Moradores acusam ação policial em São Gonçalo de guerra para proteger milícias do Rio

GUERRA PARTICULAR - Camburão do Bope, no Salgueiro, em São Gonçalo: polícia agiu contra traficantes que disputam comunidades da Zona oeste do Rio, dominado pelas milícias

Carlos Vasconcellos

Imprensa SeebRio

A operação das polícias civil e militar na comunidade do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, deixou pelo menos 11 mortos. O objetivo do Bope mirava lideranças de facção criminosa que estariam agindo na Zona Oeste da capital e que estariam recebendo apoio de criminosos de outros estados. Leonardo da Costa, o Leo 41, de 37 anos, chefe do tráfico de drogas no Pará, foi um dos mortos.

Mas a ação vem sendo questionada por moradores da comunidade do Salgueiro, que preferem não se identificar e acusam a polícia de estar agindo para proteger o crime organizado das milícias do Rio de Janeiro, que dominam bairros como Campo Grande e Inhoaíba.  A suposta guerra privada na cidade já vem sendo denunciada por acadêmicos especialistas na violência do Rio.

Guerra em bairros pobres

Segundo a investigação, Leo 41 assumiu a chefia da principal facção no Pará após a prisão de Claudio Augusto Andrade, o Claudinho do Buraco Fundo, em setembro de 2020. Desde então, de dentro das comunidades do Grande Rio, ele coordenava um plano de expansão da organização com a compra de armas e munições, financiada por tráfico de drogas, roubo, extorsões e sequestros, tendo como alvo tomar as regiões dominadas por milicianos.

“Na guerra entre polícia e marginais, tráfico e milícia, quem paga caro são os moradores das comunidades pobres, formada por maioria negra. Será que uma ação como essa aconteceria na Barra da Tijuca, onde é de conhecimento público que milicianos e políticos ligados a eles moram em mansões, em condomínios de luxo?”, questionou o Secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), Almir Aguiar.

“Está mais do que provado que este modelo de aparato de guerra não reduz a violência e não trará a pacificação social que o Brasil precisa, mas o uso da inteligência. O combate direto só em último caso e, a longo prazo, educação integral,  justiça social, geração de empregos e renda”, concluiu Almir.