 bi em 2019 no Brasil, um crescimento de 17,4% em relação a 2018.
“O resultado da reunião acordo não foi ainda tudo aquilo que gostaríamos e que o funcionário do Santander merece, mas diante de uma conjuntura política tão desfavorável, em que o governo federal a cada dia apresenta uma nova Medida Provisória roubando direitos do trabalhador, só pelo fato de conseguirmos renovar por dois anos o Acordo Aditivo já é uma grande avanço”, avalia o diretor do Sindicato do Rio e membro da COE, Marcos Vicente.

O Comando Nacional dos Bancários e a Comissão de Empresa dos Empregados realizaram na segunda-feira, 27 de abril, mais uma negociação através de videoconferência, com a Caixa. Os funcionários, mesmo orgulhosos da missão social que exercem em prol do povo brasileiro, reivindicam melhores condições de trabalho para que possam ter sua saúde preservada diante do rápido crescimento no número de pessoas infectadas pelo Covid-19 no Brasil.
Os representantes dos bancários voltaram a cobrar a necessidade de o banco criar uma campanha na mídia para esclarecimento à população a respeito dos meios disponíveis para o recebimento do auxílio emergencial para evitar aglomerações nas agências. A Caixa apresentou diversos materiais, inclusive filipetas para distribuição em comunidades, confeccionados para esta divulgação. Os sindicalistas avaliam a medida como insuficiente e cobraram que essas orientações sejam veiculadas de forma massiva na grande mídia. “É preciso massificar essas informações nos grandes veículos de comunicação, como a televisão e as redes socais para evitar as aglomerações e preservar a saúde e a vida dos empregados e clientes”, explica o diretor do Sindicato Rogério Campanate, que participou da reunião com o banco.

Equipamentos de proteção

Sobre os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) a empresa informou que quase a totalidade das agências da empresa no Brasil já possuem álcool gel e máscaras (no Rio de Janeiro todas as unidades já receberam). No entanto, apenas 41,11% das unidades receberam máscaras do tipo Face Shield, e em quantidade insuficiente. Quanto à instalação de placas protetoras nos guichês, aproximadamente 84% já tiveram o equipamento instalado.

Trabalho ‘voluntário?

A direção da Caixa criou de forma unilateral, sem negociação prévia com as entidades representativas, a ação especial de atendimento “Quero atender”, que consiste na inscrição voluntária de empregados que não pertencem a grupos de risco para auxiliar no atendimento nas agências que sofrem com superlotação e sobrecarregam os funcionários que estão trabalhando no atendimento ao público. Em função da necessidade de rodízio, as equipes de trabalho estão reduzidas em cerca de 30% nas unidades.
“Temos recebido denúncias de que gestores estão forçando os empregados a auxiliarem no atendimento das agências, o que descaracteriza o prometido espírito ‘voluntário’ da iniciativa do banco. São situações como esta que mostram que é fundamental o diálogo da empresa com os representantes dos trabalhadores antes que seja tomada qualquer medida”, ressalta Campanate.

Defesa do agendamento

A Caixa informou ainda que foram finalizados mais de 48 milhões de cadastros e creditados mais de 39 milhões de benefícios do auxílio emergencial. A área de tecnologia precisou expandir sua capacidade de 200 mil para 500 mil conexões simultâneas.
Os representantes da empresa ressaltaram ainda desconhecer, no mundo, empresa que tenha desenvolvido em 15 dias projeto para a realização de uma política pública desta envergadura.
“Não dá para entender como uma empresa com toda a capacidade de viabilizar em tão pouco tempo o pagamento do auxílio emergencial não consegue pro em prática o sistema de agendamento reivindicado pelas entidades sindicais desde o início da pandemia”, critica o diretor do Sindicato José Ferreira.

O Sindicato orienta aos funcionários do Bradesco que comuniquem imediatamente ao Programa Viva Bem, do banco, qualquer alteração no estado de saúde, sintomas de gripe ou suspeita de coronavírus.
“Tem acontecido muito que o bancário vai direto ao médico e não comunica ao Viva Bem. Desta forma, o Bradesco não toma ciência da situação de saúde do bancário. É importante este procedimento dos funcionários para que o banco possa ter o controle do que está acontecendo pois sem esta comunicação, a empresa tem mais dificuldade para dar continuidade ao processo do protocolo de acompanhamento do empregado”, explica a diretora do Sindicato, Nanci Furtado.

A Secretaria de Mulheres da CUT Rio , convidam a todas e todos para um bate-papo com Cleide Pinto, Presidenta do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Nova e Louisa Acciari, Pesquisadora (UFRJ) e oficial de programas da Federação Internacional das Trabalhadoras Domésticas (FITD),  com essa categoria que ainda nos dias de hoje não tem seus direitos totalmente respeitados e em meio a essa pandemia é uma das que mais sofrem por serem  as primeiras dispensadas e não possuírem outros meios de sustento. Como ficaram as Trabalhadoras Domésticas em tempos de Corona?

Apesar das conquistas históricas de direitos e do reconhecimento das trabalhadoras como categoria profissional, nesta segunda-feira (27), Dia Nacional da Trabalhadora Doméstica, a categoria não tem o que celebrar, especialmente nesta época de pandemia do novo coronavírus (Covid-19), quando muitas são impedidas de fazer quarentena para se proteger do vírus e se arriscam indo trabalhar.

O caminho, que não tem sido fácil para elas até agora, ainda requer muita luta e conscientização da sociedade, em especial daqueles que as contratam, para os direitos, inclusive à vida, sejam respeitados.

De acordo com as trabalhadoras, o dia-a-dia das empregadas domésticas ainda guarda a herança cultural escravocrata brasileira que as colocam em um patamar de desigualdade acentuada em relação às demais categorias no que diz respeito aos direitos como carteira-assinada, fundo de garantia, 13° salário, férias e contribuição para a previdência, além de da exploração e exposição a riscos extremos, como acontece agora com a pandemia do coronavírus.

A presidenta da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), Luiza Batista, explica que a situação dessas trabalhadoras nunca foi de igualdade. “São Mais de 80 anos de luta e os direitos foram chegando gradativamente, mas ainda hoje, há muitos empregadores que não registram as empregadas e não recolhem o INSS”.

Nem o direito à vida é respeitado, diz a dirigente, lembrado que muitos empregadores seguem as recomendações de isolamento social para conter a pandemia da Covid-19, mas não dispensam as trabalhadoras domésticas que, além de direitos, arriscam a vida.

Junéia Batista, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, lembra que o dia da Trabalhadora Doméstica é uma data para relembrar o trabalho doméstico no Brasil e as conquistas como a PEC das Domésticas, aprovada em abril de 2013, e a Convenção 189 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que recomenda aos países signatários a garantia de trabalho decente para as trabalhadoras domésticas, com os mesmos direitos que os demais trabalhadores, como jornada de trabalho definida, salário mínimo, férias e direito à sindicalização.

“Nós conquistamos uma lei que garantia o cumprimento da Consolidação das Leis do Trabalho, uma lei que garantia proteção social às trabalhadoras domésticas. Também conquistamos a ratificação da Convenção 189 da OIT, mas em 2020, o que a gente vê é um total desrespeito à categoria”.

Conquistas histórica da categoria, a Proposta de Emenda à Constituição 66/2012, que ficou conhecida como PEC das Domésticas, estabelecia direitos iguais às demais categorias. Elas conquistaram o direito à jornada de trabalho 8h diárias, horas-extras além dos demais direitos. A PEC virou Emenda Constitucional 72. Ainda no governo de Dilma Rousseff, em 2015, foi aprovada a Lei Complementar 150, que regulamenta direitos da cateforia.

Cinco anos depois, o número de trabalhadoras com registro em carteira não chega 30%. Dados levantados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no estudo “Trabalho doméstico, os direitos garantidos e a regulamentação no Congresso Nacional” mostram que em 2018, do total de 6,2 milhões de pessoas, entre homens e mulheres empregadas no serviço doméstico, apenas 28,6% exerciam a atividade com registro em carteira.

Do total de profissionais da categoria, 5,7 milhões são mulheres e cerca de 3,9 milhões são mulheres negras.

A Lei 150/2015 estabelece que é obrigação do empregador assinar a carteira de trabalho sempre que haja prestação de serviços de forma contínua, o que garantiu às mensalistas o direito de serem registradas, mas não garantiu o mesmo direito às diaristas.

A aí é que a categoria sofreu um revés. De acordo com Cleide Pereira Pinto, Secretária de formação Sindical da Fenatrad e presidente do Sindicato de Trabalhadores domésticas de Nova Iguaçu (RJ), depois da PEC, muitos patrões, para se livrarem de encargos trabalhistas, decidiram contratar as trabalhadoras como diaristas. A elas, só resta a alternativa de contribuírem, por conta-própria, para a Previdência, como autônomas (11% do salário mínimo, ou seja, R$ 124,00) ou como microempreendedoras individuais (MEI), com a alíquota de R$ 54,90 por mês.

“Com isso, a PEC acabou ficando só no papel e depois que esse governo entrou, o regime escravocrata aumentou, porque a crise aumentou e a gente não consegue trabalho registrado. Não tem mais respeito”, afirma Cleide se referindo ao governo de Jair Bolsonaro.

As diaristas são uma das categorias mais afetadas pela pandemia do novo coronavírus.  De acordo com pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva, 39% dos patrões que dispensaram diaristas durante a quarentena não pagam a diária e o Auxílio Emergencial de R$ 600 ainda é um soinho distante para a maioria delas. 

Crise

Com a reforma Trabalhista do governo do ilegítimo Michel Temer (MDB), que conforme lembra a presidenta da Fenatrad, “ia gerar monte de emprego, mas não gerou nenhum”, e com a falta de um plano econômico do governo de Jair Bolsonaro para promover desenvolvimento com geração de emprego e renda, as empregadas domésticas sofrem ainda mais.

Cleide Pereira conta que recebe todos os dias em seu sindicato, trabalhadoras desesperadas com a situação financeira. “As diaristas não têm trabalho e estão no sufoco. Agora, com a pandemia do coronavírus, elas praticamente estão passando fome, não têm dinheiro para o aluguel, foram morar de favor na casa de parente”, ela diz, complementando que a maioria delas é mãe solteira e sustenta a casa e os filhos, sozinha.

SAIBA MAISPandemia do Coronavírus pode deixar 4, 6 milhões de domésticas sem sustento

Junéia Batista afirma também que o momento atual, de crise por causa da pandemia do coronavírus, fez com que muitas trabalhadoras perdessem o emprego. “Muitas com carteira assinada foram demitidas e diaristas não estão conseguindo trabalho e estão recorrendo à solidariedade das colegas para poderem sobreviver porque poucos empregadores, como mostrou a pesquisa, continuaram pagando as diárias”, ela diz.

Outro drama vivido pelas empregadas domésticas é o descumprimento das obrigações trabalhistas por parte dos patrões, já que não há uma forma efetiva de fiscalização no local de trabalho, geralmente um ambiente privado e doméstico. “O sindicato só pode ir até o local para confirmar a denúncia e encaminhar para uma delegacia. O auditor fiscal do trabalho também não pode ir ao local, só pode mandar notificação, então com tudo isso, fica difícil ter o direito respeitado”, explica Luiza Batista, presidenta da Fenatrad.

Ela relata casos de trabalhadoras com 20 e até 30 anos de serviço na mesma casa, que procuram os sindicatos denunciando os patrões por não terem recolhido os encargos. “Elas trabalharam muito tempo e quando vai ver, o patrão recolheu só um ano ou dois de INSS”, afirma a dirigente.

Ela critica a falta de uma legislação que puna efetivamente o empregador nesses casos e proteja as trabalhadoras. “Não existe multa pesada para o patrão. Os juízes dizem que não são fiscais da previdência e a previdência, que não cobra os empregadores, nega o benefício na hora da aposentadoria”.

A corda sempre arrebenta do lado mais fraco”, ela conclui.

Desrespeito ao ser humano

É muito comum a frase “ela é como se fosse da família”, dita por patrões (e patroas) sobre a relação de trabalho dentro da casa. Mas para Cleide Pereira, essa forma de tratamento abre caminho para a exploração e o desrespeito aos direitos das trabalhadoras.

“Quando um patrão fala para a trabalhadora que ela é da família, é assédio moral. A maioria tem pouca escolaridade e tem uma vida muito sofrida. Elas são carentes e, querendo ou não, estão dentro de uma casa, de uma outra família e é fácil se apegar”, diz a sindicalista.

Ela conta que trabalha há 35 anos em uma mesma casa e que ao longo dos anos, aprendeu ‘a separar as coisas’. “Tenho amizade, claro, com a família, mas ali é meu trabalho. A maioria, principalmente babás acabam se apegando aos patrões, que se aproveitam disso para explorar o trabalho. Se quer mesmo que seja da família, coloca pra dormir no quarto de hóspedes, coloca no testamento”, afirma.

De acordo com Cleide, por esse tipo de relacionamento com os patrões, as trabalhadoras acabam tendo medo de procurar a justiça. “Elas dizem ‘meu patrão é bonzinho’, mas se fosse mesmo, teria pago os direitos”, afirmando dizendo que a categoria não quer esse tipo ‘reconhecimento’.

Reconhecimento de verdade é respeitar os direitos dar valor ao trabalho. Não queremos ser da família de ninguém, temos nossa família. Queremos reconhecimento do nosso trabalho do nosso valor, dos nossos direitos, respeito como pessoa.
- Cleide Pereira


27 de abril

Luiza Batista também cobra respeito da sociedade às trabalhadoras domésticas. “Buscamos uma reparação histórica porque o trabalho doméstico é uma herança direta da escravidão”, ela diz.

A presidente da Fenatrad lembra que todas outras categorias não existiam na época da escravidão. “Eram só os escravos que serviam aos senhores enquanto seus filhos iam estudar na Europa e para que a ‘casa grande’ tivesse uma vida de conforto explorando esses escravos”.  

Luiza reforça que a trabalhadora doméstica quer ser tratada e respeitada como profissional, como categoria da classe trabalhadora. De acordo com ela, ao contrário do que se pensa, o trabalho de uma empregada doméstica gera lucro indireto para a sociedade.

“É por meio do nosso trabalho que as mulheres, principalmente, se inserem no mercado de trabalho, em outras profissões. Nosso trabalho proporciona tempo para que todos estejam inseridos”, ela completa.

Políticas públicas

Luiza Batista ainda afirma que a maioria das trabalhadoras domésticas mora nas periferias das cidades e que, por isso, têm acesso mais difícil a políticas públicas como creche para seus filhos e atendimentos em postos de saúde.

“A gente precisa de escolas integrais para os nossos filhos, de creches e de mais investimentos em saúde, para que a gente vá até um posto e tenha vaga para ser atendida. Isso é política pública que beneficia diretamente a nossa categoria”, ela diz.

Pandemia

Muitas trabalhadoras domésticas estão sofrendo consequências diferentes por causa da pandemia do coronavírus.  Aquelas que perderam o emprego ou passam por dificuldades por não poder trabalhar como diaristas, têm de esperar a boa vontade do Governo Federal para liberar o auxílio emergencial de R$ 600,00. A categoria registra também suspensão de contratos de trabalho e ainda, trabalhadoras que tiveram de continuar trabalhando, com risco de exposição ao vírus e sem nenhuma forma de proteção.

Foi o caso da primeira morte por Covid-19 no Rio de Janeiro. Uma trabalhadora de 63 anos que era empregada em uma residência de uma patroa infectada com o vírus, no bairro Leblon. De acordo com Cleide Pereira, muitos são os casos de trabalhadoras que são obrigadas a continuar trabalhando, correndo os riscos.

A Fenatrad lançou uma campanha para exigir providências as autoridades para que a categoria possa ter maior proteção.

Uma das reivindicações é que os empregadores liberem suas trabalhadoras domésticas, com salário, e se possível, com antecipação de férias e 13° salário. Além disso, no caso de ser imprescindível a presença da trabalhadora no local de trabalho, que sejam respeitadas e reforças as regras de segurança como o fornecimento de luvas, máscaras, álcool-gel e pagamento de transportes alternativos para evitar os transportes públicos.

A campanha conta um abaixo-assinado para pressionar órgãos como o Ministério da Economia, a Previdência Social e o Congresso Nacional para que adotem medidas de proteção à categoria.

Live

Na tarde desta segunda-feira, às 17h, a presidenta da Fenatrad, Luiza Batista, fará uma transmissão ao vivo pela página do Facebook da entidade, fazendo um resgate histórico da luta das trabalhadoras domésticas ao longo dos anos.

Além da dirigente, participam Creuza Oliveira, Secretária-Geral da Fenatrad, Mylena Calasans, assessora jurídica da federação e José Ribeiro, representante da OIT no Brasil, além do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs-CUT), Julismar Roberto.

Dados

Segundo dados Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad-Continua), do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no trimestre móvel encerrado em dezembro de 2019, o Brasil tinha 6,356 milhões de trabalhadores domésticos. Desse total, 4,598 milhões eram informais, ou seja, sem carteira assinada.

Em relação ao mesmo período de 2018, houve queda de 3% no número de pessoas com carteira assinada, passando de 1,819 milhão para 1,764 milhão.

O salário médio no último trimestre de 2019 foi de R$ 897,00.

A coordenação do Comando Nacional dos Bancários e a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa se reúnem com a direção do banco na manhã desta segunda-feira (27). Neste momento, antes do encontro, o comando e a CEE fazem videoconferência para definir os critérios pra negociação.

A pauta principal são as enormes filas que se formam frequentemente nas portas das agências, devido a falta de informação sobre o pagamento do auxílio emergencial.

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