O Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro realizou, na última segunda-feira (27), uma palestra sobre LER/Dort, a segunda maior causa de afastamento de bancárias e bancários do trabalho. O evento “LER/Dort em Bancários: a dor que pode afastar você do trabalho”, realizado no auditório da entidade, contou com a presença do médico ortopedista e traumatologista Antônio Alves Rosa Júnior, membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e mestre em Medicina pela Universidade de Lisboa. A data da atividade não foi ao acaso, pois é o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho.
Descaso dos bancos
Antônio Alves Rosa iniciou sua palestra criticando a postura dos bancos em relação à saúde da categoria. “Cerca de 30% dos afastamentos do trabalho no mundo são causados por LER/Dorts, que representam a segunda maior causa de afastamentos laborais. Mas muitos trabalhadores acabam continuando a trabalhar mesmo doentes”, afirmou.
Segundo o especialista, as mulheres são as principais vítimas das lesões por esforços repetitivos em razão da tripla jornada. “Além da ocupação profissional, elas ainda precisam cuidar da casa, dos filhos e, muitas vezes, do marido”, observou.
“A maior parte dos empregados é acometida por essas doenças no auge da vida profissional, entre os 30 e os 40 anos de idade”, acrescentou, destacando a importância do diagnóstico precoce.
Importância das pausas
O ortopedista ressaltou a importância do cumprimento da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que, a cada 50 minutos de trabalho, o trabalhador tenha direito a dez minutos de pausa.
“O bancário muitas vezes não consegue tempo nem para ir ao banheiro, quanto mais para fazer essas pausas”, afirmou, criticando o ritmo acelerado de trabalho imposto pela cobrança de metas.
Desafios do home office
O especialista destacou ainda que o trabalho híbrido e remoto pode agravar essas doenças. Segundo ele, isso ocorre porque, em casa, o empregado geralmente não dispõe de mobiliário e equipamentos ergonômicos adequados, além de sofrer com o isolamento social e interrupções familiares frequentes, algumas vezes necessárias.
Direitos do trabalhador
Antônio Alves defendeu que, nos casos de LER/Dorts, o ideal é o enquadramento no benefício B91, quando o INSS reconhece o nexo entre a doença e a atividade profissional, ou, quando houver incapacidade permanente para o trabalho, o B94, previsto também pela legislação. O médico também ressaltou a importância da emissão da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), documento que, segundo ele, muitas vezes deixa de ser emitido pelos bancos. Nesses casos, orientou os trabalhadores a procurarem o Sindicato.
O presidente do Sindicato, José Ferreira, lembrou que a entidade tem levado esses dados à mesa de negociação com a Fenaban. “Mostramos na mesa de negociação com a Fenaban que somos apenas 1% da força de trabalho no Brasil, mas representamos 25% dos afastamentos concedidos pelo INSS por problemas de saúde. Isso comprova que os bancários adoecem muito mais do que trabalhadores de outras categorias”, afirmou.
O diretor executivo de Saúde do Sindicato, Edelson Figueiredo, ressaltou que a palestra integra o projeto “Saúde em Movimento” e que, em celebração ao “Setembro Amarelo” – campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio e valorização da vida – o Sindicato promoverá uma nova palestra com um psicólogo.
