Na negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), realizada nesta terça-feira (18), em São Paulo, os bancos mantiveram a intransigência das rodadas anteriores e reafirmaram a disposição de levar a decisão da Campanha Nacional 2026 da categoria para o TST (Tribunal Superior do Trabalho), apesar de todos os esforços do movimento sindical para encontrar uma saída negociada.
A postura dos bancos empurra a categoria a intensificar ainda mais a mobilização, com a necessidade de forte adesão à paralisação de 24 horas na quinta-feira (20), aprovada nas assembleias online realizadas em todo o país na última segunda-feira (17). Na ocasião, bancários e bancárias rejeitaram a proposta dos bancos de retirada de direitos, e aprovaram, com cerca de 97% dos votos, a paralisação.
As assembleias tiveram forte participação da categoria e expressaram a indignação dos trabalhadores e trabalhadoras que constroem os lucros dos bancos diante da insistência patronal em não valorizar o trabalho de seus empregados. “Recusamos essa tentativa da Fenaban de levar a decisão da Campanha para o TST, pois sabemos que isso vai trazer grande prejuízo para os bancários, a exemplo do que já aconteceu com os funcionários dos Correios, em que o TST e o STF impuseram sérios prejuízos aos trabalhadores”, explica o presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, José Ferreira, que faz parte do Comando e participou da mesa de negociação.
Mobilização trouxe primeiro recuo
A presença massiva da categoria nas assembleias online realizadas em todo o país na última segunda-feira (17) já garantiu ao menos dois recuos da Fenaban na mesa de negociação, mostrando que a pressão e a organização da categoria podem garantir avanços na Campanha Nacional.
“Tivemos uma grande participação da categoria nas assembleias em todo o Brasil, com mais de 50 mil bancários e bancárias. A demonstração dessa força de mobilização levou a Fenaban a retirar as propostas de reajuste por faixas nos salários e de aumento rebaixado nos tíquetes refeição e alimentação”, disse José Ferreira.
Comando cobra a ultratividade
O Comando Nacional voltou a cobrar dos bancos o retorno da ultratividade — direito que garante a validade das regras previstas em acordos e convenções coletivas de trabalho após o fim da data-base, até que um novo acordo seja firmado —, extinta pela reforma trabalhista promovida durante o governo Michel Temer (MDB). A Fenaban, mais uma vez, negou o pedido.
“É importante registrar que tentamos reverter o fim da ultratividade no Congresso Nacional, que, formado em sua maioria por parlamentares ligados aos empresários, se recusou a rever essa mudança na legislação trabalhista”, acrescentou Ferreira
Nova negociação segunda (24)
O Comando cobrou uma proposta global digna, e os representantes dos bancos disseram que ainda precisam se reunir para tomar uma decisão. A reunião deverá ocorrer nesta sexta-feira (21), com a promessa de apresentar uma nova proposta na próxima segunda-feira (24), durante a nona rodada de negociação deste ano.
“Esse ciclo que começou com as assembleias, na segunda-feira (17), e que levou a aprovação do dia nacional de paralisação, na próxima quinta, é o resultado da má vontade da Fenaban nesta mesa. É uma reação da categoria à falta de propostas por reajuste e melhores condições de trabalho”, destacou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta da Contraf-CUT.
A minuta de reivindicações dos trabalhadores bancários prevê aumento real de salários; valorização da PLR e dos tíquetes refeição e alimentação; melhores condições de saúde e de trabalho, com fim das metas abusivas e do adoecimento da categoria; cobertura dos direitos previstos nas cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) para toda a categoria do país; igualdade de oportunidades, entre outros itens.
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Calendário de negociações com a Fenaban
Dia 24/08, segunda-feira, às 10h
Dia 25/08, terça-feira, às 9h
Dia 26/08, quarta-feira, às 10h
Dia 27/08, quinta-feira, às 10h
Dia 28/08, sexta-feira, às 10h

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