Comitê de Lutas dos Bancários protesta contra a alta dos preços

Foto: Nando Neves
Dirigentes sindicais bancários inauguraram as atividades do Comitê de Lutas da categoria, na Feira de São Cristóvão

Carlos Vasconcellos

Imprensa SeebRio

 

Mobilizar a sociedade para aumentar a participação popular na política, pressionando governos e apresentando propostas para superação da crise, da fome e da desigualdade social e contribuir para a reconstrução do Brasil  e de um país justo e com igualdade de oportunidades. Este é o objetivo dos comitês de lutas espalhados pelo Brasil, com a participação de diversas categorias de trabalhadores.

Os bancários iniciaram, no último sábado (25), chamado de primeiro “Dia L de Luta”, uma mobilização nacional de seu Comitê de Lutas. No Rio de Janeiro, a atividade foi realizada no Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, no Pavilhão de São Cristóvão.

De quem é a culpa?

A volta do Brasil ao Mapa da fome, os altos preços dos produtos nos supermercados, especialmente os alimentos, e dos combustíveis foram a tônica dos protestos, bem como a política genocida do governo Bolsonaro que resultou em mais de 670 mil mortes por covid-19. Na avaliação dos manifestantes, muitas delas poderiam ter sido evitadas se não fosse a campanha negacionista do governo e a demora na providência das vacinas.

Os dirigentes sindicais bancários distribuíram panfletos e dialogaram com a população na feira de São Cristóvão, arredores e sinais de trânsito. Em formato de encarte de supermercado e com o título “Tá caro? A culpa é do Bolsonaro”, o material impresso chamou a atenção da população que enfrenta uma triste realidade: ninguém aguenta mais a alta de preços e a perda de renda das famílias, além do desemprego, situação agravada nos últimos anos.  

Mudança de rumos

Carlos de Souza, diretor do Sindicato e secretário da CUT Rio (Central Única dos Trabalhadores do Rio de Janeiro), falou aos frequentadores da tradicional feira sobre a necessidade de mudança de rumos da política econômica e de governo nas eleições 2022.

“Temos que reverter este quadro nefasto que vivemos, onde o ódio prevalece sobre as relações de empatia e a preocupação com o próximo”, declarou.

Violência contra a  mulher

A presidenta da Federa RJ (Federação das Trabalhadoras e dos Trabalhadores no Ramo Financeiro) e  diretora do Sindicato Adriana Nalesso chamou a atenção para os números estatísticos referentes à fome.  

“O Brasil tem 33 milhões de pessoas em situação de fome e deste total, em apenas dois anos e meio do atual governo, mais 14 milhões de brasileiros e brasileiras foram lançados ao Mapa da Fome”, disse. A sindicalista destacou ainda o aumento da violência contra as mulheres.

Os números, de fato, refletem o ranço machista da sociedade brasileira. Para 71% das entrevistadas na pesquisa Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher 2021,  o Brasil é um país muito machista e 68% das brasileiras conhecem uma ou mais mulheres vítimas de violência doméstica ou familiar, enquanto que 27% declaram já ter sofrido algum tipo de agressão por um homem.  

O local escolhido

O também diretor do Sindicato Alexandre Batista, coordenador do Comitê de Lutas dos Bancários, salientou que a escolha do início das atividades na Feira de Tradições Nordestinas, não foi por acaso.

“Foi uma homenagem a esse povo aguerrido, em geral antenado com as opções que atendem os anseios do povo. Os nordestinos são os mais atingidos pela fome e a miséria do país. Nas eleições de outubro teremos a oportunidade das nossas vidas e precisamos reverter essa situação”, destacou. Alexandre lembrou ainda que o Comitê de Lutas não foi criado para funcionar apenas nas eleições, mas será um movimento permanente de mobilização popular.