Carlos Vasconcellos
Imprensa SeebRio
Como nas Diretas Já, nos anos 80, em que milhões de brasileiros foram às ruas pedir democracia e o fim da ditadura militar, cresce o movimento popular em defesa da vida, da geração de empregos e renda e da retomada do desenvolvimento econômico e pelo impeachment do presidente Bolsonaro.
A expectativa é de que neste sábado, 24 de julho, multidões tomem as ruas de todo o país para protestar. No Rio, a concentração será novamente em frente ao monumento de Zumbi dos Palmares, a partir das 10 horas, na Avenida Presidente Vargas, seguindo em passeata até à Candelária.
Cresce apoio ao impeachment
Partidos de centro e centro-direita, como o PSDB, também já aderiram ao movimento que tem na vanguarda, partidos de esquerda e movimentos sociais.
“Não faltam motivos para todos os trabalhadores e até os micros e pequenos empresários participarem do ato. O desprezo de Bolsonaro pelas mortes de Covid-19 e o fato do governo não ter comprado 70 milhões de vacinas Pfizer no ano passado, a corrupção na compra de vacinas e a política econômica de Paulo Guedes de retirar direitos e privatizar bancos e empresas públicas, aumentos seguidos de combustíveis e gás de cozinha e a inflação que afeta ainda mais os pobres são razões mais do que suficientes para todos participarem dos protestos. O Brasil não aguenta mais um dia deste desgoverno”, disse Almir Aguiar, secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT.
Bolsonaro e o Centrão
Fragilizado e com a popularidade derretendo, Bolsonaro indignou muitos de seus próprios seguidores ao descumprir uma de suas principais promessas de campanha eleitoral, em 2018: o de não se aliar jamais ao Centrão. Na ocasião, o general Heleno Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), cantarolou: “Se gritar pega Centrão, não fica um, meu irmão”…
Agora, Bolsonaro loteia mais cargos e cria mais ministérios para o setor mais fisiológico do Congresso Nacional e declarou: “Eu sou e sempre fui do Centrão”. Já o general Heleno teve a cara de pau de dizer que “mudou de opinião em relação ao Centrão”. A aliança inusitada busca salvar Bolsonaro do impeachment, já que não faltam crimes de responsabilidade cometidos pelo Presidente da República comprovados pela CPI da Covid-19 e investigações do Supremo Tribunal Federal de participação da família Bolsonaro nas fake news do chamado “Gabinete do ódio”. De olho também na reeleição em 2022, o governo busca base de apoio nos estados para um governo que não tem nenhum projeto, nenhuma obra relevante como cartão de visitas para apresentar e aprofundou a crise econômica, levando o Brasil para o fundo do poço numa das mais graves crises da história.
Proteste e previna-se – Os organizadores do movimento lembram que todos os participantes devem usar máscaras e álcool em gel, pois os cuidados de prevenção à pandemia precisam continuar.
Você tem muitos motivos para participar dos protestos
- Bolsonaro não comprou 70 milhões de vacinas Pfizer, em 2020, matando milhares de brasileiros e brasileiras
- Corrupção: o governo comprou vacinas 1.000% mais caras e máscaras 77% acima do preço
- Bolsonaro disse que a Covid-19 era “uma gripezinha” e em suas lives sempre debochou da pandemia, desrespeitando as famílias em luto
- O ministro Paulo Guedes quer privatizar bancos e empresas públicas, gerando mais desemprego e extinguindo a função social destas instituições, que o setor privado jamais irá desempenhar
- A reforma tributária de Guedes põe fim aos tíquetes refeição e alimentação, acabando com a redução fiscal para empresas que oferecem o benefício aos seus empregados. O projeto vai falir milhares de bares e restaurantes.
- A reforma da previdência reduziu pela metade o valor das pensões e reduziu em até 40% as aposentadorias e o trabalhador terá que contribuir 40 anos para receber o valor integral
- Seguidas vezes, o Presidente da República e seus ministros militares ameaçam a democracia com discurso em defesa de um golpe e contra a democracia.