Contraf-CUT pede adiamento das provas do concurso da Caixa em função da tragédia no RS

Gustavo Mansur/Palácio Piratini
Pedido de adiamento das provas da Caixa feito pela Contraf-CUT é para não prejudicar moradores dos municípios atingidos inscritos no concurso público

 

Carlos Vasconcellos 

Imprensa SeebRio 

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) enviou, nesta quarta-feira (8), um ofício à Caixa Econômica Federal solicitando o adiamento da prova do concurso da Caixa. O objetivo é para não prejudicar os moradores do Rio Grande do Sul, que estão impossibilitados de continuar sua preparação para a prova em decorrência das inundações que atingem grande parte da capital e dos demais municípios gaúchos. 

Justificativas do adiantamento 

No texto, o movimento sindical explica que “a Caixa, sensível à situação enfrentada pelo povo gaúcho, já implementou diversas medidas emergenciais para auxiliar as empregadas e empregados e toda população do estado” e pede “que o banco se mostre, mais uma vez, sensível à situação dos moradores do Rio Grande do Sul, que estão impossibilitados de continuar sua preparação para esta prova de grande concorrência, e adie o certame.” 

A prova do concurso da Caixa está marcada para o próximo dia 26 de maio.

As chuvas não deram trégua e há mais de 10 dias, grande parte das cidades do Rio Grande do Sul está inundada.

“E a previsão é a de que continuará chovendo nos próximos dias. Isso traz grandes prejuízos aos candidatos, que não têm como dar continuidade aos estudos necessários para fazer a prova”, observou a coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt, em matéria publicada no site da Contraf-CUT 

.”Pelo mesmo motivo, o governo federal já adiou a prova do Concurso Nacional Unificado. Por coerência, o recomendado é adiar também a prova do concurso da Caixa”, completou o documento.

Números da tragédia 

A tragédia já prejudica 388 municípios. Cerca de 1,5 milhão de pessoas foram atingidas com pelo menos 100 mil casas destruídas e 100 mortos até o último relatório oficial do governo do Estado divulgado. Há ainda 362 feridos e 131 desaparecidos. Cerca de 48.297 desabrigados estão instalados em alojamentos cedidos pelo poder público, mas o total de desabrigados já chega a 156.056 pessoas, segundo números da Defesa Civil. 

As 2.338 escolas da rede estadual estão com as aulas suspensas, afetando 273 mil alunos. Tudo isso, às vésperas do concurso pelo qual a Caixa vai contratar mais de 4 mil novos empregados, com quase 1,6 milhão de inscritos, o que é mais do que justificável o adiamento da data da prova e de todo o processo do concurso público.