A Caixa Econômica Federal apresentou, no último sábado, 29 de agosto, em São Paulo, o que classificou como sua proposta final para o Saúde Caixa. O tema concentrou boa parte da décima rodada de negociações específicas entre o banco e a Comissão Executiva dos Empregados (CEE), dentro da Campanha Nacional dos Bancários 2026. A representação dos empregados deixou claro que a apresentação da proposta não significa sua aprovação. O conteúdo será levado ao Comando Nacional dos Bancários e, posteriormente, às assembleias que serão realizadas em todo o país, das 19h de quinta-feira (3) às 19h de sexta-feira (4). Antes da votação, na quarta-feira (2), às 19h, haverá uma plenária explicativa para apresentar a proposta e tirar dúvidas dos empregados.
Proposta para o Saúde Caixa
O modelo apresentado pela Caixa modifica a forma de cobrança em relação ao acordo atual. Segundo a proposta, para os empregados da ativa, a contribuição passará a variar de acordo com a idade do titular e de cada dependente . “Estivemos em negociações durante 36 horas. Fizemos o debate de toda a minuta de reivindicações do acordo coletivo. O banco finalmente apresentou uma proposta para o Saúde Caixa, incluindo um aporte de recursos e também uma mudança no formato do custeio, que precisa ser avaliado pelos empregados e empregadas para que a gente possa decidir na assembleia desta quinta-feira (3/9). Faremos também plenárias para tirar todas as dúvidas sobre a proposta de acordo”, disse Rogério Campanate, diretor do Sindicato do Rio e membro da CEE-Caixa.
Para os aposentados e pensionistas, a contribuição do titular passaria de 3,5% para 4,5% da remuneração-base, enquanto a mensalidade por dependente passaria dos atuais R$ 480 para R$ 660. O teto de comprometimento da renda do grupo familiar subiria de 7% para 9%. A proposta mantém as 13 mensalidades anuais.
Os dependentes indiretos, entre eles filhos de 21 a 27 anos, ficam fora do teto familiar. Deixa de haver a diferenciação que existia entre as faixas de 21 a 24 e de 24 a 27 anos. Todos os usuários terão um piso de R$ 50. A tabela e as demais regras constam da apresentação feita pelo banco durante a reunião.
Para estimular o uso da telemedicina, que gera menos custos para o plano, esse tipo de consulta passaria a ser isento de coparticipação. Internações e tratamentos oncológicos também seguem isentos. O valor da consulta em pronto-socorro subiria dos atuais R$ 75 para R$ 150, e o limite anual por grupo familiar passaria de R$ 3.600 para R$ 4.800. A proposta prevê ainda recadastramento anual dos titulares e grupos familiares e abertura de um prazo de 90 dias para adesão de titulares que atualmente estejam fora do Saúde Caixa. Encerrado esse período, quem cancelar sua adesão não poderá voltar ao plano. A regra é mais restritiva que a vigente, que permite nova inscrição após dois anos de ausência, mediante cumprimento das condições previstas no ACT. Segundo a Caixa, a intenção é proteger a sustentabilidade e o mutualismo do plano.

Debate do Teto em 2027
A Caixa informou que as medidas propostas para os usuários representam aproximadamente R$ 190 milhões adicionais em 2026, enquanto o banco afirmou que colocará cerca de R$ 543 milhões para ajudar no equacionamento do resultado do plano neste ano, inclusive por meio de medidas extraordinárias. E pretende iniciar, após o período de restrições eleitorais, os procedimentos internos e externos necessários para ampliar, em 2027, o atual teto de 6,5% da folha de pagamento e dos proventos que limita sua participação no Saúde Caixa. Outro tema colocado pela empresa foi o estudo de mudanças como a constituição de CNPJ próprio e a busca de novas fontes de receita. A CEE lembrou que o acordo em vigor já estabelece que alterações estruturantes devem ser debatidas com a representação dos empregados e exigiu que qualquer estudo seja submetido à mesa de negociação antes de sua implementação.
Remuneração variável, PFG, PCS e PSI
Outro avanço da reunião foi o acordo para a criação de um único GT para tratar de remuneração variável, PFG, PCS e PSI. A CEE havia defendido dois grupos distintos, um para trajetória profissional e outro para remuneração variável, mas aceitou a concentração dos quatro temas, desde que seja construído um calendário mais intenso, com início dos trabalhos logo após a conclusão da campanha e ainda em 2026. Na remuneração variável, a pauta dos empregados inclui a revisão integral do Super Caixa, negociação prévia das regras, transparência dos critérios e adoção do princípio “vendeu, recebeu”, além de tratamento isonômico entre rede, centralizadoras e matriz. A minuta também reivindica a negociação do Bônus Caixa e dos demais programas que interfiram na remuneração.
Figital e Genesys
No caso do Genesys, o banco se comprometeu a suspender, até 31 de dezembro, a penalização no Alcance.Caixa decorrente do transbordo do atendimento e ampliar de cinco para dez minutos o prazo antes do transbordo. Mesmo depois dos dez minutos, a unidade não será penalizada pelo indicador durante o período de suspensão. A CEE quer ainda discutir o próprio desenho dos modelos, inclusive o atendimento simultâneo presencial e digital, a sobrecarga e os impactos sobre a organização do trabalho.
Licenças de saúde e abono
Em relação ao adiantamento salarial nos afastamentos por licença de saúde, a Caixa propôs que, quando o benefício for inicialmente indeferido pelo INSS, a cobrança para devolução do adiantamento não seja iniciada enquanto houver possibilidade de recurso. Somente após uma decisão definitiva começaria o procedimento de devolução. A empresa também propôs tornar facultativo o recebimento do adiantamento. A CEE defendeu a lógica inversa: manter o pagamento automático, como ocorre atualmente, e permitir que o trabalhador manifeste sua opção por não receber, evitando que alguém afastado por doença tenha de realizar procedimentos adicionais justamente em um momento de maior vulnerabilidade. A Caixa também apresentou como proposta a possibilidade de converter dez dias de férias em abono pecuniário, independentemente do período de descanso. O movimento sindical cobrou ainda que a paralisação do dia 20, que será abonada, não interrompa contagens funcionais relacionadas a substituições por prazo, exercício de funções e demais efeitos que possam gerar prejuízos posteriores aos empregados. Ao longo das rodadas, a Caixa apresentou propostas sobre Promoção por Mérito, Saúde Caixa, pessoas com deficiência, monitoramento de metas, atendimento digital, carreira e outras condições de trabalho.
Em alguns pontos, houve avanços, como a retirada do Alcance.Caixa dos critérios da Promoção por Mérito, a previsão de pagamento dos deltas em janeiro e a suspensão do processo de migração das funções de caixas e tesoureiros para negociação com a representação dos empregados.
Em outros temas, especialmente no Saúde Caixa, permanecem divergências importantes. Por isso, a CEE ressalta que a proposta apresentada pela Caixa será submetida à avaliação dos empregados, que terão a palavra final nas assembleias da Campanha Nacional 2026.