AGORA É PRESSÃO TOTAL

Força da categoria nas assembleias leva Fenaban a primeiros recuos, mas bancos insistem em levar decisão para o TST

Forte presença dos bancários nas assembleias levou os bancos a retirarem propostas de reajuste salarial escalonado por faixas e de aumento rebaixado nos tíquetes. No entanto, ausência de uma proposta global digna desafia a categoria a aderir em massa à paralisação na quinta-feira (20)

A Fenaban não apresentou ainda uma proposta global digna para a categoria e ameaça ir ao TST. Comando Nacional convoca os bancários e as bancárias a aderirem em massa à paralisação de 24 horas nesta quinta-feira (20). Fotos: Contraf-CUT

Na negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), realizada nesta terça-feira (18), em São Paulo, os bancos mantiveram a intransigência das rodadas anteriores e reafirmaram a disposição de levar a decisão da Campanha Nacional 2026 da categoria para o TST (Tribunal Superior do Trabalho), apesar de todos os esforços do movimento sindical para encontrar uma saída negociada.

A postura dos bancos empurra a categoria a intensificar ainda mais a mobilização, com a necessidade de forte adesão à paralisação de 24 horas na quinta-feira (20), aprovada nas assembleias online realizadas em todo o país na última segunda-feira (17). Na ocasião, bancários e bancárias rejeitaram a proposta dos bancos de retirada de direitos, e aprovaram, com cerca de 97% dos votos, a paralisação.

As assembleias tiveram forte participação da categoria e expressaram a indignação dos trabalhadores e trabalhadoras que constroem os lucros dos bancos diante da insistência patronal em não valorizar o trabalho de seus empregados. “Recusamos essa tentativa da Fenaban de levar a decisão da Campanha para o TST, pois sabemos que isso vai trazer grande prejuízo para os bancários, a exemplo do que já aconteceu com os funcionários dos Correios, em que o TST e o STF impuseram sérios prejuízos aos trabalhadores”, explica o presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, José Ferreira, que faz parte do Comando e participou da mesa de negociação.

Mobilização trouxe primeiro recuo 

A presença massiva da categoria nas assembleias online realizadas em todo o país na última segunda-feira (17) já garantiu ao menos dois recuos da Fenaban na mesa de negociação, mostrando que a pressão e a organização da categoria podem garantir avanços na Campanha Nacional.

“Tivemos uma grande participação da categoria nas assembleias em todo o Brasil, com mais de 50 mil bancários e bancárias. A demonstração dessa força de mobilização levou a Fenaban a retirar as propostas de reajuste por faixas nos salários e de aumento rebaixado nos tíquetes refeição e alimentação”, disse José Ferreira.

Comando cobra a ultratividade

O Comando Nacional voltou a cobrar dos bancos o retorno da ultratividade — direito que garante a validade das regras previstas em acordos e convenções coletivas de trabalho após o fim da data-base, até que um novo acordo seja firmado —, extinta pela reforma trabalhista promovida durante o governo Michel Temer (MDB). A Fenaban, mais uma vez, negou o pedido.

“É importante registrar que tentamos reverter o fim da ultratividade no Congresso Nacional, que, formado em sua maioria por parlamentares ligados aos empresários, se recusou a rever essa mudança na legislação trabalhista”, acrescentou Ferreira

Nova negociação segunda (24)

O Comando cobrou uma proposta global digna, e os representantes dos bancos disseram que ainda precisam se reunir para tomar uma decisão. A reunião deverá ocorrer nesta sexta-feira (21), com a promessa de apresentar uma nova proposta na próxima segunda-feira (24), durante a nona rodada de negociação deste ano.

“Esse ciclo que começou com as assembleias, na segunda-feira (17), e que levou a aprovação do dia nacional de paralisação, na próxima quinta, é o resultado da má vontade da Fenaban nesta mesa. É uma reação da categoria à falta de propostas por reajuste e melhores condições de trabalho”, destacou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta da Contraf-CUT.

A minuta de reivindicações dos trabalhadores bancários prevê aumento real de salários; valorização da PLR e dos tíquetes refeição e alimentação; melhores condições de saúde e de trabalho, com fim das metas abusivas e do adoecimento da categoria; cobertura dos direitos previstos nas cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) para toda a categoria do país; igualdade de oportunidades, entre outros itens.

Acompanhe aqui em nosso site, novas informações em tempo real.

Calendário de negociações com a Fenaban

Dia 24/08, segunda-feira, às 10h

Dia 25/08, terça-feira, às 9h

Dia 26/08, quarta-feira, às 10h

Dia 27/08, quinta-feira, às 10h

Dia 28/08, sexta-feira, às 10h

 

O presidente do Sindicato do Rio José Ferreira na mesa de negociação com a Fenaban: saída é intensificar a mobilização e realizar uma forte paralisação na quinta-feira (20)

 

.