É HORA DE MOBILIZAÇÃO

Lucros dos bancos permitem remuneração digna e melhores condições de saúde e de trabalho

Comando defende aumento real de salário, melhoria do piso, reajuste maior dos tíquetes e valorização da PLR. Saúde e condições de trabalho também deverão estar na mesa desta terça-feira (4)

Sérgio Menezes, Carla Guimarães, Sérgio Amorim e Rogério Campanate: os dirigentes sindicais dialogaram com a categoria sobre a Campanha Nacional

O Comando Nacional dos Bancários esteve reunido na quinta-feira passada (30/7), com representantes da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), em São Paulo. Desta vez, o debate girou em torno das cláusulas econômicas.
O Comando defendeu aumento real de salário, melhoria do piso da categoria, criação de um piso específico para o pessoal de Tecnologia da Informação (TI) e reajuste maior dos tíquetes alimentação e refeição, tendo em vista que a inflação dos alimentos tem se mostrado maior que a inflação em seu conjunto.
O movimento sindical reivindica ainda a adoção de um piso para os trabalhadores em TI e, para as funções de entrada na categoria em geral.
No encontro, os dirigentes sindicais retomaram os itens sobre saúde e condições de trabalho, que também não avançaram.

Aumento real é prioridade

A Consulta Nacional dos Bancários deste ano registrou que o aumento real nos salários é prioridade para 93% da categoria, seguido do aumento da, PLR, com 63%, e do reajuste maior no vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA), com 51%. Os representantes da categoria bancária reivindicaram ainda a valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) pois se considerado o lucro dos bancos o percentual de distribuição tem diminuído. José Ferreira, presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e membro do Comando Nacional, explicou que na questão relacionada ao piso da categoria os sindicalistas defenderam o valor do salário mínimo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) que em junho foi de R$ 8.110,92.

Lucros crescem

Em 2025, juntos, os cinco maiores bancos lucraram R$ 124 bilhões. Considerando todo o setor, o lucro líquido registrado foi de R$ 171 bilhões. No mesmo ano, o patrimônio líquido do setor bancário atingiu o montante de R$ 1,2 trilhão, valor 25 vezes maior do que a soma do patrimônio líquido dos setores eletroeletrônica e mecânica (R$ 48 bilhões), que ocupam os primeiros lugares no ranking dos mais rentáveis do país.

Mesa única

Ao final da rodada, o Comando Nacional dos Bancários reafirmou não abrir mão da mesa única de negociação (bancos privados e públicos). “Lembramos que em todo o país os bancários e seus sindicatos se manifestaram contra o ataque a esta conquista da categoria, da qual não abriremos mão. Não vamos aceitar a divisão da nossa categoria”, afirmou Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT.
A presidenta da Federa-RJ, Adriana Nalesso, avaliou ter sido uma negociação difícil, como sempre. “Lembramos na mesa de negociação que os bancos lucraram ano passado mais de R$ 128 bilhões. A nossa pauta é justa e legítima e vamos insistir porque a forma de valorizar os bancários são reajustes dos tíquetes acima da inflação devido à alta maior dos alimentos; e também melhoras na PLR. A Fenaban ficou de nos apresentar uma resposta na próxima negociação em 4 de agosto”, afirmou.