Quando se fala em movimento sindical, alguns jovens, por desconhecimento da história, torcem o nariz e têm uma imagem absolutamente distorcida da atuação das entidades de trabalhadores, resultado, em grande parte, dos ataques promovidos pela extrema direita e por setores da grande mídia.
Muitos desses trabalhadores e trabalhadoras, porém, não sabem que boa parte dos direitos e conquistas que possuem é fruto desta organização coletiva da classe trabalhadora e da luta do movimento sindical.
As próprias liberdades democráticas também custaram o sangue e a vida de muitos dirigentes sindicais que enfrentaram a ditadura militar e lutaram pela redemocratização do país.
Nasce uma nova Central
Fundada em 28 de agosto de 1983, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) nasceu em meio à grave crise econômica que atingiu o Brasil nos anos 1980, marcada por desemprego elevado, inflação explosiva e um ambiente político ainda dominado pelo autoritarismo da ditadura militar.
Nesta sexta-feira (28), a entidade completa 43 anos de existência e de uma trajetória marcada pela organização e pelas lutas em defesa da classe trabalhadora.
A CUT já nasceu enfrentando um grande desafio: a legislação sindical vigente na época, que impunha restrições à organização conjunta de trabalhadores de diferentes categorias.
A Central foi a primeira organização de caráter intersindical e intercategorial criada no país após o golpe militar de 1964 e também a primeira central sindical brasileira construída a partir de um processo de organização democrática nas bases dos trabalhadores.
Uma história de conquistas
Ao longo de sua trajetória, a CUT esteve à frente de importantes lutas e conquistas da classe trabalhadora, inclusive da categoria bancária. Entre elas estão a política de valorização real dos salários, o fortalecimento da negociação coletiva e a redução da jornada de trabalho.
O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, José Ferreira, destaca a importância da CUT para os trabalhadores e para o país. “Nascida a partir das lutas operárias da década de 1970, do combate à crise econômica da década de 1980 e da necessidade de articulação das lutas gerais da classe trabalhadora, como a valorização dos salários, preservando a autonomia frente ao Estado e lutando pela democracia nas relações de trabalho, essa organização e trajetória tornaram a CUT uma referência para o sindicalismo classista, tornando-a a maior central sindical brasileira e uma das maiores do mundo”, destacou.
Contra o preconceito e a discriminação
O combate a todas as formas de preconceito e discriminação sempre foi uma importante bandeira da CUT. A Central participa das lutas por avanços nos direitos das mulheres e da população negra e pela igualdade racial, de gênero e de orientação sexual. Para Almir Aguiar, secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, a entidade tem papel importante na luta contra o racismo e na defesa dos direitos da população negra. “A CUT teve e tem um papel muito importante nos espaços conquistados pela comunidade negra e por toda a população marginalizada. Sua trajetória acompanha a luta dos movimentos negros, à medida que a igualdade de oportunidades e o fim do preconceito são bandeiras históricas da entidade”, declarou.
Em defesa da democracia
A CUT também teve e continua tendo papel relevante na defesa da democracia. Desde a luta pelo fim da ditadura militar e pelas eleições diretas, com a campanha Diretas Já!, até os dias atuais, a Central participa da resistência aos ataques à democracia e ao Estado de Direito, inclusive diante da tentativa de golpe de Estado ocorrida em 8 de janeiro de 2023.
Menos IR e redução da jornada.
A CUT continua mobilizada em torno das principais demandas da classe trabalhadora, como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês e a redução do imposto para salários de até R$ 7.350, o fim da escala 6×1, o combate à violência contra as mulheres e a regulamentação das novas formas de trabalho, como as atividades realizadas por meio de aplicativos.
“Por isso, a CUT faz parte da vida de milhões de trabalhadoras e trabalhadores brasileiros, como destaca a presidenta da Federa-RJ (Federação das Trabalhadoras e Trabalhadores no Ramo Financeiro do Estado do Rio de Janeiro) e presidenta em exercício da CUT-RJ, Adriana Nalesso.
“A CUT completa 43 anos como a maior organização sindical da América Latina e protagonista indispensável na conquista e defesa dos direitos da classe trabalhadora no Brasil. A atuação da CUT reflete diretamente no dia a dia de milhões de brasileiros, articulando lutas locais e nacionais com o objetivo de garantir condições dignas de vida e trabalho. Como exemplo, temos a luta pelo fim da escala 6×1, a política de valorização do salário mínimo, a equidade salarial entre homens e mulheres e o combate ao assédio, à homofobia, à misoginia e à transfobia, entre tantas outras. Além disso, há a luta constante pela implementação de Normas Regulamentadoras (NRs) rigorosas para a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais em diversos setores”, afirmou Adriana.
