Frustração. Esta foi a palavra que definiu a rodada de negociação entre a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) e a direção da empresa, realizada nesta quarta-feira, 5 de agosto. A avaliação é do diretor executivo de Bancos Públicos do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e representante da Federa-RJ na mesa de negociação, Alexandre Batista. Após semanas de negociações sobre remuneração, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), carreira, saúde e condições de trabalho, os representantes dos trabalhadores esperavam que o banco apresentasse uma proposta global. No entanto, a direção do BB não trouxe nenhuma resposta concreta às reivindicações da categoria, o que provocou indignação entre os funcionários.
“Já tivemos negociações durante todo o mês de julho e entramos em agosto sem que a direção do Banco do Brasil apresentasse qualquer devolutiva aos nossos pleitos. O banco fez uma apresentação completamente distante da realidade vivida pelo funcionalismo. Continuamos lutando por um piso salarial justo, pela valorização da carreira por mérito e pela revisão do Plano de Cargos e Salários”, criticou Alexandre Batista.
Novos concursos em 2027
Alexandre Batista voltou a cobrar a contratação urgente de novos funcionários concursados. “Sabemos que, por causa do período eleitoral, este ano não será possível realizar concursos públicos. Mas cobramos que o banco, ao menos, sinalize o quanto antes a realização de um novo concurso em 2027. A situação das agências está insustentável”, afirmou. O dirigente sindical lembrou que, no Rio de Janeiro, diversas unidades têm enfrentado dificuldades para abrir pontualmente por falta de empregados, como o Sindicato verificou em prelos menos duas agências, uma de Botafogo e outra em Ipanema. “Isso acontece em todo o país”, acrescentou.
A coordenadora da CEBB, Fernanda Lopes, reforçou a preocupação. “Filas enormes, colegas sobrecarregados, pressão por metas e até agências fechadas por falta de funcionários para atender os clientes. Todos esses problemas foram levados à mesa de negociação e só serão solucionados com a contratação de mais bancárias e bancários por meio de concurso público”, afirmou.
O movimento sindical também criticou a ampliação da contratação de correspondentes bancários pelo BB. Segundo a CEBB, além de representar uma forma de terceirização que precariza as relações de trabalho e amplia o acesso desses correspondentes à carteira de clientes do banco, fragilizando a segurança das informações.
Metas continuam abusivas
A escassez de funcionários nas agências tem provocado sobrecarga de trabalho e adoecimento. A situação é agravada pela manutenção de metas consideradas abusivas. Mesmo nas unidades que operam com quadro reduzido de empregados e enfrentam dificuldades para manter o atendimento, as metas permanecem inalteradas. Assim, trabalhadores que já acumulam funções acabam sendo cobrados nos mesmos níveis das demais agências, tornando ainda mais difícil o cumprimento dos objetivos estabelecidos pelo banco.
Isonomia para funcionários egressos
Alexandre Batista também defendeu tratamento igual para os trabalhadores oriundos de bancos incorporados pelo Banco do Brasil. “Se esses bancários têm os mesmos deveres dos demais funcionários, também devem ter os mesmos direitos”, afirmou. A CEBB reivindica isonomia no acesso à Cassi e à Previ para esses empregados.
Melhorias na Previ
Em relação à Previ, fundo de pensão dos funcionários do BB, a representação dos trabalhadores reivindicou melhorias na Tabela PIP (Pontuação Individual do Participante), utilizada no plano Previ Futuro para o cálculo das contribuições adicionais. O objetivo é ampliar o número de trabalhadores beneficiados pela valorização da previdência complementar.
PCS/PCR e valorização da carreira
Durante a negociação, os representantes do banco apresentaram dados para sustentar que existe crescimento profissional no BB e questionaram os pedidos de reajuste econômico contidos na minuta de reivindicações. A CEBB rebateu os argumentos e destacou que a pauta foi construída de forma democrática, com a participação de trabalhadores de todo o país, refletindo as necessidades reais do funcionalismo.
Entre as reivindicações dos trabalhadores está o aperfeiçoamento do Programa de Cargos e Salários (PCS), também chamado de Programa de Carreira e Remuneração (PCR), com revisão dos critérios de progressão, valorização do mérito, reajuste dos adicionais de função e atualização dos vencimentos.
A comissão também criticou o afastamento do Banco do Brasil de seu papel como banco público. “O Banco do Brasil pratica hoje algumas das maiores taxas de juros no crédito consignado para servidores públicos. Isso contraria a função social de um banco público e, ao mesmo tempo, exige que os funcionários cumpram metas vendendo crédito com juros elevados”, questionou Fernanda Lopes.
Outro ponto criticado foi a composição da remuneração. Segundo a CEBB, existe uma verba complementar de função que impede que os avanços na carreira resultem em aumento efetivo do salário. À medida que o funcionário progride por mérito ou antiguidade, essa verba é reduzida, anulando parte do ganho obtido. “Esse modelo transformou o que deveria ser piso em teto salarial”, resumiu Fernanda.
Mobilização já e nova negociação no dia 14
Representantes dos trabalhadores e da direção do Banco do Brasil voltarão a se reunir no dia 14 de agosto. A expectativa da CEBB é que, desta vez, o banco apresente respostas concretas às reivindicações da categoria.
“A expectativa de iniciarmos agosto com devolutivas concretas foi frustrada. O banco limitou-se a apresentar números hipotéticos para justificar possíveis negativas e cenários que não correspondem à realidade vivida pelo funcionalismo. Reafirmamos também a necessidade de implantação da verba egressa, que permitiria a incorporação da função ao longo de dez anos, com acréscimo de 10% a cada ano trabalhado. Além disso, reforçamos a importância da revisão do Plano de Cargos e Salários, da progressão por mérito e do piso salarial, que são reivindicações centrais dos trabalhadores”, destacou Alexandre Batista.
O dirigente concluiu ressaltando que a mobilização será decisiva para pressionar o banco. “Esperamos que o Banco do Brasil apresente propostas concretas na próxima rodada de negociação. Para isso, será fundamental manter a categoria mobilizada e vigilante na defesa de seus direitos”, ressaltou.

*Matéria com informações da jornalista Lilian Milena, da Contraf-CUT