A decisão unilateral dos bancos no Brasil, de fechar agências, não prejudicam apenas a categoria bancária, que sofre com a redução de postos de trabalho e com a sobrecarga de trabalho nas unidades que ainda estão funcionando. Sem nenhuma responsabilidade social, já que é uma concessão pública, pois depende da autorização do estado brasileiro para funcionar, o sistema financeiro nacional reduziu, em dez anos, o número de agências em todo o país, em 36%. A situação é tão prejudicial à população e à economia dos municípios, que já virou notícia na grande imprensa. Após matérias no Globo e na Folha de SP, agora foi a vez do site O DIA repercutir a situação. A notícia, publicada no último dia 29 de junho, mostra dados do Banco Central e cálculos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Municípios sem agências
Segundo o Dieese, o país está com 638 municípios sem nenhuma agência bancária aberta. O motivo: corte de custos para elevar ainda mais os lucros.
Em 2025, os bancos faturaram R$255 bilhões.
Na matéria, o economista e professor da Faculdade Mackenzie, Ricardo Macedo, confirma que a redução de agências está relacionada às novas tecnologias com o avanço das plataformas digitais. “A tecnologia tornou-se ainda mais evidente durante a pandemia, quando esse processo se intensificou. Os bancos acabaram aproveitando esse formato”, explicou.
O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio José Ferreira, que deu entrevista ao Dia, criticou o fechamento de agências. “Compreendemos que os bancos têm lucros que permitem um melhor atendimento aos clientes e à população, e que, portanto, não é necessário o fechamento desse grande número de agências”, criticou, ressaltando que o setor só foca a melhora de seus resultados financeiros, desprezando a população. “Em alguns casos há bairros e regiões que ficam sem nenhuma agência”, completou Ferreira, que falou das visitas que o Sindicato, em parceria com o Procon-RJ, fez este ano às agências, que foram autuadas pelo órgão fiscalizador.
Crescem os golpes digitais
Segundo o BC, houve um aumento no número de queixas dos consumidores, inclusive pela falta de segurança nos canais digitais dos bancos. As fraudes em bancos digitais cresceram significativamente no Brasil: segundo o Serasa, dados recentes mostram que golpes virtuais aumentaram 36% apenas no primeiro trimestre de 2026, registrando quase 15 milhões de tentativas de fraudes.
“Na negociação desta terça-feira (7), vamos tratar do tema central que é o emprego. A reportagem demonstra os efeitos sociais nocivos do fechamento de agências que são a precarização do atendimento, sobrecarga de trabalho para os bancários das agências que absorvem os clientes das agências fechadas e, ainda, o efeito também da redução dos postos de trabalho na categoria bancária, além da falta de segurança nas operações digitais”, explicou Ferreira para o Jornal Bancário.